Energia Nuclear

Angra 3 pode perder aval do governo alemão

Valor Econômico
13/04/2011 09:27
Visualizações: 631
Os impactos do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, podem chegar ao Brasil como obstáculos financeiros à construção da usina de Angra 3. Na Alemanha, país que registra a maior movimentação política em função do desastre japonês, o debate agora é sobre a garantia de crédito concedido pelo governo alemão para que Angra 3 seja construída. O governo estaria dando seu aval a nucleares também na China.
 

Em 28 de março, uma moção dos partidos Verde e Social Democrata no Parlamento pretendia revogar o decreto que autorizava o aval a um empréstimo em dólares do equivalente a €1,5 bilhão. A garantia de crédito foi concedida pela Hermes, a agência alemã de seguro de crédito para exportação, para a Areva NP que irá fornecer equipamentos à Eletronuclear, responsável pela operação das centrais nucleares brasileiras.
 

A moção não passou, mas o debate continua aceso. Para ONGs como a Urgewald, que lidera a resistência na área nuclear rastreando o que os bancos alemães financiam, e parlamentares como Ute Koczy, deputada federal do Partido Verde, perita em energia nuclear e líder na bancada de cooperação econômica, esse tipo de sinalização não poderia ser dada, de forma alguma, pelo governo alemão para qualquer iniciativa na área nuclear. A deputada esteve no Brasil em agosto e o programa nuclear brasileiro e o suporte financeiro alemão para a construção da usina de Angra 3 estiveram no centro da viagem.
 

"O entendimento é que uma energia de tão alto risco não pode receber apoio do Estado alemão, do contribuinte", diz Dawide Bartelt, diretor da Fundação Heinrich Böll no Brasil, ligada ao movimento verde alemão. Os verdes argumentam, também, que há sinais pouco transparentes no programa nuclear brasileiro. Citam que Angra 2 opera há dez anos sem licença e lembram o episódio em que a diretoria da Comissão Nuclear de Energia Nuclear foi recentemente demitida.
 

Na prática, o que pode ser suspenso, no caso de Angra 3, é um seguro de crédito normalmente concedido por agências governamentais, como a Hermes, para fomentar a exportação de bens e serviços produzidos no país de origem da agência. Funciona também como seguro, no caso de não pagamento pelos devedores estrangeiros.
 

A maior parte dos recursos para a construção de Angra 3 virá do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai emprestar R$ 6,1 bilhões à Eletronuclear. Essa soma equivale a 58,6% do investimento estimado do projeto, segundo dados da estatal. A Eletrobras, holding que controla a Eletronuclear, financiará R$ 890 milhões com recursos provenientes da Reserva Global de Reversão (RGR).
 

O aval da agência Hermes alemã, dado em fevereiro de 2010, é para garantir empréstimo equivalente a €1,5 bilhão, que será concedido para a Eletrobras por um pool de bancos franceses liderados pelo Société Générale e que conta ainda com o BNP Paribas e Crédit Agricole, entre outros. Esse consórcio de bancos venceu uma licitação da Eletrobras concluída em janeiro.
 

O dinheiro será utilizado para pagamento de serviços de engenharia e aquisição de equipamentos importados e fabricados pela Areva. Como a Eletrobras será a tomadora do empréstimo, o garantidor final será o governo brasileiro, através do Tesouro Nacional. Segundo a Eletronuclear, os investimentos na usina ainda a realizar somam R$ 9,9 bilhões. Angra 3 terá potência instalada de 1.405 megawatts.
 

Se as garantias do Hermes forem suspensas, uma fonte ouvida pelo Valor disse que novas garantias de crédito serão dadas pela sua similar francesa, a Coface. O dinheiro é necessário para completar o financiamento para construção da usina. "É um absurdo, ainda mais depois de Fukushima, o governo alemão manter uma garantia tão alta para financiar uma tecnologia perigosa e cara", diz Bartelt. "O dinheiro de Angra 3 é perdido. Poderia ir para pequisa e investimento em energias renováveis."
 

Dia 26, no Rio, a Fundação Heinrich Böll promove o seminário "De Chernobyl a Fukushima: A Energia Nuclear não tem Futuro", com a presença de Marina Silva.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
Resultado
Constellation Oil Services registra EBITDA ajustado de U...
24/03/26
Bacia de Campos
Equinor inicia campanha de perfuração do projeto Raia
24/03/26
Macaé Energy
Atlas Copco Rental tem participação destaque na Macaé En...
24/03/26
Energia Eólica
Equinor fortalece portfólio de energia no Brasil
23/03/26
Macaé Energy
LAAM Offshore fortalece presença estratégica no Macaé En...
23/03/26
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23