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Como o dólar está impactando o caixa das empresas na compra de tecnologia, por Leonardo Muroya

Redação TN Petróleo/Assessoria VULTUS
11/02/2025 07:03
Como o dólar está impactando o caixa das empresas na compra de tecnologia, por Leonardo Muroya Imagem: Divulgação Visualizações: 2356

Cada vez mais, a oscilação do dólar impacta, em algum nível, todas as empresas brasileiras. Isso porque, de forma geral, as tecnologias utilizadas pelo setor privado no Brasil chegam a ter até 40% de insumos estrangeiros. Além disso, estamos na era hiperdigital, em que hardwares e softwares permeiam todas as áreas de negócio – de RH a logística, marketing, financeiro, vendas e relacionamento com o cliente. Assim, dólar alto resulta em aumento sistemático dos custos financeiros para todas as organizações, já que se tornou imprescindível investir continuamente em serviços e produtos tecnológicos variados.

Dentre as tecnologias mais adquiridas pelo mercado nacional em dólar estão soluções de nuvem, hardwares e softwares. Com a velocidade crescente da evolução tecnológica, temos uma curva acelerada de obsolescência, gerando a necessidade constante de novos investimentos. Isso se aplica a quaisquer empresas, de todos os tamanhos e setores, não apenas àquelas com a tecnologia como core business. Portanto, nenhuma das organizações hoje está imune à variação cambial e a tendência é que sejam cada vez mais impactadas, dado o contexto da transformação digital.

Aumento dos custos YoY pode chegar a mais de 20%

Exercitando um cálculo simples para o intervalo de 12 meses, o reajuste no valor pago por produtos e serviços em dólar fica em cerca de 20% – considerando a cotação do dólar de 11 de fevereiro de 2025, de aproximadamente R$ 5,8, e a cotação no mesmo dia há um ano, de aproximadamente R$ 4,9, e nenhum reajuste em outras variáveis relacionadas (inflação, taxa de juros, etc.). Aplicando para o exemplo de um projeto ou tecnologia, que tenham sido contratados àquela época por US$ 100 mil, o custo teria sido de R$ 490 mil. Desconsiderando qualquer variação no preço para 2025, a mesma aquisição ficaria R$ 100 mil mais custosa, o que corresponde a 20% a mais de desembolso. 

Eficiência em TI e Segurança da Informação para mitigar os impactos no curto e longo prazos

Além de as ferramentas digitais permearem todas as atividades de uma empresa hoje em dia, outros vetores de impacto orçamentário em períodos de alta do dólar são a Tecnologia da Informação (TI) e a Segurança da Informação. Isso se deve à capilaridade delas em todas as áreas de negócio. Proteger dados e sistemas, e implementar soluções de ponta em TI, em um contexto de aumento da superfície digital das organizações, exige uma abordagem contínua, sistêmica e robusta. Pagar essa conta em dólar – já que boa parte das soluções de TI e SI são importadas – gera impactos consideráveis.

Vemos a magnitude do impacto quando olhamos, por exemplo, dentro de SI, para a cibersegurança. Ela está – ou ao menos deveria estar – do nível operacional ao tático e estratégico da organização, não mais em ações isoladas de segurança cibernética. E mais: ela deve ser robusta e adaptável. Por isso, neste momento desafiador, os executivos precisam focar em uma premissa que já é inegociável para a sustentação e o crescimento, mas que agora ganha ainda mais importância: a eficiência das implementações. 

A eficiência deve ser perseguida sempre, e ainda mais em cenários como o atual. Em termos de tecnologia, alcançar eficiência demanda uma série de mudanças, que considerem questões externas e internas à organização sob um olhar sistêmico, ao mesmo tempo em que detalhado e criterioso, sobre processos, pessoas, e tecnologias. Além disso, torna-se ainda mais fundamental uma visão estratégica na abordagem de SI, e uma governança de alto nível. Esses cinco pilares são a chave para o sucesso nos tempos atuais e futuros.

Três fatores para alcançar a eficiência em Segurança da Informação

As empresas que atentam aos princípios básicos de eficiência conseguem rever estratégias e adotar medidas assertivas para se tornarem menos dependentes das variações cambiais. Esses princípios podem ser resumidos em um tripé que compreende: priorização dos riscos críticos para o negócio; automatização de processos; e consolidação (integração e centralização) de ferramentas e tecnologias. 

A ausência de um desses fatores ou a implementação falha de qualquer um deles impacta os negócios no curto e longo prazos. De imediato, as empresas sentem no bolso. Mas no horizonte, vai ganhando corpo um outro gargalo: o comprometimento da previsibilidade de gastos com tecnologia. E isso atinge a gestão do negócio como um todo. Temos visto especialistas aconselhando que as empresas optem por tecnologias e serviços nacionais como principal medida para contornar a alta do dólar. Apesar de essa ser, de fato, uma abordagem bastante recomendável – e a VULTUS como uma empresa 100% brasileira também defende isso –, precisamos concordar que a solução central não é essa, mas sim o tripé dos três fatores da eficiência em SI.

É um novo patamar que, no longo prazo, leva a organização a desenvolver uma eficiência retroalimentada, viabilizando a redução de custos na aquisição de produtos ou serviços tecnológicos, a partir de uma visão holística e estratégias mais bem orquestradas. 

Sobre o autor: Leonardo Muroya  é um profissional altamente experiente em cibersegurança, com mais de 24 anos de atuação na área. Atualmente, é CEO da VULTUS Cybersecurity Ecosystem, liderando estratégias inovadoras no setor. Antes disso, ocupou posições de destaque, como CISO no Banco BV, superintendente de cibersegurança do Santander Brasil, e gerente de segurança da informação no Itaú Unibanco e na NET Serviços de Comunicação S/A. Além de sua trajetória corporativa, Muroya também contribuiu como membro do conselho no Projeto Viver - Jardim Colombo, focado em educação e inclusão social.

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