Opinião

A indústria do petróleo nunca mais será a mesma

CBN/ Miriam Leitão
16/06/2010 15:17
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Acho que esperavam medidas mais concretas do presidente Obama para reduzir a dependência ao petróleo. Mas quando você olha o discurso, há vários pontos positivos, como a mudança de regulador. Foi nomeado um procurador federal para ser o novo presidente da agência. Ele disse que a regulação será toda mudada, acabando com aquela ideia de hostilidade em relação à regulação. Como se fosse uma coisa que atrapalhasse. Aqui no Brasil, a gente tem muito isso. Cada vez que o Ibama levanta algo, por exemplo, acham que ele é culpado.


Outra coisa que se estabeleceu foi a necessidade de criação de um fundo por parte da BP para se colocar o dinheiro necessário para cobrir todos os danos. Nos últimos dias, os advogados da Casa Branca tem se reunido com os da BP para estabelecer um valor. Até agora, chegaram em US$ 20 bilhões, mas o mercado diz que talvez US$ 60 bilhões sejam o mínimo para cobrir os custos da limpeza da área.


Ele colocou isso de uma forma dramática: a situação que está é a perda, para sempre, da maneira de viver daquelas pessoas que sempre viveram do mar, do turismo, porque vai demorar anos para se recuperar o meio ambiente afetado. Li no "The New York Times" que a expectativa de vazamento é de 60 mil barris por dia. Ele vai criar também uma comissão nacional para descubrir as causas.


O que o Obama falou ontem também é que nunca se explorou petróleo tão fundo. Aqui, é mais ainda. Isso, segundo ele, testou o limite da tecnologia desenvolvida até agora. Nós, estamos aqui deitados em berço esplêndido, achando que não tem a ver conosco, mas tem.


Na semana passada, os senadores incluíram na última hora uma parte do dinheiro para fazer um seguro contra desastres. O governo apresentou essa proposta, mas não tinha incluído um dinheiro qualquer para seguro, como se risco não existisse numa atividade como essa. Principalmente no pré-sal, que é uma fronteira que a humanidade ainda não chegou. E se ainda não chegou, não sabe o que vai acontecer e como se preparar para isso.


A indústria do petróleo, a partir desse acidente no Golfo do México, nunca mais será a mesma. Terá de se reinventar, investir muito mais em segurança, dar mais garantias às populações em geral. A BP, neste momento, já perdeu 48% do seu valor de mercado e há dúvidas se ela vai sobreviver.
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