Internacional

Agenda de sustentabilidade dos portos brasileiros ganha destaque com acordo Mercosul–União Europeia

Iniciativas do Ministério de Portos e Aeroportos voltadas à descarbonização, transição energética e modernização da infraestrutura dialogam com exigências ambientais presentes no comércio internacional.

Redação TN Petróleo/Assessoria MPor
12/06/2026 09:29
Agenda de sustentabilidade dos portos brasileiros ganha destaque com acordo Mercosul–União Europeia Imagem: Divulgação MPor Visualizações: 2251

O acordo entre Mercosul e União Europeia deve ampliar não só oportunidades comerciais entre os dois blocos, mas também a importância de práticas sustentáveis ao longo das cadeias logísticas responsáveis pela movimentação das mercadorias. O pacto entre os blocos estabelece compromissos relacionados à proteção ambiental, ao enfrentamento das mudanças climáticas e à promoção do desenvolvimento sustentável.

Em paralelo, a União Europeia vem ampliando exigências ambientais que afetam diretamente o comércio internacional e o transporte marítimo. Entre elas estão metas progressivas de redução das emissões de carbono dos navios, a expansão do uso de energia elétrica para embarcações atracadas nos portos, a inclusão do setor marítimo em mecanismos de precificação de carbono e requisitos de rastreabilidade ambiental para determinadas cadeias produtivas.
 

Nesse contexto, a agenda de sustentabilidade desenvolvida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) ganha relevância estratégica ao dialogar com exigências ambientais cada vez mais presentes no mercado europeu.
 

Para o ministro Tomé Franca, a pauta deixou de ser apenas uma agenda ambiental e passou a representar um fator de competitividade. "A transição para uma logística mais sustentável é um movimento global e os portos brasileiros precisam estar preparados para esse cenário. Investir em eficiência energética, inovação e redução de emissões fortalece nossa infraestrutura e amplia a capacidade do país de atender às demandas do comércio internacional", afirmou.
 

Transição energética e descarbonização

Nos últimos anos, o MPor estruturou uma série de iniciativas voltadas à redução das emissões e à modernização sustentável da infraestrutura portuária brasileira. Uma delas é a Política de Sustentabilidade, instituída em 2025, com diretrizes que visam reduzir a emissão de gases de efeito estufa, promover a transição energética e a resiliência climática nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.
 

Como parte dessa política, o MPor criou o Pacto pela Sustentabilidade, iniciativa que busca incorporar o tema à infraestrutura de transportes do país. As empresas que aderem e comprovam ações voltadas à sustentabilidade, governança e responsabilidade social recebem selos oficiais, além de incentivos como prioridade na análise de projetos, acompanhamento de processos de licenciamento ambiental e reconhecimento institucional.
 

A agenda também contempla ações previstas no planejamento portuário nacional, como incentivo à eletrificação de equipamentos, adoção de fontes renováveis de energia, gestão de emissões e incorporação de critérios ESG em projetos e concessões portuárias.
 

Essas iniciativas dialogam com movimentos em curso na Europa, onde regulamentos recentes estabelecem metas progressivas de redução das emissões associadas ao transporte marítimo e incentivam o uso de combustíveis de menor intensidade de carbono.
 

Corredores verdes

Outro eixo da agenda brasileira envolve a construção dos chamados 'corredores marítimos sustentáveis', conceito que busca integrar infraestrutura, energia limpa e soluções tecnológicas para reduzir a pegada ambiental do transporte marítimo.
 

O tema tem ganhado espaço nas discussões internacionais sobre logística sustentável e foi incorporado às iniciativas apresentadas pelo Brasil em fóruns internacionais, como G20, BRICS e COP30, em favor de uma logística mais sustentável.

Como parte desse esforço, Brasil, Noruega e Países Baixos vêm avançando na construção de um corredor marítimo descarbonizado entre a América do Sul e a Europa. Desde a assinatura de um memorando de entendimento em 2025, equipes técnicas dos países participantes realizam estudos de viabilidade e discutem possíveis rotas para a iniciativa.
 

Iniciativas por todo o país

Em diferentes regiões do país, portos brasileiros já vêm implementando iniciativas alinhadas a essa agenda de transição energética e redução de emissões.

No Nordeste, o Complexo Industrial Portuário de Suape (PE) passa a abrigar o primeiro terminal de contêineres 100% elétrico da América Latina. O empreendimento, que recebeu mais de R$ 2 bilhões em investimentos, reúne equipamentos elétricos, automação operacional e infraestrutura digital integrada, combinando a redução de emissões com um aumento de 55% na capacidade logística.

No Porto de Santos (SP), foi implantado o sistema Onshore Power Supply (OPS); tecnologia que fornece energia elétrica a embarcações atracadas diretamente a partir da rede em terra, reduzindo o consumo de diesel durante as operações portuárias. Desde 2024, a energia fornecida pela Usina Hidrelétrica de Itatinga contribui para reduzir o consumo de diesel e as emissões associadas às operações portuárias.

Em Paranaguá (PR), investimentos em logística ferroviária e geração de energia solar reforçam a busca por maior eficiência operacional com menor impacto ambiental. A obra do Moegão, em fase final de implantação, ampliará a capacidade de movimentação ferroviária do porto, enquanto sistemas fotovoltaicos instalados em terminais ajudam a reduzir emissões.

No Ceará, o Complexo do Pecém avança na consolidação de um hub de hidrogênio verde e no desenvolvimento de projetos voltados à produção de amônia verde, buscando posicionar o estado como um dos principais polos da nova economia energética global.

No Porto do Açu (RJ), iniciativas voltadas à criação de um corredor verde para combustíveis de baixo carbono e ao desenvolvimento de projetos relacionados ao hidrogênio e à descarbonização industrial reforçam o papel dos portos na transição energética brasileira.

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