Exportações

Acordo Brasil e EUA pode ampliar para 10% participação no mercado agro mundial

Redação/Agência Brasil
02/08/2016 13:07
Acordo Brasil e EUA pode ampliar para 10% participação no mercado agro mundial Imagem: Divulgação Visualizações: 1373

Ao assinar acordo para exportação de carne bovina in natura para os Estados Unidos, o Brasil terá acesso a outros mercados, além do norte-americano, uma vez que o critério para a abertura desses mercados é a aceitação do produto brasileiro pelas autoridades sanitárias dos EUA. Segundo o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, esta será uma das medidas que fará o Brasil cumprir a expectativa de ampliar sua participação nos próximos anos dos atuais 7% para 10% do mercado do agropecuário mundial.

Durante a cerimônia de troca de cartas de equivalência entre Brasil e Estados Unidos, Maggi lembrou que este acordo é algo que vem sendo trabalhado há vários anos pelas autoridades dos dois países. "O que fazemos hoje é o reconhecimento de que o estado sanitário dos dois países são iguais e se complementam. Isso faz com que o Brasil seja reconhecido não só pelos Estados Unidos; boa parte do mercado internacional se abre nesse momento", afirmou o ministro.

"Tenho percebido que vamos crescer muito no setor agro, para sair de 7% da participação no comercio mundial para 10% nos próximos anos. Não é tarefa fácil, mas também não é impossível. Estamos mexendo internamente no ministério porque, se queremos produtos de qualidade, temos de produzir, fiscalizar e deixar que a iniciativa privada faça o seu trabalho", acrescentou.

De acordo com o ministro, o papel da diplomacia foi relevante para que se chegasse a esse acordo. "Sou produtor rural, sei produzir e sei fazer volume e comércio. Mas sem uma diplomacia para [ajudar a] vender a outros países, nada disso adiantaria."

Apesar da previsão inicial do ministério de os primeiros embarques começarem somente daqui 90 dias, Blairo Maggi afirmou que, conforme as "últimas informações", os trâmites e trânsitos já estão liberados "quase que de imediato".

Medidas "anti-burocráticas"

Ainda segundo Maggi, sua pasta tem atuado no sentido de desburocratizar regras no setor agropecuário e, nos próximos dias, disse ele, serão anunciadas revisões de cerca de 300 medidas burocráticas para tirar "dinheiro da mão da ineficiência e trazer para a mão da eficiência". "Todos os ministros precisam entender que o servidor público é importante quando diz sim, apesar de muitos acharem que são importantes quando dizem não", acrescentou.

De acordo com o ministro, após levantar dados com diferentes entidades, a pasta pretende extinguir algumas medidas e atualizar outras, que, por exemplo, vigoram desde a década de 1960. "Espero que no máximo em 20, 30 dias a gente possa apresentar isso à sociedade", previu.

Entre as medidas em estudo está a de facilitar a entrada de sementes de milho no mercado brasileiro, algo que, segundo uma empresa do setor informou o ministro, era prejudicado pela demora na autorização de entrada por meio dos portos brasileiros. Ao conversar com um representante dessa empresa e manifestar o interesse do governo em rever as normas para a entrada desse produto, Maggi foi informado de que, caso não perca tanto tempo nos portos, a empresa ampliará de 15 mil toneladas para 50 mil toneladas o comércio dessas sementes com o Brasil.

"Há também medidas voltadas a frigoríficos, alimentos e também questões relativas aos rótulos dos produtos. Demoram-se meses para aprovar os rótulos, quando há estudos que mostram que o ministério tem de se preocupar é com os dados de garantia que ali estão", disse.

Também presente na cerimônia de assinatura do acordo, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse não ter dúvida da qualidade dos produtos do campo brasileiros. "Nossa carne bovina é a principal exportadora, com 20% do mercado mundial. Exportamos 1,4 bilhões de toneladas a cada ano, o que equivale a US$ 6 bilhões. Há a possibilidade de um acréscimo de mais US$ 900 milhões nas nossas receitas, porque [com essa assinatura] vamos além do mercado norte-americano", disse.

"Além disso temos uma agricultura que tende a assimilar um comportamento sustentável. Temos de vender essa imagem. Mostrar que temos a agricultura que mais preserva recursos naturais", afirmou.

 

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