Indústria naval

Antigos estaleiros foram sucateados e novos projetos esperam por definições

<P>É o antigo estaleiro Ishikawajima do Brasil (Ishibras), pertencente à IVI, do empresário Nelson Tanure, e alugado para duas empresas com sinergias difusas: um estaleiro de reparos e pequenas construções e uma operadora portuária.<BR><BR>O estaleiro é o Sermetal, integrante do consórcio Ri...

Valor Econômico
30/08/2006 21:00
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É o antigo estaleiro Ishikawajima do Brasil (Ishibras), pertencente à IVI, do empresário Nelson Tanure, e alugado para duas empresas com sinergias difusas: um estaleiro de reparos e pequenas construções e uma operadora portuária.

O estaleiro é o Sermetal, integrante do consórcio Rio Naval, um dos vencedores da licitação para a construção de petroleiros conduzida pela Transpetro. Também integram o consórcio a MPE e IESA. A coreana Hyunday entra com assistência técnica. Segundo Carlos Gomes, diretor Comercial do Sermetal, há um compromisso do proprietário da área total do estaleiro de que, assinado o contrato, a parte hoje dedicada à movimentação de contêineres será reincorporada ao estaleiro.

Feito isso, Gomes avalia que serão necessários três meses de trabalho, incluindo a recuperação dos guindastes, para colocar o estaleiro em condições de começar a receber os primeiros materiais para os navios, prosseguindo a recuperação paralelamente às obras.

Outros três estaleiros também ganharam o direito de construir navios para a Transpetro. O Atlântico Sul, em Suape (PE), ainda não existe e concluiu as obras de terraplanagem. A Andrade Gutierrez saiu recentemente do consórcio que compõe o estaleiro. O presidente da construtora, Rogério Nora de Sá, disse que a saída da empresa do Atlântico Sul não implica em abandono da idéia de entrar na construção naval. Se, no futuro, acharmos melhores condições, iremos analisar, resumiu. A Camargo Corrêa, líder do consórcio, não quis falar quando procurada pelo jornal.

Os outros estaleiros ganhadores da encomenda da Transpetro são o Itajaí (SC), que deverá construir os navios gaseiros, e o Mauá Jurong, de Niterói, que ganhou a construção dos barcos para transporte de produtos (derivados de petróleo). O Mauá Jurong constrói atualmente a plataforma P-54, com entrega prevista em fins de 2008.

No passado, o Brasil já teve cinco estaleiros capazes de fazer grandes navios: Ishibras, Verolme, Mauá, Caneco (fechado) e Emaq (atual Eisa). Hoje não tem praticamente nenhum. Os sobreviventes, em geral, estão adaptados para outras funções, incluindo o gigante Keppel Fels Brasil, renascido das cinzas do Verolme, em Angra dos Reis (RJ), que se especializou na construção de plataformas semi-submersíveis. Desde 2001, o Keppel Fels fechou no Brasil uma carteira de encomendas de US$ 1,96 bilhão, incluindo a construção das plataformas P-48, P-51 e P-52, além de navios de apoio, entre outros projetos.

Os antigos grandes estaleiros do Brasil eram concentrados no Rio de Janeiro, seguindo o mesmo modelo de outros países. O professor Floriano Pires, da Coppe-UFRJ, estudou o fenômeno da concentração e afirma que a dispersão que se desenha, com a instalação de um novo estaleiro em Pernambuco, gera problemas, desde logísticos até para a localização de fornecedores. A concentração regional é uma característica que fez a indústria naval prosperar (no mundo). A dispersão é um dado negativo, mas não creio que inviabilize, diz Pires.

Na área de offshore, três estaleiros concentram a atividade. O Aker Promar, de Niterói, é líder de mercado. Também são atuantes a Companhia Brasileira de Offshore (CBO) e o Wilson, Sons. O Aker Promar entregará o 17º navio de apoio em setembro e tem uma carteira de encomendas que prevê a entrega do 24º navio até maio de 2009.

Fonte: Valor Econômico

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