Artigo Exclusivo

Perspectivas da retomada (Linkedin pulse), por Armando Cavanha

Armando Cavanha
29/10/2017 09:31
Perspectivas da retomada (Linkedin pulse), por Armando Cavanha Imagem: Divulgação Visualizações: 1389

Começam a vir à tona discussões de como serão os investimentos que se aproximam, com os resultados dos últimos leilões de 2017. Ainda com alguma cautela, os diversos atores de supply chain de bens e serviços se perguntam como será a retomada. Como dizem alguns fornecedores, “quando vou ter o meu contrato na mão?”.

As licitações de blocos exploratórios trazem boas perspectivas para os negócios e para a geração de empregos locais. No entanto, há uma sequência natural nos investimentos que seguem a cadeia produtiva de óleo e gás:

A Exploração, primeira e indispensável atividade, requer de 1 a 2 anos para a aquisição sísmica, processamento, interpretação, locação, etc… São contratos de petroleiras ou consórcios operadores com prestadores de serviços tecnológicos, todos estrangeiros, com conteúdo local quase que inviável no Brasil. Empresas como PGS, CGG, SPECTRUM, dentre outras americanas e européias. Seus navios especializados percorrem linhas pré desenhadas em mar, obtendo dados do subsolo e permitindo estudos de geólogos e geofísicos sobre possíveis acumulações e suas dimensões de potenciais reservatórios de óleo e/ou gás. Terminados os trabalhos, retornam ao seu país de origem ou se deslocam para outras regiões do planeta para novos trabalhos.

Após isto, caso os indicativos sejam positivos, ocorre o “drilling” ou perfuração. São contratadas sondas, normalmente afretadas de mercado bastante especializado, onde por 1 a 3 anos são feitos poços para “descobrir” os hidrocarbonetos. Os provedores de servicos sao muitos, de origem estrangeira e grande porte, apenas com representação e suporte local. Dentre eles estão Seadrill, Transocean, Diamond, Maersk, etc.

São feitas medições sofisticadas de “logging” ou perfilagem, obtendo-se dados das formações laterais da formação rochosa a partir de um poço, em profundidades de 3 a 7 mil metros. Empresas típicas são Schlumberger, Halliburton, Baker, com pouquíssimo conteúdo local. Ainda podem ser requeridos poços adicionais de delimitação. Mais tempo ainda demandado em atividade de tecnologias importadas, pelo menos meses ou anos.

Se tudo for positivo, segue-se para o desenvolvimento da produção. São feitas a Engenharia Conceitual, Engenharia Básica, Engenharia de Detalhamento, gastando-se mais 1 a 3 anos, seriam tempos típicos.

Ou seja, normalmente 5 ou mais anos após as licitações de blocos exploratórios iniciam-se as contratações de afretamento de FPSOs, possíveis contratos e compras locais, parciais, de topside, subsea e poços adicionais. Está fase pode durar de 0 a 3 anos, tipicamente, mas tempos diferentes são possíveis.

Acresce-se a isto tempos para licenças ambientais, nem sempre imediatas atualmente.

Portanto, há duas considerações importantes para fornecedores.

 

A primeira, diz respeito ao tempo para se obter um contrato de máquinas e equipamentos, a partir de uma licitação de blocos exploratórios, que pode ser longo, no casa de 3 a 12 anos.

A segunda, que o modelo de contratação tende a ser, no Brasil, mais por empresas construtoras e prestadoras de serviços do que petroleiras ou consórcios. Como exemplo, SBM, MODEC, TEAKEY, etc. Ou seja, menos compras, mais prestação de serviços com bens e equipamentos embutidos.

Assim, “o investimento pesado vem depois”, ou seja, 70% do valor total de um projeto de E&P se inicia em não menos que 3 anos após um leilão.

Aqueles projetos já mais avançados no processo exploratório e de produção devem demandar tempos mais curtos para bens e serviços. Os iniciais, puramente exploratórios ainda, terão de cumprir a sequência natural dos negócios.

Com a diversificação de donos de blocos e ativos no país, cada vez mais a tendência é termos modelos de atividade e contratação do tipo globais. Cada vez mais fornecedores de classe mundial. Cada vez mais modelo Indústria e menos modelo Estado. Cada vez mais OPEX do que CAPEX.

Muitas mudanças nos esperam, podemos nos preparar para convivermos cada vez de forma mais harmônica com isso.

Sobre o autor: Armando Cavanha (cavanha.com) é professor convidada da FGV/MBA

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
ANP
Audiência pública debate revisão de resolução sobre aqui...
01/04/26
Biocombustíveis
RenovaBio: ANP divulga metas definitivas para as distrib...
31/03/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
Firjan
Estado do Rio pode receber mais de R$ 526 bilhões em inv...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23