Mercado
Apesar do impacto da alta de reservas dos Estados Unidos tenha feito o petróleo cair mais de US$ 2, o cenário continua sendo de alta, movido pela aposta no crescimento da demanda futura de petróleo, avalia analista.
O medo da falta de petróleo, que tomou conta dos mercados internacionais, foi amenizado nesta quarta-feira (23/03), devido ao comunicado da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos, informando o aumento de 4,1 milhões de barris das reservas do país para 309,3 milhões de barris. O WTI chegou a ser negociado a menos de US$ 54.
Embora o comunicado semanal de reservas dos Estados Unidos tenha um impacto direto no mercado de petróleo no curto prazo, o analista do setor de petróleo do Unibanco, Cláudio Delbrueck, avalia que as recentes reduções de preço não garantem uma tendência de queda. Delbrueck não arrisca uma perspectiva para os preços no curto prazo, mas informa que o Unibanco trabalha com uma média de preço de US$ 46,35 para o Brent, em 2005.
Nesta quarta-feira, os contratos futuros em Nova York recuavam 2,38 dólares, a 53,70 dólares. Na terça-feira, os preços fecharam em queda de mais de 1,40 dólar. O petróleo tipo Brent perdia 1,74 dólar em Londres e era cotado a 52,85 dólares por barril.
Segundo Delbrueck, nem a promessa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de elevar a quota de produção afeta o comportamento do mercado no curto prazo. "Atualmente, a produção da Opep e dos países fora da Opep atende a necessidade mundial, o receio do mercado é em função da demanda futura", comenta.
Apesar da pressão do aumento das cotações recentemente, Delbrueck acredita que a Petrobras deverá manter os preços dos combustíveis e continuar com a estratégia de suavizar o impacto das oscilações de preços no mercado internacional. "Se for feita uma análise histórica comparando os preços internacionais com os preços praticados pela Petrobras internamente desde a flexibilização do mercado, haverá a constatação de que a empresa está com saldo positivo", acredita Delbrueck.
Em relação aos negócios na Bolívia, Delbrueck acredita que se houver o aumento de impostos como o anunciado é provável que a Petrobras reduza o volume de novos investimentos no país andino. "Mas a resolução do Senado boliviano ainda não foi tomada e é preciso esperar para ver o que vai acontecer", conclui.
Segundo da Reuters, a queda na cotação do barril de petróleo também pode ser atribuída à recuperação do dólar, que alcançou seu maior valor em relação ao euro em um mês.
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