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Uma revisão estratégica para a indústria química no Brasil, por Isaac Plachta


25/05/2020 13:52
Uma revisão estratégica para a indústria química no Brasil, por Isaac Plachta Imagem: Divulgação Visualizações: 1774

Passada a pandemia, a economia mundial enfrentará uma depressão jamais vista. Não sabemos ainda a extensão dos impactos e o comportamento que virá a partir da reabertura das economias.

Mesmo as atividades diretamente mais afetadas do varejo local, que costumam se recuperar com mais rapidez, podem levar mais tempo para retornarem a patamares pré-corona. Enquanto isso, outros setores expostos a concorrências mais agressivas, até mesmo internacionais, que por natureza de suas características já costumam levar mais tempo para reagirem, vão demandar mais esforços para a retomada.

A indústria química não é intensiva em mão-de-obra e, no Brasil, há muito tempo, não desenvolve seu potencial de maneira satisfatória. Seu déficit comercial no final de 2019 chegou a 32 bilhões de dólares. Algo em torno de 70% desse déficit é referente ao custo de importação de fertilizantes nitrogenados, produtos essenciais para um carro-chefe da economia brasileira: o Agronegócio.

A ABIQUIM em boa hora, trabalha junto ao Ministério da Defesa com o propósito de identificar cadeias produtivas estratégicas que devem ser articuladas por uma política de Segurança Nacional. A meta é garantir que cadeias produtivas originárias do gás natural como matéria-prima básica, sejam viabilizadas no território nacional, para garantir o abastecimento e a redução da dependência externa.

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O gás natural é insumo para fabricação de farmacêuticos, fertilizantes e defensivos agrícolas, todos essenciais para a competitividade do agronegócio nacional. Transformar o gás nestes produtos é, também, um caminho oportuno para sua monetização, agregando valor e criando riqueza para os brasileiros.

Esta visão estratégica, encabeçada pela ABIQUIM, que o SIQUIRJ apoia e ressalta, resultará em projetos estruturantes para o desenvolvimento econômico fluminense e nacional. A pandemia, que chegou como uma crise sanitária, expôs as fragilidades da economia mundial, e para a indústria química, medidas de médio e de longo prazos, com foco na modernização e aumento da competitividade do setor, passam pelo aproveitamento do gás natural para serem bem-sucedidas.

Hoje, infelizmente o Brasil convive com a triste realidade de importar gás, ao mesmo tempo em que injeta de volta nos reservatórios volumes gigantescos do recurso energético. De acordo com análise da FIRJAN, sozinho, o estado do Rio de Janeiro reinjetou, em 2019, mais do que o Brasil importou no mesmo ano. E mais, com base em projeções conservadoras de mercado, estima-se que no fim da década, o país permanecerá importando gás e reinjetando um volume superior a 25% da sua produção.

Com tamanha disponibilidade de gás, é espontânea que sua transformação em energia elétrica, através de uma planta termoelétrica, seja a primeira opção para estimular rapidamente o desenvolvimento regional, criando empregos e distribuindo renda, com reflexos na economia nacional.

Mas, no médio e longo prazos, além dos projetos estratégicos sugeridos, o Brasil, e particularmente o estado do Rio de Janeiro, pode utilizar o gás do pré-sal para alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento, agregando valor ao gás, via projetos da indústria química.

A indústria petroquímica é um dos eixos de transmissão do desenvolvimento do mercado de petróleo e gás para o restante da economia. Os produtos oriundos da petroquímica, fabricados a partir do gás, permeiam por quase todas as atividades da economia moderna. E a petroquímica utiliza como matéria-prima uma pequena fração do gás – cerca de 15% dos produtos que vem misturados com o gás extraído; e que são queimados nas termoelétricas, ou são reinjetados nos poços de petróleo, ou ainda, queimados nos motores de combustão dos automóveis.

No mundo, grandes produtores de petróleo estão verticalizando, integrando a petroquímica para ampliar a base de sustentação econômica de suas operações, pois compreendem que o valor dos produtos petroquímicos nos momentos de crise geopolíticas são menos sujeitos a flutuação de preços.

A Firjan e o SIQUIRJ, sempre atentos às oportunidades de ampliação da indústria fluminense, apontam que, devido à abundância de gás natural no estado do Rio de Janeiro, não se pode deixar de elaborar estudos de viabilidade de um projeto de fertilizantes nitrogenados e de um complexo petroquímico no nosso Estado.

A área do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj, por exemplo, já foi aventada como local estratégico para tais estudos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. A área se conecta com o pré-sal, além de já estar em estágios avançados de licenças ambientais para construção de projetos.

Esse projeto de polo petroquímico, de acordo com avaliações do BNDES, resultaria em arrecadação adicional entre 1 e 1,3 bilhão de dólares em imposto de renda de pessoa jurídica; impacto positivo entre 5,5 e 6,5 bilhões de dólares no PIB brasileiro; e geração de 11 a 13 mil empregos diretos e indiretos.

São ideias como essa, com visão de longo prazo, sustentáveis e que consolidarão o desenvolvimento socioeconômico fluminense, que precisam ser debatidas, estruturadas e colocadas em práticas. Decidir qual futuro queremos cunhar para o nosso estado. Alcançar a diversidade econômica, que aumenta nossa imunidade a crises futuras, ou a dependência passiva que nos joga na lona?

Sobre o autor: Isaac Plachta é presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos Para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da Firjan

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