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Números do petróleo, por Thiago Valejo Rodrigues

Thiago Valejo Rodrigues
08/07/2019 10:14
Números do petróleo, por Thiago Valejo Rodrigues Imagem: Divulgação Visualizações: 1460

Acesso remoto, interatividade, robotização. A lista de expressões que passaram a integrar o dia a dia da indústria parece não ter fim. Pensar em como será o futuro é um exercício desafiador, pois a cada momento surge uma novidade. Ao olhar para um mercado específico, como o de petróleo e gás natural, destaca-se uma demanda crescente por capacidade de processamento de dados na, já eterna máxima, “transformação digital”. 

Quando se aprofunda o debate com especialistas de ciência de dados, incluem-se linguagens tipo SQL, Python e análises de lógica Fuzzy, otimização por algoritmos genéticos e outra infinidade de tecnologias e ferramentas que, mais uma vez, já fazem parte da realidade da execução e monitoramento de atividades das grandes empresas que estão neste mercado.

Mas, afinal, onde começa e até onde vai essa tal transformação?

A resposta pode cair em discussão similar entre os defensores da Apple e os fãs da Samsung. Isso, porque ainda há muito que consolidar, amadurecer e aprender no digital. E, a cada nova geração de celular, um concorrente passa o outro. 

Em segmentos como o de sísmica ou no processamento da produção de óleo, o volume de dados gerados para serem interpretados e transformados em informação é um dos principais motivadores para digitalização.

Ambientes notoriamente mais complexos, como o do pré-sal, exigem um trabalho ainda mais integrado entre os diversos elos do encadeamento produtivo. De nada adianta ter um celular de última geração, se é preciso enviar um arquivo para outro que não suporta, seja em tamanho, tipo de arquivo, ou método de transferência.  

Cooperação é fator fundamental para avanços tecnológicos. No mesmo sentido que Apple e Samsung já foram parceiras na fabricação de chips processadores, é preciso buscar colaboração e identificar as competências para a melhor solução de negócio. 

Nesse contexto, há que se reconhecer o papel do capital humano que vem antes mesmo de marcas, empresas ou processos. Quem faz o melhor ambiente de inovação são as pessoas. Elas iniciam o processo de transformação. As máquinas certamente só farão o trabalho pesado se tiverem profissionais capacitados para projetar, programar, construir. 

Por outro lado, pouco ainda se fala sobre traduzir em números o resultado financeiro e econômico em números com a aplicação das novas tecnologias do digital. 

Institucional

O emprego de tecnologias como realidade aumentada e realidade virtual nas salas de aula para treinamento é uma prática já consolidada para qualificação de profissionais para a indústria do petróleo. Além destas, o aumento de gamificação na didática de ensino é uma prática relevante já usada pela Firjan SENAI, em especial, desenvolvidas por seu Instituto

SENAI de Tecnologia (IST) em Automação e Simulação, no Rio de Janeiro. 

Voltando à capacidade de processamento, os primeiros computadores e mesmo nossos primeiros celulares não conseguiriam desempenho suficiente para rodar programas, dos quais hoje não imaginamos viver sem. A mesma comparação pode se fazer em ganho de produtividade para quando se usa realidade aumentada e realidade virtual no treinamento.

O uso dessas tecnologias permite que o conteúdo a ser transmitido seja ampliado em até 34%. Ou seja, permite reduzir de oito para seis horas a carga horária do curso em questão.

A capacitação também é importante para a qualidade de vida dos profissionais. Em plataformas de petróleo, existe limitação de espaço físico e ambientes confinados para prática da atividade profissional. Um indicador relevante é a redução de afastamentos por acidentes de trabalho. Essa redução pode chegar a 90% por problemas ergonômicos quando se simula o ambiente em que o trabalhador exercerá a função durante seu treinamento.

Há ainda os conceitos de conectividade e acesso a informações armazenadas em nuvem que precisam, tais como o petróleo, serem explorados e desenvolvidos.

Temos a certeza, que por mais modelos de previsão e códigos de programação que sejamos capazes de criar, não conseguimos ainda determinar quando substituiremos os celulares por chips implantados em nossos corpos. Assim, não é possível ainda prever o exato momento que a transformação digital atingirá o seu ápice e partiremos para novas fronteiras,

mas sabemos que para chegar lá, navegaremos ainda por muitos dados.

Sobre o autor: Thiago Valejo Rodrigues é coordenador de Conteúdo Estratégico Petróleo, Gás e Naval da Firjan

 

 

 

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