Equipamentos

ABB busca crescimento com aquisições

Valor Econômico
12/07/2005 00:00
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 A suíça ABB, uma das maiores fabricantes mundiais de equipamentos de energia e de automação industrial, deverá recorrer a aquisições ao redor do mundo para acelerar o ritmo de seu crescimento nos próximos anos. De acordo com Fred Kindle, presidente mundial da companhia, em entrevista exclusiva ao Valor, compras de cerca de US$ 100 milhões podem ser feitas imediatamente, com o caixa da empresa, desde que o negócio esteja em linha com as áreas de atuação da empresa.
"Aquisições mais vultosas, que custem a partir de US$ 700 milhões, devem ser discutidas com mais cautela, principalmente neste período delicado da economia mundial", afirmou Kindle, que esteve semana passada no Brasil para visitar as instalações locais e alguns dos principais clientes da empresa. O executivo não descarta a hipótese de fazer alguma aquisição no Brasil. Entretanto, não quis adiantar quais são os segmentos em que a empresa tem mais interesse.
Kindle assumiu oficialmente o comando da ABB em janeiro deste ano, apesar de ter sido indicado para o cargo em setembro de 2004. Tem como objetivo manter o crescimento sustentável dos negócios nos próximos anos, em percentuais que se aproximem (ou cheguem) aos dois dígitos. Para isso, espera contar com o crescimento da economia mundial, e a conquista de novos mercados, além de reforçar sua atuação na área de serviços, que corresponde por cerca de 20% do faturamento atual.
O executivo tem ainda que orquestrar um investimento para este ano de cerca de US$ 900 milhões com pesquisa e desenvolvimento. Cenário bem diferente do vivido pelo grupo há cerca de três anos.
Na época, as ações despencaram e a empresa quase foi à falência por conta das ações milionárias movidas na justiça americana por ex-funcionários que alegavam contaminação por amianto. Além disso, a empresa atuava em diversos ramos, o que tornava a empresa sem foco.
Hoje, a empresa promove ajustes no em seu longo processo de reestruturação. Prevê a demissão de cerca de 1,3 mil funcionários neste ano principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Assim como grandes multinacionais, a empresa tem buscado fincar instalações em países de maior potencial de crescimento e com custos de produção e de matérias-primas mais baratos, afirmou Kindle. Hoje a empresa possui mais de 100 mil funcionários, distribuídos em mais de 100 países.
Recentemente, a empresa inaugurou em Blumenau (SC) uma unidade de produção de equipamentos de energia, ao valor de US$ 19 milhões. A fábrica, que vai atender o mercado interno e as exportações, substitui uma unidade fabril fechada nos EUA.
Os resultados da reestruturação são visíveis. No ano passado, as encomendas mundiais da empresa somaram US$ 21,68 bilhões, 10% superiores em comparação a 2003. A reorganização das operações mundiais e o aquecimento dos negócios ampliaram o lucro em 204%, para US$ 1,08 bilhão. Os mercados de maior alta foram a Índia e China, cujo volume de pedidos subiu 45% no período.
Já no primeiro trimestre, as encomendas atingiram US$ 6,26 bilhões, 8% superior em comparação ao mesmo período de 2004. As divisões carro-chefe da empresa tiveram um desempenho 16% melhor em relação ao ano anterior, com pedidos que somam US$ 6 bilhões. Os países asiáticos e a América Latina foram as regiões que apresentaram o maior crescimento.
"A China tem condições de registrar crescimento de dois dígitos nos próximos quatro a cinco anos", disse Dinesh Paliwall, responsável pela divisão mundial de automação e presidente das operações nos EUA. Automação das áreas de petróleo e gás, do setor automotivo, papel e celulose e da cadeia mínero-metalúrgica seguem como os principais mercados para a companhia.
De acordo com os executivos da ABB, a América Latina (capitaneada por Brasil, México e Argentina) continua sendo um dos mercados de maior potencial de crescimento nos próximos anos. A região divide as atenções com a China e a Índia, que deverão realizar pesados investimentos em infra-estrutura nos próximos anos.
Nem a valorização do real sobre o dólar preocupa a empresa. "Os investimentos são feitos a longo prazo e as decisões não podem ser tomadas a partir de uma situação cambial de curto prazo, até porque essas obras têm um prazo longo de maturação", afirmou Kindle. A recente crise política no país parece abalar os negócios. "A economia brasileira está se movendo; e estamos acostumados a enfrentar esse tipo de problema ao redor do mundo", disse Paliwall.
No ano passado, as operações brasileiras tiveram receitas de R$ 952 milhões, uma alta de 14% em comparação com 2003. Para este ano, a expectativa é de crescimento entre 10% a 15%, o que elevaria a receita do grupo no país para R$ 1 bilhão. Na semana passada, a empresa fechou um contrato de R$ 3,5 milhões para automatizar a usina hidrelétrica de Juquiá, pertencente à Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Há cerca de três meses a subsidiária brasileira vem sendo comandada por Sérgio Gomes, o primeiro brasileiro a assumir o cargo.

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