“Quando estabelecemos uma meta, existe um entusiasmo inicial muito forte. Mas, conforme a rotina volta ao normal e os resultados não aparecem rapidamente, o cérebro passa a enxergar aquela mudança como algo custoso. É nesse momento que muitas pessoas retornam aos hábitos antigos e, em alguns casos, deixam a meta completamente de lado”, explica.
A especialista afirma que isso acontece porque o cérebro trabalha em busca de previsibilidade e recompensa imediata. Ao definir um objetivo, há uma liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à motivação e ao prazer. O problema surge quando a expectativa criada não acompanha o tempo real necessário para alcançar resultados concretos.
“A sensação de motivação costuma durar menos do que as pessoas imaginam. Sem pequenas recompensas ao longo do processo, o cérebro perde interesse naquela meta e direciona atenção para estímulos mais imediatos e confortáveis”, afirma Carol.
Apesar disso, a neurocientista acredita que o meio do ano pode ser um dos melhores momentos para recomeçar. Sem a pressão simbólica das resoluções de janeiro, as metas tendem a ficar mais objetivas, realistas e compatíveis com a rotina atual.
A seguir, Carol Garrafa compartilha algumas estratégias para retomar objetivos que ficaram pelo caminho e aumentar as chances de mantê-los até o fim do ano.
Crie metas menores e mais concretas
Metas vagas costumam morrer rápido na rotina. "Quando o objetivo é amplo demais, como “mudar de vida”, “ser mais saudável” ou “me organizar melhor”, o cérebro interpreta aquilo como algo distante e difícil de executar", explica Carol Garrafa.
A tendência, segundo ela, é adiar. "Transformar desejos genéricos em ações específicas ajuda a tornar o processo mais viável no dia a dia", diz. "Caminhar três vezes por semana, cozinhar mais em casa ou ler algumas páginas antes de dormir são exemplos mais fáceis de sustentar do que mudanças radicais de uma vez só", ressalta.
“Quando a pessoa consegue visualizar exatamente o que precisa fazer, existe menos resistência mental. O cérebro trabalha melhor com metas concretas do que com ideias muito abstratas”, explica a neurocientista.
Motivação não dura o tempo todo
Esperar disposição constante para agir costuma ser um dos erros mais comuns quando o assunto é mudança de hábito. A motivação oscila e tende a diminuir quando a novidade passa. Por isso, criar rotina costuma funcionar melhor do que depender de empolgação.
“Uma outra dica rápida é facilitar a execução, seu cérebro está o tempo todo buscando motivo para economizar energia, por isso vale facilitar deixando, por exemplo, seu tênis da academia já a vista, o livro que está lendo por perto, não ter as comidas mais gordurosas em casa…estas são ações que gatilham o cérebro para agir”.
“Quanto mais previsível uma ação se torna, menos esforço mental ela exige. É assim que hábitos começam a se consolidar”, afirma a neurocientista.
Comparações nas redes sociais atrapalham o processo
A exposição constante aos resultados dos outros pode criar a sensação de que todo mundo está evoluindo mais rápido. Mas isso pode interferir diretamente na percepção sobre o próprio progresso. “Muitas pessoas passam a enxergar apenas o que ainda não conquistaram e deixam de perceber avanços reais da própria trajetória”, diz Carol.
Segundo a especialista, esse tipo de comparação costuma aumentar ansiedade, frustração e sensação de incapacidade, fatores que favorecem o abandono das metas.
Pequenos avanços também precisam ser reconhecidos
Esperar uma grande transformação para sentir satisfação costuma tornar qualquer processo mais cansativo. O cérebro responde melhor quando percebe recompensas frequentes ao longo do caminho. “Reconhecer pequenas evoluções ajuda a manter o engajamento e reduz a sensação de que o esforço nunca valeu a pena”, afirma a neurocientista.
Retomar metas no meio do ano também pode servir para rever objetivos que já não fazem sentido. “Em alguns casos, insistir em promessas irreais gera apenas frustração. Por isso, ajustar expectativas e adaptar estratégias costumam produzir resultados mais consistentes do que tentar sustentar mudanças incompatíveis com a própria rotina”, pondera Carol.
Sobre Carol Garrafa: engenheira de formação, com especialização em Neurociência e MBA em Finanças além de MBA na EM Lyon (França), Carol Garrafa é a idealizadora do Método Santé, iniciativa que já transformou equipes corporativas e impactou milhares de pessoas ao integrar propósito, produtividade e bem-estar. É autora do livro People Skills: uma vida de propósito (Editora Dialética). Palestrante, mentora e conselheira de empresas, leva sua experiência em estratégia e People Skills como ferramenta de potencialização dos cérebros e resultados para o ecossistema corporativo. Antes de dedicar-se ao estudo profundo do comportamento humano, construiu uma carreira sólida no mercado financeiro, atuando em instituições como Itaú Unibanco e Coca-Cola, onde liderou áreas ligadas à estratégia e negócios digitais.
Sobre a Santé: A Santé é uma consultoria especializada em People Skills e neurociência aplicada à liderança, fundada por Carol Garrafa. Com metodologia própria, a empresa atua no desenvolvimento humano dentro das organizações, promovendo equilíbrio entre performance, propósito e bem-estar. Já impactou mais de um milhão de pessoas e mais de 150 empresas, entre elas TikTok, iFood, Azul, Itaú, Porsche Consulting e Bayer. A Santé acredita que “felicidade gera lucratividade”, e que o verdadeiro sucesso nasce quando líderes aprendem a equilibrar razão, emoção e propósito.
Fonte: assessoria Karol Garrafa
Imagem: Karola G, via Pexels
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