Energia Eólica

Alemães buscam parceria

Valor Econômico
31/08/2009 03:45
Visualizações: 1460

O Brasil pode aproveitar a experiência tecnológica acumulada pela Alemanha para encurtar etapas no desenvolvimento da geração de energia a partir dos ventos. Os alemães estão entre os líderes mundiais em termos de capacidade eólica instalada. Na visão de executivos e de consultores, há espaço para que a vivência dos alemães no setor seja assimilada pelo Brasil via cooperação pública e empresarial.

 

A troca de experiências entre os dois países na área de energia eólica é um dos temas de discussão no Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2009, que começa hoje em Vitória (ES). O evento será aberto pelo ministro alemão da Economia e Tecnologia, Karl-Theodor zu Guttenberg. Ao todo 1.140 participantes se inscreveram para o encontro, sendo 967 brasileiros e 173 alemães.

 

Um painel do evento vai discutir as perspectivas para o mercado de petróleo e gás e energia renovável. Uma das ideias é que Brasil e Alemanha podem compartilhar tecnologias para a utilização eficiente da energia.

 

O consultor Ingo Ploger acredita que o Brasil pode aproveitar a experiência alemã em geração eólica. "Há muito interesse nessa área", disse Ploger. Ele afirmou que a Alemanha, que foi um grande investidor no Brasil nas décadas de 60 e 70, passou um período afastado do país, inclusive nas privatizações dos anos 90. Mas nos últimos anos as empresas alemãs voltaram a investir nas áreas industrial, de serviços e de infraestrutura, incluindo o setor de geração de energia.

 

Ploger entende, porém, que é preciso assegurar uma política de longo prazo para o desenvolvimento da energia eólica no Brasil. A garantia de escala levaria os fabricantes de equipamentos para o setor a aumentarem os investimentos no país, diz Ploger. "Há um primeiro leilão de energia eólica marcado para novembro mas depois não se sabe quando virá o outro", afirmou.

 

O primeiro leilão de energia eólica do Brasil, marcado para 25 de novembro, atraiu um grande número de projetos. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cadastrou para o leilão 441 empreendimentos que somam capacidade instalada de 13.341 megawatts (MW). Os projetos que ofertarem os menores preços e forem contratados vão assinar contratos de compra e venda de energia por 20 anos a partir de 1º de julho de 2012. Após o leilão, dependendo dos resultados, poderá se estabelecer uma espécie de calendário prevendo novos certames, disse uma fonte. Hoje o Brasil tem em operação usinas eólicas com 547 MW de potência, o que representa apenas 0,52% da matriz energética brasileira.

 

Fernando Scapol, gerente-geral administrativo da Wobben-Enercon-Brasil, disse que o leilão de novembro pode representar um "passo enorme" para o desenvolvimento do setor no país. O ponto importante, segundo ele, é dar continuidade a esse trabalho com a realização de outros leilões. Scapol disse que falta a definição de uma política energética mais sólida para desenvolver a indústria eólica, incluindo fornecedores locais de bens e equipamentos.

 

"Até agora o país, apesar dos melhores ventos do mundo, constantes e sem turbulências, furações ou rajadas , não aproveita a melhor das características do nosso vento que é a complementaridade, ou seja, quando as águas baixam, no inverno, e as represas sofrem, o vento aumenta significativamente. Essa característica só é notada no Brasil, privilégio da natureza", disse Scapol. Segundo ele, a Wobben-Enercon desenvolveu cerca de 1,5 mil fornecedores no Brasil desde 1995.

 

A empresa possui duas fábricas: uma em Sorocaba (SP) e outra em Pecém (CE), nas quais produz aerogeradores completos. No total, a Wobben já instalou 16 usinas eólicas para diversos investidores no Brasil, uma na Argentina e tem duas em construção na Costa Rica e Antilhas Holandesas. Na Alemanha, a Enercon é controlada pela Herr Aloys Wobben e tem sede em Aurich, na Baixa Saxônia, próximo ao Mar do Norte. Scapol disse que uma maior cooperação entre Brasil e Alemanha passa pela "assimilação" das experiências acumuladas pelos alemães.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25