Abdib defende criação de novos mecanismos de financiamento para o setor elétrico
Presidente da entidade estima que seriam necessários cerca de R$ 11 bilhões por ano para garantir a expansão da geração e transmissão. Uma das sugestões
é a criação de programa específico do BNDES, que poderia desembolsar entre R$ 7,5 a R$ 8 bilhões por ano.
Agência CanalEnergi
04/02/2005 00:00
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O presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base, Paulo Godoy, voltou a defender a criação de alternativas de financiamento para atrair novos investimentos para o setor elétrico. O executivo conta que existe uma perspectiva muito grande do mercado em torno do resultado do leilão de energia nova, previsto para junho, mas isso é apenas uma parte do negócio. Para ele, a questão da financiabilidade dessas novas concessões também é preocupante. Recentemente, a Abdib se reuniu com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir perspectivas e a possibilidade de a instituição financiar os empreendimentos que serão concedidos pelo governo nos setores de geração e transmissão. A ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, também já procurou o banco para costurar sua participação no financiamento da construção das novas concessões que serão leiloadas em junho. "Hoje, não existe um programa de apoio específico do BNDES para atrair novos investimentos. O governo não tem recursos para investir no setor e a entrada do capital privado precisa ser estimulada", observa. Segundo Godoy, para garantir a expansão da área de geração e transmissão, seriam necessários cerca de R$ 11 bilhões por ano em investimentos. Dependendo do nível de alavancagem do empreendimento, o BNDES poderia desembolsar entre R$ 7,5 bilhões a R$ 8 bilhões por ano. O executivo defende ainda a criação de outras formas de financiamento para o setor. Uma saída, explica ele, seria o estabelecimento de um fundo similar ao que foi desenvolvido para atender ao Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. O investidor compraria cotas desse fundo, que, por sua vez, selecionaria os empreendimentos que tivessem melhor rentabilidade para aplicar os recursos. Após a maturação desses projetos, conta, seriam vendidas as participações. "Para isso, é preciso ter um marco regulatório definido e os empreendimentos precisam ter uma rentabilidade adequada, com uma taxa acima do índice de renda fixa, por exemplo", justifica Godoy. Para ele, o modelo desenvolvido pelo governo já permite que esse tipo de mecanismo seja implementado, o que falta é a criação de medidas que estimulem esse tipo de modalidade. "Mesmo que a entrada de novos investimentos esteja condicionada ao leilão de energia nova, a criação de novos mecanismos de financiamento é fundamental para atrair capital privado", completa.
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