Artigo Exclusivo

Por uma indústria mais moderna, por Luiz Egreja

Luiz Egreja
25/02/2019 16:11
Por uma indústria mais moderna, por Luiz Egreja Imagem: Divulgação Visualizações: 1381

Estamos vivendo um momento único em nossa história, tendo a revolução tecnológica como fator de transformação fundamental da forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a mudança será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes.

A tecnologia nunca teve um papel tão estratégico como o que tem hoje. Ao longo dos últimos anos, acompanhamos vários avanços, mas nada comparado ao momento atual. Além da presença na vida das pessoas, a inovação está chegando definitivamente até as indústrias, transformando por completo a forma como as empresas trabalham. O Renascimento da Indústria (Indústria 4.0) marca, definitivamente, a nova era digital.

Caminhamos para a maior transformação da história, com fábricas verdadeiramente inteligentes. A primeira revolução foi com a máquina a vapor e produção mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. A terceira aconteceu em meados do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Institucional

Antes um movimento individual por parte de empresas, essa nova era já está começando a fazer parte da política de governos de vários países que visam atrair novos investidores, promover a digitalização da economia, mudar a produção e evoluir o conhecimento.

O conceito do Renascimento da Indústria vem, efetivamente, revolucionar o futuro. Isso significa que as fábricas terão uma nova conectividade digital presente em todas as etapas do processo, o que as tornarão mais eficientes, flexíveis, rápidas, transparentes e com equipamentos fáceis de manusear.

O foco será mais que o simples aumento de produtividade. Da mesma maneira que os smartphones mudaram a vida das pessoas, a tecnologia mudará não só as máquinas, mas todo o processo de produção, do desenho na tela do computador à finalização dos produtos. A inovação permitirá que as empresas poupem tempo, dinheiro, recursos e, acima de tudo, modifiquem sua forma de trabalho para atender aos desejos dos consumidores que estão mais exigentes, inclusive demandando produtos personalizados para os seus gostos individuais.

O movimento de transformação das fábricas para ambientes inteligentes é decisivo para a competitividade da indústria nacional e, portanto, não está isento de desafios sociais. Certamente, a tecnologia abrirá novas janelas de oportunidades de emprego, centenas de novos cargos e crescimento significativo para os países, apesar de as atividades repetitivas poderem ser substituídas pelas máquinas já nos próximos anos. O fundador e chairman do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, também considera que essa nova revolução vai elevar os níveis de rendimento global e melhorar a qualidade de vida das pessoas em todo o planeta. Tudo indica que teremos novos mercados e crescimento econômico com os ganhos de produtividade, além de maior eficiência com a redução dos custos de transporte e da cadeia logística.

Com as novas tecnologias, as barreiras geográficas vão desaparecer e parcerias entre universidades e empresas terão um impacto global extremamente positivo, podendo preparar jovens brasileiros para um mercado internacional de trabalho.

Estamos presenciando uma mudança de paradigma. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e vai interferir em quase todas as indústrias de todos os países, inclusive o Brasil, que precisará mudar rapidamente sua visão de mercado para não perder essa janela de oportunidade para os avanços. Sem dúvida, estamos diante de um novo cenário global de mercado graças a velocidade e o alcance de sistemas muito mais modernos.

As mudanças nos processos produtivos virão acompanhadas de inovações nos bens fabricados. O Renascimento da Indústria será marcado por produtos mais inteligentes e autônomos em relação aos existentes, movimentando cerca de US$ 15 bilhões na economia mundial nos próximos 15 anos.

Esses avanços reforçam a tendência de automatização total das fábricas, com dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e computação em Nuvem. Pesquisas do Gartner indicam que já temos 8,4 bilhões de dispositivos conectados no mundo, sendo que mais de 3 bilhões já estão sendo usados por indústrias e empresas dos mais diversos setores. Esses sensores são capazes de controlar funcionamento de equipamentos e até de trocar informações instantaneamente sobre compras e estoques, por exemplo. Será cada vez mais frequente o uso de nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, sistemas de comunicação M2M (máquina com máquina), Inteligência Artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. Com isso, o mercado mundial terá mais de 20 bilhões de dispositivos conectados, em 2020.

Apesar de países mais desenvolvidos serem conhecidos pela rápida adoção de novas tecnologias, economias emergentes, como a do Brasil, podem se beneficiar desse momento de inovação e de mudança para alcançarem patamares de igualdade. Essa nova era tem o potencial de elevar os níveis globais de rendimento e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras, da mesma forma como aparelhos smartphones estão incluindo milhões de pessoas ao novo mundo digital com pagamentos eletrônicos, serviços de táxi e acesso a conteúdos de interesse.

É certo que o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de inovar e de se adaptar. O momento de iniciar essa jornada é agora.

Sobre o autor: Luiz Egreja, Senior Business Transformation Consultant da Dassault Systèmes

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
ANP
Audiência pública debate revisão de resolução sobre aqui...
01/04/26
Biocombustíveis
RenovaBio: ANP divulga metas definitivas para as distrib...
31/03/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
Firjan
Estado do Rio pode receber mais de R$ 526 bilhões em inv...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23