Preços

Acordo Opep-Rússia enfrenta último obstáculo: saber como parar

Bloomberg, 29/11/2017
29/11/2017 17:26
Visualizações: 935

A Opep e a Rússia concordam em duas coisas: os cortes na produção de petróleo de ambos funcionam e devem ser prolongados até mais adiante no ano que vem. O mais complicado é fechar um acordo a respeito de quando e como acabar com a redução.

Às vésperas da reunião de ministros em Viena, esta pergunta não respondida é a principal razão pela qual a Rússia ainda não concordou formalmente com a renovação do acordo até o fim do ano que vem, segundo pessoas a par do assunto. Moscou quer clareza em relação ao futuro - algo que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo não costuma oferecer.

"Conversaremos a respeito", disse o ministro do Petróleo do Kuwait, Issam Almarzooq, na terça-feira, quando indagado se seria discutida uma estratégia de saída nesta semana.

Em cortes anteriores da Opep, a estratégia de saída muitas vezes ficou em segundo plano. Quando o grupo quer o término de um acordo, simplesmente começa a trapacear em seus próprios cortes, aumentando a produção de forma lenta e muitas vezes sigilosa. O acordo atual envolve dez países não membros, entre eles a Rússia, que prefeririam um roteiro claro dos hábitos obscuros de um cartel de 57 anos.

"Sempre há debate - todos os países têm o mesmo peso na hora de expressar pontos de vista", disse o ministro de Energia saudita, Khalid Al-Falih, em Dubai, na terça-feira, antes de viajar para Viena. "Estamos ansiosos para envolver todos em uma discussão robusta e chegaremos à decisão certa."

A dúvida sobre como encerrar uma longa intervenção no mercado é um dilema familiar para os bancos centrais, que têm dificuldades para evitar perturbações para os investidores quando estudam formas de acabar com anos de dinheiro barato. O chamado taper tantrum adotado depois de o Federal Reserve, o banco central dos EUA, sugerir que reduziria gradualmente as aquisições de títulos, em 2013, é um poderoso lembrete das possíveis dificuldades de encerrar os cortes da Opep.

Interesses comuns

As divergências entre a Opep e a Rússia são mais táticas do que estratégicas, porque todos os países produtores querem evitar estimular a volatilidade dos preços, segundo delegados e analistas.

Assim como a Rússia, "a Arábia Saudita não quer tornar o mercado excessivamente apertado", disse Bob McNally, fundador da consultoria Rapidan Energy Group e ex-alto assessor da Casa Branca para o petróleo. E o reino também não quer sinalizar uma saída antes de terminar o trabalho, disse ele.

O excedente de estoques de petróleo nos países industrializados, que pressiona os preços há três anos, ainda não foi eliminado. O excesso de oferta em relação à média de cinco anos caiu em mais da metade de janeiro para cá, mas ainda é de 140 milhões de barris, disse o secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, na segunda-feira.

No caso da Opep, uma estratégia de saída tão obscura quanto possível permite uma flexibilidade maior no ano que vem. Existe uma divergência significativa nas projeções de oferta e demanda para 2018, considerando que a Agência Internacional de Energia prevê uma demanda 1 milhão de barris por dia menor por petróleo da Opep do que a análise do cartel. A divergência se dá tanto na força do crescimento da demanda quanto na velocidade da expansão da produção de xisto dos EUA.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Porto do Açu bate recorde histórico em movimentações
13/03/26
Meio Ambiente
Após COP30, IBP promove encontro para debater agenda cli...
13/03/26
QAV
Aprovada resolução que revisa as regras voltadas à quali...
13/03/26
Biocombustíveis
ANP participará de projeto de pesquisa sobre aumento de ...
13/03/26
Resultado
Petrobras recolheu R$ 277,6 bilhões de Tributos e Partic...
13/03/26
Internacional
Diesel S10 sobe 16,43% em 12 dias, mostra levantamento d...
13/03/26
Pré-Sal
Shell conclui assinatura de contratos de alienação que a...
12/03/26
Energia Elétrica
Geração distribuída atinge marco de 50 GW e se consolida...
12/03/26
FEPE
FEPE 2026: ação em movimento
11/03/26
Bacia de Santos
Lapa Sudoeste inicia produção, ampliando a capacidade no...
11/03/26
Pré-Sal
Primeiro óleo de Lapa Sudoeste consolida produção do pré...
11/03/26
Gás Natural
Gas Release pode atrair novos supridores e criar competi...
11/03/26
Resultado
PRIO registra receita de US$ 2,5 bilhões em 2025 com exp...
11/03/26
Bacia de Santos
Brasil: Início da Operação de Lapa Sudoeste
11/03/26
Pré-Sal
Seatrium impulsiona P-78 à injeção do primeiro gás após ...
11/03/26
PPSA
Assinatura de contratos de Mero e Atapu consolida result...
11/03/26
Empresas
Justiça suspende aumento de IRPJ e CSLL e decisão pode i...
10/03/26
Biodiesel
Setor de Combustíveis Defende Liberação da Importação de...
10/03/26
Macaé Energy
No Macaé Energy 2026, Firjan promove edição especial do ...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Dia da Mulher: elas contribuem para avanços no setor ene...
09/03/26
FEPE
PRECISAMOS DE P&D DE LONGO PRAZO - Entrevista com Isabel...
09/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23