Etanol

Análise Conjuntural Agromensal Junho/22 do CEPEA/ESALQ/USP

Redação TN Petróleo/Assessoria Cepea/Esalq
08/07/2022 07:50
Análise Conjuntural Agromensal Junho/22 do CEPEA/ESALQ/USP Imagem: Divulgação Visualizações: 1969

Em junho, as médias mensais dos Indicadores semanais CEPEA/ESALQ dos etanóis hidratado e do anidro caíram com certa força no estado de São Paulo. A pressão veio sobretudo do baixo volume de negócios ao longo do mês. Distribuidoras se mostraram cautelosas em fechar novas compras, tendo em vista as vendas desaquecidas de combustíveis e também do cenário que se desenhava com a possibilidade de mudança tributária do etanol e da gasolina, que se consolidou somente no final do mês. Após grande expectativa dos agentes do mercado, foi aprovada a Lei Complementar nº 194 (de 23 de junho de 2022), que passou a zerar a alíquota de PIS/Cofins desde o dia 24 de junho de 2022 dos etanóis hidratado e anidro combustíveis e outros fins. No mesmo dia, foi sancionado o Projeto de Lei que limita a 18% o ICMS sobre o diesel e a gasolina e outros produtos e serviços.

Com a Lei complementar em vigência, os agentes do mercado de etanol ficaram focados na realização de ajustes necessários no sistema de cada empresa. Vale informar que, embora essa mudança de alíquota de PIS/Cofins possa ter impacto no preço de mercado, ela não interfere na sistemática do cálculo dos Indicadores do Cepea, que são divulgados líquidos de tributos e já adaptados para alterações de alíquotas.

Dessa forma, as séries dos Indicadores, antes e após a mudança, são comparáveis, já que nenhuma alteração regulamentar foi feita. Assim, considerando-se as semanas cheias de junho, a média mensal do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 3,0419/litro, recuo de 8,34% frente à de maio.

No caso do anidro (considerando-se somente o mercado spot), a média das semanas cheias de junho do Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 3,5630/litro, queda de 8% em relação à do mês anterior. Na última semana (de 27 de junho a 1º de julho), especificamente, mesmo com a maior presença de compradores e com o consequente aquecimento no volume de etanol hidratado negociado entre distribuidoras e usinas, o preço do biocombustível caiu no estado de São Paulo.

Esse cenário se deve ao fato de algumas usinas terem elevado a oferta, devido à necessidade de "fazer caixa" para o início do mês de julho. Na ponta varejista, a relação entre os preços do etanol hidratado e da gasolina C nas bombas paulistas ficou em 66,5% em junho, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). As médias foram de R$ 6,843/litro para o combustível fóssil e de R$ 4,551/litro para o etanol -- levantamento mensal.

Nordeste
A primeira quinzena de junho foi marcada por chuvas intensas em algumas regiões de Pernambuco, que chegaram a danificar parte dos canaviais e também maquinários, contexto que trouxe prejuízos para parte das usinas. Com relação à comercialização de etanol, as ofertas estiveram escassas em junho, e apenas negócios pontuais e envolvendo volumes pequenos foram realizadas em Alagoas e Paraíba. Mesmo assim, os preços do hidratado recuaram em junho, acompanhando o comportamento registrado nos estados do Centro-Sul.

Em Alagoas, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ do hidratado em junho fechou em R$ 3,5851/litro, baixa de 5,5% frente ao de maio. Para o anidro, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ não foi calculado, já que o número de dados levantado pelo Cepea foi insuficiente para gerar a média. O Indicador mensal do hidratado CEPEA/ESALQ da Paraíba recuou 1,58%, a R$ 3,6591/litro em junho. Para o Indicador mensal do anidro, a média foi de R$ 4,1467/litro, alta de 1,96%.

Em Pernambuco, não foi possível calcular os Indicadores mensais CEPEA/ESALQ do hidratado e do anidro, uma vez que, com os estoques das usinas já comercializados, o número de dados levantado pelo Cepea foi insuficiente para gerar a média. Segundo informações publicadas pelo Sindaçucar-AL, as expectativas para a próxima safra são positivas, devido ao clima, que vem favorecendo o desenvolvimento dos canaviais de Alagoas.

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