Negócios

Análise: russos chegam ao petróleo brasileiro em ativos na Amazônia

Valor Online
31/10/2011 17:37
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Com um cacife de produção de quase 1,8 milhão de barris de petróleo ao dia, a companhia TNK-BP, que tem como controladores a gigante British Petroleum e a russa TNK, define sua entrada no Brasil ao arrematar por US$ 1 bilhão uma expressiva participação nos ativos da brasileira HRT na bacia amazônica do rio Solimões.

O projeto da jovem HRT, uma companhia idependente no setor, é chegar em 2014 produzindo 100 mil barris de petróleo leve nessa área, após programa de investimentos de US$ 3,55 bilhões.

O negócio, antecipado na edição do Valor de hoje, foi concluído no fim de semana após vários dias de negociações e confirmado logo pela manhã em comunicado da HRT Participações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Denominada de operação de "Farm-In Agreement", engloba 21 blocos de exploração naquela área e foi firmado entre a controlada HRT O&G Exploração e Produção de Petróleo e a subsidiária brasileira da companhia anglo-russa, a TNK Brasil Exploração e Produção de Óleo e Gás Natural.

A operação envolve a transferência de 45% dos direitos de concessão que a HRT detém do ativo Solimões, os quais cobrem uma área de 48,5 mil quilômetros quadrados. O fechamento da transação agora depende apenas da aprovação de transferência da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A HRT, que tem como fundador o empresário Márcio Rocha de Mello, um geólogo que foi funcionário da Petrobras até o início da década passada, está repassando ao novo sócio a participação que adquiriu em maio por R$ 1,29 bilhão da sua agora ex-sócia Petra Energia.

O valor da operação será pago pela TNK-BP em dois anos, em cinco parcelas de US$ 200 milhões cada uma, conforme apurou o Valor. A HRT O&G, informa a nota, permanecerá como operadora dos blocos.

A TNK-Brasil terá a opção, chamada de "call", que lhe permite  exercer em 30 meses a aquisição de 10% adicionais dos direitos de concessão da área, passando a 55%, e a HRT reduzindo sua participação a 45%. Com isso, se tornaria a operadora do negócio.

A negociação dessa opção foi fundamental para que os russos fechassem o acordo. Os acionistas da companhia querem ter presença mais do que apenas de meros sócios investidores no ativo brasileiro.

Em contrapartida, a HRT terá também, ao fim deste prazo, o direito  de um "put", ou seja, de exercer a venda desses mesmos 10% à TNK-BP caso ela não utilize seu "call".

O braço russo na TNK-BP é a holding AAR, dona de 50%, a qual pertence a três bilionários russos - Mikhail Fridman (dono do grupo Alfa), Leonard Blavatnik (do Access Industries) e Viktor Vekselberg (do Renova).

Sediada em Moscou, com o negócio a TNK-BP dá mais um passo no seu plano de internacionalização, iniciado este ano com aquisições no Vietnã e  Venezuela.
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