Porto de Santos

Acesso precário a terminais dificulta expansão de porto

A expansão do porto de Santos tem caminhado a passos largos, mas pode esbarrar em um nó logístico de acesso aos terminais. Segundo estimativas do governo federal, o movimento de cargas no porto deve quase triplicar em 15 anos e São Paulo não possui suficiente infraestrutura de transporte para recebe

Valor Econômico
18/11/2009 07:00
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A expansão do porto de Santos tem caminhado a passos largos, mas pode esbarrar em um nó logístico de acesso aos terminais. Segundo estimativas do governo federal, o movimento de cargas no porto deve quase triplicar em 15 anos e São Paulo não possui suficiente infraestrutura de transporte para receber esse crescimento. "Há um gargalo monumental no acesso ao porto. Se não forem tomadas providências, teremos um grande problema", diz Pedro Britto, ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, presente ontem em evento na Fiesp. O problema é considerado tão sério que levou o governo federal a falar já em investimento no tramo sul do Ferroanel em 2010, até o momento mantido fora dos planos da União. "O interesse do governo é começar as obras já no próximo ano, principalmente do tramo sul, juntamente com o governo do Estado", diz Britto. O trecho norte da ferrovia, com 66 km e R$ 1,1 bilhão de investimentos, é a única parte do Ferroanel que consta no PAC, mas o projeto está travado por discussões relacionadas à contrapartida da União à concessionária MRS. Para o secretário paulista de Transportes, Mauro Arce, porém, não é possível falar em construção do Ferroanel em 2010. "Em termos de definição é possível, de construção, não." Segundo ele, foi perdida uma grande oportunidade de construir o tramo sul da ferrovia junto com o trecho sul do Rodoanel. "Estamos empenhados, fizemos estudos, apresentamos e estamos dialogando. Tem que fazer o quanto antes." Segundo ele, o Estado pode arcar com um terço do investimento, estimado em R$ 700 milhões. Segundo o ministro, outras obras de acesso a Santos estão sendo mapeadas pelo governo federal e devem compor o segundo pacote de obras do PAC, a ser publicado no fim de 2010. "O porto de Santos está num processo de expansão muito rápido, vamos passar de 90 milhões de toneladas transportadas para 232 milhões até 2024", diz Britto. Desse total, 85% chegam ao porto de caminhão. Segundo o ministro, mesmo se houvesse redução do transporte por rodovia, em 2024, para 50% da carga movimentada em Santos, isso chegaria a cerca de 100 milhões de toneladas, algo insustentável considerando a infraestrutura rodoviária atual. "Esse é o maior desafio para o governo do Estado, da Baixada Santista e para o governo federal." Segundo Britto, é esperada para amanhã a liberação da licença ambiental para a obra de dragagem do porto, que elevará a profundidade de 13 metros para 15 metros. "Mesmo considerando a possibilidade de atraso, a obra será concluída até o fim de 2010", diz. A obra deixa o porto de Santos com capacidade para ser centro de distribuição. Em 2010, deve ser concluído um projeto para aumentar a profundidade em mais dois metros. Para Arce, os investimentos no acesso ao porto têm que ser focados em ferrovias. "A expansão do porto de Santos será extremamente complicada se não houver aumento significativo da carga transportada pelas ferrovias", diz. Segundo ele, 15% das cargas direcionadas a Santos são transportadas hoje por via férrea, percentual que deveria chegar ao menos a 40%. As obras planejadas pelo governo estadual, porém, são rodoviárias, como a reforma do trevo da Anchieta na chegada à Cubatão, as marginais da Anchieta e a ponte de ligação das duas margens do porto. "As obras estão programadas, estamos verificando como vamos fazer, se via concessionária ou diretamente pelo Estado." Por dificuldades ambientais, o governo já descartou realizar concessões de rodovias no litoral até o fim do atual mandato. A construção do trecho sul do Rodoanel, que está em andamento, deve ser finalizada em março do ano que vem. Segundo o secretário, o acidente ocorrido sexta-feira não deve atrasar a entrega da obra. O governo não não sabe o que provocou o acidente. "Ainda é prematuro para falar sobre as causas, mas esperamos que o resultado saia o mais rápido possível. Estamos trabalhando", diz.
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