Artigo

Inteligência ambiental e o novo diferencial competitivo da indústria brasileira, por Gino Paulucci Jr

Redação TN Petróleo/Assessoria ABIMAQ
18/11/2025 17:18
Inteligência ambiental e o novo diferencial competitivo da indústria brasileira, por Gino Paulucci Jr Imagem: Divulgação Visualizações: 783

O conceito de inteligência ambiental vem ganhando espaço nas discussões empresariais e políticas, e não por acaso. Mais do que um termo técnico, ele traduz a capacidade das empresas de usar dados, tecnologia e inovação para reduzir impactos ambientais e aumentar eficiência produtiva.

Trata-se de um movimento global, mas com implicações diretas para a indústria brasileira. Hoje, grandes players do setor produtivo estão redefinindo sua relação entre sustentabilidade e competitividade. A ArcelorMittal Brasil, por exemplo, trabalha para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, priorizando a redução de emissões em toda a sua cadeia. A Electrolux investe R$700 milhões em uma planta industrial 100% sustentável no Paraná. Já a Suzano valoriza fornecedores com alta performance em sustentabilidade, e a Tetra Pak Brasil é reconhecida como modelo global de reciclagem e economia circular.

Essas iniciativas demonstram que a sustentabilidade deixou de ser uma pauta de responsabilidade social e passou a integrar o centro das decisões estratégicas de negócio. O investimento em práticas ambientais, sociais e de governança fortalece a marca, reduz custos operacionais e aumenta o acesso a financiamentos. Cada vez mais, as empresas que não incorporarem a inteligência ambiental estarão em desvantagem competitiva, tanto em relação a mercados internacionais quanto na disputa por consumidores e talentos mais conscientes.

Mas a inteligência ambiental não é um privilégio das grandes corporações. Pequenas e médias indústrias também podem se beneficiar com uso racional de recursos, monitoramento energético, automação e gestão inteligente de resíduos. Práticas que aumentam a competitividade e abrem portas para novos mercados e cadeias produtivas.

Em um cenário de margens apertadas, transformar eficiência em estratégia é um diferencial que define quem se mantém relevante.

Para que esse movimento avance, políticas públicas e instrumentos de financiamento devem acompanhar o ritmo da inovação. Linhas verdes do BNDES, incentivos à descarbonização, programas de fomento à inovação e mecanismos de crédito voltados à economia circular precisam ser fortalecidos. A competitividade da indústria brasileira dependerá, cada vez mais, da capacidade de alinhar produtividade, tecnologia e responsabilidade ambiental.

Ao olhar para frente, é impossível dissociar o futuro da indústria da agenda climática global. Eventos como a COP30, que será sediada no Brasil, trazem uma oportunidade para o país se consolidar como protagonista nessa transição. Temos um parque industrial diversificado, uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e uma base tecnológica que precisa ser valorizada. O desafio está em transformar esses ativos em resultados concretos, com foco em descarbonização, eficiência e reindustrialização sustentável.

A ABIMAQ tem acompanhado de perto essa transformação. O setor de máquinas e equipamentos é um dos principais viabilizadores da transição sustentável, oferecendo soluções tecnológicas que permitem às demais cadeias produtivas serem mais limpas, precisas e eficientes. Inovações em automação, sensoriamento, conectividade e manufatura avançada estão no centro dessa revolução verde, impulsionando o que podemos chamar de uma nova era da indústria inteligente.

Essa mudança não se resume à adoção de novas tecnologias, mas a uma mudança de mentalidade empresarial. Ser sustentável é ser competitivo. E a inteligência ambiental é o elo que conecta inovação, rentabilidade e responsabilidade.

Para isso, é essencial que empresas, governo e sociedade atuem de forma integrada, com visão de longo prazo e compromisso com o desenvolvimento sustentável.

Sobre o autor: Gino Paulucci Jr é engenheiro mecânico, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Subsea
Priner expande atuação no offshore com lançamento de sol...
13/02/26
Firjan
Recorde no petróleo sustenta crescimento da indústria do...
13/02/26
E&P
Tecnologia brasileira redefine a produção em campos madu...
13/02/26
Bahia Oil & Gas Energy
Produção em campos terrestres de petróleo e gás deve cre...
12/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
Resultado
Com 2,99 milhões boed, produção de petróleo e gás da Pet...
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Oferta Permanente
Manifestação conjunta abrangente e inédita agiliza inclu...
12/02/26
Biometano
Biometano em foco com debate sobre crédito, regulação e ...
12/02/26
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
Pessoas
Mauricio Fernandes Teixeira é o novo vice-presidente exe...
06/02/26
Internacional
Petrobras fica com 42,5% de bloco exploratório offshore ...
06/02/26
Sergipe Oil & Gas 2026
Ampliação de espaço no Sergipe Oil & Gas vai garantir ma...
05/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.