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A corrida pela liderança global do Hidrogênio de baixo carbono e o papel estratégico do Brasil, por Alberto Machado Neto, M.Sc. e Luiz Lamboglia

Redação TN Petróleo/Assessoria ABIMAQ
29/09/2025 13:20
A corrida pela liderança global do Hidrogênio de baixo carbono e o papel estratégico do Brasil, por Alberto Machado Neto, M.Sc. e Luiz Lamboglia Imagem: Divulgação Visualizações: 2034

O hidrogênio de baixo carbono, entre eles o hidrogênio verde (obtido por eletrólise da água) deixou de ser uma promessa distante para se tornar um importante elemento na corrida global pela descarbonização. Países e empresas estão investindo para desenvolver cadeias de valor que prometem redefinir o setor energético e reposicionar economias inteiras. Nesse cenário, o Brasil desponta com vantagens naturais, capacidade industrial e projetos em estudos de viabilidade e em diversas fases de desenvolvimento em 13 estados da Federação e no Distrito Federal.

Entretanto, transformar esse potencial em protagonismo exigirá mais do que recursos naturais: será necessário planejamento estratégico, políticas públicas consistentes e ousadia tecnológica.

Relatórios de renomadas instituições internacionais apontam que o hidrogênio verde deve movimentar trilhões de dólares até 2050, tornando-se um dos pilares da transição energética. 

Países como Alemanha, Japão e Reino Unido já disputam a liderança, enquanto grandes empresas de energia e tecnologia ampliam investimentos em produção, armazenamento, transporte e uso da molécula, como energético, principalmente na mobilidade, e ou como matéria prima.

Nesse contexto, o hidrogênio de baixo carbono está começando a surgir, não apenas como uma solução climática, mas como vetor de inovação e competitividade. Ele permitirá descarbonizar setores de difícil eletrificação, como siderurgia, química, cimento e transporte, incluindo marítimo e aéreo. Ao mesmo tempo, cria oportunidades para novas cadeias produtivas. Cabe ressaltar o papel da engenharia de projeto, um dos fatores mais importantes da cadeia de valor envolvida.

Se no século XX o petróleo foi símbolo de poder geopolítico, o século XXI pode ver o Brasil ganhar protagonismo em ampla gama de fontes renováveis, incluindo o hidrogênio de baixo carbono onde o Brasil também conta com vantagens comparativas. A matriz elétrica brasileira já tem mais de 85% de fontes renováveis e o país dispõe de vasto território, insolação, ventos favoráveis e recursos hídricos para gerar energia limpa e competitiva. Essa condição coloca o Brasil entre os poucos países capazes de produzir tanto o hidrogênio verde em grande escala a preços competitivos quanto aquele obtido por meio de outras rotas tecnológicas.

Além disso, o parque industrial brasileiro, mais do que contar com capacitação potencial para se adaptar a vários tipos de demandas, já está pronto para fornecer boa parte dos equipamentos necessários para essa nova economia, com componentes das plantas de produção de hidrogênio e seus subprodutos fabricados com elevados índices de conteúdo local, aproveitando a expertise adquirida na indústria de gás natural. 

Tal fator cria uma oportunidade de reindustrialização verde a mais, com geração de empregos qualificados e fortalecimento tecnológico, podendo representar importante vetor na alavancagem do programa Nova Industria Brasil – NIB, lançado pelo governo em 2024.

Esse potencial já se materializa em projetos estratégicos. Em Uberaba (MG), está sendo construída uma planta para produção de fertilizantes nitrogenados verdes. A unidade promete reduzir 1,1 milhão de toneladas de CO₂ por ano e diminuir a dependência de importações — hoje próxima de 95%.

No Porto do Pecém (CE), a mineradora australiana Fortescue aposta em uma das maiores plantas de hidrogênio e amônia verde do mundo. A expectativa é iniciar operações em 2030, exportando amônia verde para o mercado europeu e gerando 9 mil empregos.

Empresas como a WEG, Siemens Energy e Neuman & Esser também já estão investindo em pesquisa e produção de novas tecnologias, como eletrolisadores e sistemas de automação, fortalecendo a presença nacional na cadeia de fornecimento.

Apesar do otimismo, especialistas alertam que o Brasil precisa agir rápido para não perder espaço nessa corrida tecnológica. A ausência de um marco regulatório específico em condições para aplicação imediata, a falta de políticas claras de precificação de carbono e a carência de infraestrutura de geração, transmissão e armazenamento de energia elétrica nos níveis necessários, ainda travam projetos. Alguns empreendimentos, que poderiam estar em operação já em 2025, foram empurrados para 2029 ou 2030.

Outro ponto crítico é a criação de demanda interna. Hoje, muitos projetos têm foco na exportação, mas consolidar um mercado doméstico, principalmente nos setores de transporte, siderurgia, cimento e fertilizantes, será essencial para gerar escala e atrair investidores.

O hidrogênio de baixo carbono, além de representar uma solução climática, traz uma oportunidade histórica para o Brasil reposicionar sua indústria no mapa global. O país reúne condições únicas para se tornar fornecedor de tecnologia, projetos de engenharia, máquinas e equipamentos e moléculas verdes, gerando empregos qualificados e promovendo crescimento econômico sustentável.

Para isso, será preciso investir pesado em pesquisa, fomentar parcerias entre universidades e empresas, apoiar startups de energia limpa, criar políticas públicas e buscar parcerias em outros países, capazes de transformar potencial em realidade. 
A ABIMAQ tem atuado como articuladora estratégica nesse processo, conectando empresas, governo e demais atores, para acelerar a transição energética e fortalecer a indústria nacional. 

Por meio de seu Conselho de Hidrogênio e participando ativamente nos grupos de estudo do programa Made in Brasil Integrado (MiBI), no âmbito do Ministério do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços – MDIC, a entidade fomenta a criação de uma cadeia de fornecimento robusta e competitiva, com potencial para posicionar o país como protagonista no mercado mundial, tanto na produção de hidrogênio de baixo carbono e seus derivados, quanto na oferta de bens e serviços necessários à sua produção e de seus derivados.

A mobilização já está em curso e os próximos anos serão decisivos para transformar a visão em realidade. A corrida global já começou e quem chegar primeiro terá vantagem competitiva por décadas.

Sobre os autores: Alberto Machado Neto, M.Sc., Diretor Executivo de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia e Hidrogênio e Luiz Lamboglia, jornalista assessor de imprensa, ambos da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)
 

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