Artigo
Redação TN Petróleo/Assessoria
Introdução
O Top Risks 2026 (Eurasia Group) indica que o ambiente global entra em um ciclo de instabilidade estrutural, marcado por:
• enfraquecimento institucional,
• maior interferência geopolítica em cadeias produtivas,
• fragmentação das regras multilaterais,
• aceleração tecnológica sem governança.
Para o Brasil, país exportador de energia, alimentos e minerais críticos, esse cenário gera riscos relevantes, mas também janelas estratégicas, especialmente no debate sobre ESG, transição energética e o setor de petróleo & gás.
1 Estados Unidos instáveis e impactos para o Brasil
A “revolução política” nos EUA reduz a previsibilidade da política externa americana e tende a:
• enfraquecer compromissos climáticos globais;
• aumentar o uso de sanções, tarifas e coerção econômica;
• politizar agendas ESG e ambientais.
Impactos diretos para o Brasil
• ESG deixa de ser consenso global e passa a ser instrumento geopolítico;
• Pressão seletiva sobre cadeias produtivas (agronegócio, mineração, óleo & gás);
• Risco de exigências ambientais assimétricas contra países emergentes.
Implicação estratégica:
Empresas brasileiras precisam antecipar compliance ESG robusto, não apenas por convicção ambiental e social, mas como mecanismo de proteção geopolítica.
2 Energia, eletrificação e o papel do petróleo & gás brasileiro
O relatório aponta que a disputa EUA × China será decidida pela infraestrutura energética, não apenas por tecnologia digital.
O que isso significa para o Bras
Petróleo & gás: risco ou ativo estratégico?
• O relatório não prevê eliminação rápida dos fósseis;
• Pelo contrário: países com produção segura e estável ganham relevância.
Leitura para o Brasil:
O petróleo & gás brasileiro, se operado com boas práticas ambientais, sociais e de governança, pode ser:
• um instrumento de transição energética justa;
• fonte de financiamento para descarbonização;
• fator de segurança energética regional e global.
3 ESG deixa de ser “agenda moral” e vira gestão de risco
O relatório mostra que, em 2026:
• ESG perde uniformidade global;
• países e blocos adotam critérios próprios;
• cresce o risco de greenwashing regulatório e disputas comerciais.
Para empresas brasileiras do setor de energia como um todo (considerando toda a cadeia produtiva) ESG passa a ser:
• ferramenta de acesso a mercados,
• condição para financiamento,
• critério para integração em cadeias globais.
Recomendação prática:
Migrar de ESG declaratório para ESG operacional, com:
• rastreabilidade,
• indicadores auditáveis,
• gestão ativa de riscos socioambientais,
• governança sólida da cadeia de fornecedores;
• transparência a partir da publicação de relatórios de sustentabilidade com base em normas reconhecidas.
4 América Latina sob pressão geopolítica
A chamada “Doutrina Donroe” indica maior intervenção dos EUA na América Latina.
Para o Brasil:
• pressão por alinhamento político: menos ideologia e mais inteligência e estratégia comercial;
• disputas por recursos estratégicos (energia, minerais, biodiversidade);
• risco de sanções indiretas via cadeias de suprimentos.
Oportunidade brasileira:
Posicionar-se como:
• fornecedor confiável de energia,
• país com governança regulatória estável,
• polo de investimento sustentável;
• Liderar o Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.
Isso exige instituições fortes (ANP, Ibama, BNDES, CVM), marcos regulatórios previsíveis e adoção das melhores práticas em governança.
De outro lado, o risco de instabilidade política é crescente na América Latina, em face da querela EUA e Venezuela (ainda não tratada no relatório) e eleições para Presidente da República e Congresso no Brasil com elevada polarização, causando insegurança econômica, fiscal e jurídica.
5 Risco institucional global e lições para governança corporativa
A mensagem central do relatório é clara: O maior risco não é o conflito direto, mas o enfraquecimento das instituições que evitam conflitos.
Reflexo para empresas brasileiras:
• Governança corporativa passa a ser ativo estratégico
Atenção: Governança forte = resiliência em 2026.
Quadro síntese para o Brasil
|
Tema |
Risco |
Oportunidade |
|
ESG |
Fragmentação global |
Diferencial competitivo |
|
Energia |
Pressão por eletrificação rápida |
Papel estratégico do óleo & gás |
|
Geopolítica |
Instabilidade EUA/Europa |
Neutralidade ativa brasileira |
|
Governança |
Enfraquecimento institucional global |
Empresas com compliance forte ganham valor |
Conclusão
Empresas que:
• operarem com responsabilidade,
• investirem em governança,
• tratarem ESG como gestão de risco,
• e alinharem energia, desenvolvimento e inclusão social estarão mais bem posicionadas para navegar um cenário global mais instável, porém cheio de oportunidades estratégicas.
O setor de petróleo & gás brasileiro tem uma grande oportunidade de desenvolvimento e crescimento, em face da exploração da Margem Equatorial e das Bacias de Caxias, Campos e Santos, com recentes novas descobertas. No entanto, o setor precisa evidenciar (e comunicar) uma robusta e importante agenda de gestão de riscos ESG e também com ações compensatórias, em face das críticas e do forte discurso de transição energética justa.
Sobre o autor: Augusto Cruz, advogado, escritor, professor, mestre em Direito, Governança e Políticas Públicas, sócio da AC Consultoria, consultor do Polo SEBRAE Onshore de petróleo e gás natural. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gugacruz/
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