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Se não nós, quem? por Filipe Duarte


13/07/2020 17:30
Se não nós, quem? por Filipe Duarte Imagem: Divulgação Visualizações: 1813

A vida é regada de incertezas. Nascemos, crescemos, nos relacionamos, estudamos, profissionalizamos... enfim, vivemos. Mas o que acontece em paralelo a todas essas etapas e processos?

Quando jovens, pouco sabemos da vida e qual é o melhor caminho a ser seguido. Escutamos os mais velhos, recorremos às mídias sociais em busca de informação, mas mesmo assim a incerteza insiste em nos perseguir. Infelizmente ou não, sinto informar que ela sempre estará presente, nos cercando.

Fui aluno de Engenharia de Petróleo da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), lá no campus de São Mateus, interior do Espírito Santo. E a incerteza sobre a conquista daquele primeiro estágio, aquela primeira oportunidade na indústria, sempre me rodeou. Quando iniciei a graduação, o mercado estava em alta, porém outro declínio emergiu em meio a meu tempo na universidade, preocupando a todos.

Mediante à crise, um turbilhão de pensamentos começou a perturbar a mente da juventude da época. Os processos seletivos não eram mais recorrentes, as empresas se reestruturavam para os anos difíceis que viriam e os jovens cada vez mais se questionavam se haveria luz no fim do túnel. A estratégia que utilizei na época
Institucionalnão foi muito diferente da que muitos utilizam hoje em meio à pandemia. Utilizei o período turbulento para estimular a ascenção da minha melhor versão e a de demais colegas, e foi por meio do Capítulo Estudantil da Society of Petroleum Engineers (SPE) que iniciei a traçar esse caminho com mais gana. Gostaria de conseguir explanar aqui, em um amontoado de letras, como todas as dificuldades, aventuras, frustrações e contentamentos que surgiram nesse processo foram completamente necessários para minha construção pessoal e profissional. Porém, me faltariam caracteres.

Adoraria dizer para os jovens que estão na tentativa de entrar no mercado de trabalho hoje que essa jornada é fácil e farta de louros e conquistas, mas não passaria de uma ilusão. Você, jovem, irá escutar muitos “nãos” até encontrar seu tão esperado “sim”, se sentirá desmotivado, até encontrar seu valor. Comigo não foi diferente. Tentei diversos processos seletivos, escutei muitos “nãos” e muitas vezes nem cheguei a escutar uma resposta. Felizmente, depois de muitos “perrengues”, em meados de 2018, recebi algumas respostas positivas e foi no programa estágio da Halliburton que me encontrei. Ingressei no setor de Pipeline & Process Services (PPS), que atua na entrega de soluções que vão desde o pré-comissionamento de dutos até o descomissionamento de instalações offshore.

Confesso que a princípio, antes de iniciar o estágio, eu não possuía muito conhecimento sobre a área. “O que é esse tal de pré-comissionamento?”, me perguntava. De forma resumida, o pré-comissionamento consiste na sequência operacional da preparação de dutos rígidos e flexíveis para passagem de hidrocarbonetos, uma vez que suas construções estão finalizadas. Dessa forma, realizamos os testes hidrostáticos para verificação de integridade, a limpeza, o condicionamento e inertização dessas estruturas, de modo a entregá-las aptas para a subsequente operação.

De alguma forma, depois de estar imerso no programa de estágio e todos seus desafios pertinentes, eu imaginava que toda aquela inquietude de não saber se conseguiria uma oportunidade no final da graduação fosse cessar. Todavia, ela semeou uma outra incerteza meses depois: “Irei ser contratado ao final do estágio? Haverá oportunidades dentro da companhia/indústria?” e isso me fez abrir os olhos. Afinal, quando estaria satisfeito?

No início de 2019, o sonho de ingressar de forma efetiva na indústria se concretizou e subi um degrau importante na minha jornada no setor de Pipeline & Process Services (PPS), porém agora como Engenheiro. Após alcançar esse objetivo tão almejado, obtive minha satisfação plena, certo?

Errado. Com veemência posso afirmar que as incertezas estarão sempre presentes. Após a conquista de uma meta e/ou um objetivo, uma nova inquietude irá surgir. E tudo bem, é até natural, de certa forma. Como mencionado, a vida é incerta e é nesse desenrolar que conseguimos nos desenvolver em meio às adversidades. Utilizei essa abertura de olhos para me desafiar e melhorar em constância.

Vejo a satisfação como relativa e mutável. Ela pode vir após finalização daquela corrida matinal, mas também após aquela temida apresentação para o time gerencial da empresa. Por isso, julgo importante nos conhecermos cada vez mais. Nossas fortalezas, nossos pontos a melhorar, e assim poderemos seguir na constante construção da nossa melhor versão.

O mercado atual precisa de profissionais competentes tecnicamente, mas que se conheçam, que saibam se relacionar, se comunicar e lidar com conflitos. E o mais importante, na minha percepção, que saibam lidar com o incerto, que sejam adaptáveis. Ninguém esperava que uma pandemia global fosse afetar o mundo globalizado, não é mesmo? Não existia uma contingência para tal. Tivemos e temos que nos adaptar ao novo “normal”.

Não preciso listar as incontáveis e tristes mazelas que a pandemia do COVID-19 tem nos proporcionado; todavia, vejo como necessária a reflexão de como tivemos um processo de aceleração nos âmbitos de digitalização e autoconhecimento devido à mesma. As relações estão diferentes, a condução do “business” assumiu novas facetas. Seriam essas as práticas do nosso presente mas também do futuro? Será que conseguiremos nos preparar para esse futuro incerto? Difícil afirmar. Por hora, a dúvida é uma das poucas certezas que podemos ter. Porém, não deve ser motivo para seguirmos inertes. Precisamos e devemos nos movimentar e agir, juntos, em direção ao futuro que merecemos. Se não nós, quem?

Sobre o autor: Flilipe Duarte é engenheiro de projeto da Halliburton e Co-fundador do grupo Até o Último Barril.

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