Empresas

Atraso em repasse da Petrobras afeta fundo

Recebíveis financiam cadeia de prestadores de serviço da estatal.

Valor Econômico
24/01/2013 10:18
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A mudança na política de pagamentos dos fornecedores pela Petrobras no fim do ano passado começou a afetar os fundos de recebíveis criados para financiar a cadeia de prestadores de serviço da estatal. Desde novembro, houve um aumento dos créditos com pagamentos em atraso em pelo menos três dos cinco Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) criados com essa finalidade e registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em um desses portfólios, gerido pela BI Invest, os créditos em atraso já chegam a 18% da carteira que somava R$ 24,574 milhões em dezembro, sendo que desse total R$ 3,469 milhões se referem a pagamentos com atraso superior a 90 dias.
Ao alterar a política de pagamento dos fornecedores que têm atrasado a entrega dos pedidos, a Petrobras tem demorado mais para repassar recursos. Como a maioria dessas operações são "a performar", a estatal resolveu não liberar os recursos enquanto não receber as entregas. Nesse cenário, algumas empresas têm tido maiores dificuldades financeiras.
E algumas dessas empresas que tiveram problemas estavam nos FIDCs de fornecedores da Petrobras, o que explica o aumento dos créditos com pagamentos em atraso nessas carteiras.
Procurada, a Petrobras informou que "não interfere na relação entre os fornecedores cedentes de crédito e os FIDCs", embora seja responsável pelo repasse dos pagamentos.
No fundo gerido pela Brasil Plural, que tem R$ 286,2 milhões de patrimônio, os créditos com pagamentos em atraso passaram de R$ 2,403 milhões em novembro para R$ 5,399 milhões em dezembro. Já no FIDC gerido pela Silverado Asset Management, que tem R$ 137,773 milhões de patrimônio, a parcela de créditos em atraso saltou de zero em outubro para R$ 3,059 milhões em dezembro. O atraso, na maior parte desses ativos, se concentrava na faixa entre 31 e 60 dias.
O diretor de risco da Silverado, Carlos Santos, confirma que tem ocorrido alguns atrasos na liberação de pagamento por parte da Petrobras em função da performance de alguns fornecedores, mas diz que são casos pontuais.
No FIDC do Brasil Plural, a inadimplência está concentrada em um único fornecedor com participação relevante no portfólio, afirma Leandro Albuquerque, diretor da área de operações estruturadas da Standard & Poor's, responsável pelo rating do fundo.
Para reduzir o risco, a Silverado aumentou desde setembro a diligência das carteiras e tem adotado critérios mais rígidos na avaliação dos fornecedores.
A gestora têm na carteira cerca de 25 fornecedores, com uma média de faturamento mensal entre R$ 3 milhões a R$ 5 milhões.
Em pesquisa interna realizada pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) no final de 2012, que reúne 140 associados, foi verificado que 10% das empresas associadas estavam preocupadas com o futuro de seus contratos com a Petrobras. "As pendências estão sendo negociadas diretamente entre a estatal e as empresas, e em breve a questão deverá estar solucionada", diz Antonio Müller, presidente da entidade.
A Petrobras tem demorado até dois meses em alguns casos para aprovar a documentação que permite que os fornecedores possam fazer o desconto das receitas com os fundos de recebíveis ou com as instituições financeiras.
A Petrobras tem sido mais rigorosa na revisão de contratos, não aceitando aditivos de custos, prática comum antes nessas operações em que os prestadores de serviços acabavam oferecendo um orçamento abaixo do valor de mercado para ganhar a licitação.
Como muitos fornecedores dependem da liberação de novos pagamentos para concluir as encomendadas que já deveriam estar financiadas, isso tem trazido dificuldade financeira para algumas companhias, que chegaram a entrar com pedido de recuperação judicial, como a Mana Engenharia e a GDK, que atua na montagem industrial e instalação de plantas de produção na área de petróleo e gás. Houve até mesmo uma decretação de falência, da Tenace Engenharia e Consultoria, que atuava na montagem e manutenção de refinarias e plataformas de petróleo.
Diante desse cenário, alguns gestores têm enfrentado dificuldade em encontrar fornecedores com boa qualidade de crédito. É o caso do fundo gerido pela Petra Capital, o Red FIDC Fornecedores, que estava com 65% do patrimônio em caixa, que somava R$ 56,822 milhões. Por ser mais conservador nas concessões, o fundo não apresentou aumento da inadimplência. A Petra tem se concentrado em operações de curto prazo voltadas para capital de giro, em média de sete meses, e trabalhado com tíquete médio menor, em torno de R$ 2 milhões. "Temos uma carteira bastante pulverizada, com concentração máxima de 5% do patrimônio por fornecedor", diz Fernando Fontes, diretor da Petra.
O fundo só não foi liquidado antecipadamente, como aconteceu com o FIDC Fornecedores BR 2 da BI Invest, porque o cotista subordinado nesse caso, que está arcando o custo da aplicação em títulos de renda fixa que rendem menos que os recebíveis, não é a Petrobras, mas sim o consultor do portfólio que é a Redfactor Factoring e Fomento Mercantil.
Fontes diz que o mercado ainda deve levar um tempo para se adaptar ao novo modelo de gestão de contratos da estatal. "Vai haver maior demanda de operações com perfil mais adequado." A estatal já lançou nove FIDCs dedicados a fornecedores, que desembolsaram, até novembro, R$ 511 milhões.

A mudança na política de pagamentos dos fornecedores pela Petrobras no fim do ano passado começou a afetar os fundos de recebíveis criados para financiar a cadeia de prestadores de serviço da estatal. Desde novembro, houve um aumento dos créditos com pagamentos em atraso em pelo menos três dos cinco Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) criados com essa finalidade e registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


Em um desses portfólios, gerido pela BI Invest, os créditos em atraso já chegam a 18% da carteira que somava R$ 24,574 milhões em dezembro, sendo que desse total R$ 3,469 milhões se referem a pagamentos com atraso superior a 90 dias.


Ao alterar a política de pagamento dos fornecedores que têm atrasado a entrega dos pedidos, a Petrobras tem demorado mais para repassar recursos. Como a maioria dessas operações são "a performar", a estatal resolveu não liberar os recursos enquanto não receber as entregas. Nesse cenário, algumas empresas têm tido maiores dificuldades financeiras.


E algumas dessas empresas que tiveram problemas estavam nos FIDCs de fornecedores da Petrobras, o que explica o aumento dos créditos com pagamentos em atraso nessas carteiras.


Procurada, a Petrobras informou que "não interfere na relação entre os fornecedores cedentes de crédito e os FIDCs", embora seja responsável pelo repasse dos pagamentos.


No fundo gerido pela Brasil Plural, que tem R$ 286,2 milhões de patrimônio, os créditos com pagamentos em atraso passaram de R$ 2,403 milhões em novembro para R$ 5,399 milhões em dezembro. Já no FIDC gerido pela Silverado Asset Management, que tem R$ 137,773 milhões de patrimônio, a parcela de créditos em atraso saltou de zero em outubro para R$ 3,059 milhões em dezembro. O atraso, na maior parte desses ativos, se concentrava na faixa entre 31 e 60 dias.


O diretor de risco da Silverado, Carlos Santos, confirma que tem ocorrido alguns atrasos na liberação de pagamento por parte da Petrobras em função da performance de alguns fornecedores, mas diz que são casos pontuais.


No FIDC do Brasil Plural, a inadimplência está concentrada em um único fornecedor com participação relevante no portfólio, afirma Leandro Albuquerque, diretor da área de operações estruturadas da Standard & Poor's, responsável pelo rating do fundo.


Para reduzir o risco, a Silverado aumentou desde setembro a diligência das carteiras e tem adotado critérios mais rígidos na avaliação dos fornecedores.


A gestora têm na carteira cerca de 25 fornecedores, com uma média de faturamento mensal entre R$ 3 milhões a R$ 5 milhões.


Em pesquisa interna realizada pela Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) no final de 2012, que reúne 140 associados, foi verificado que 10% das empresas associadas estavam preocupadas com o futuro de seus contratos com a Petrobras. "As pendências estão sendo negociadas diretamente entre a estatal e as empresas, e em breve a questão deverá estar solucionada", diz Antonio Müller, presidente da entidade.


A Petrobras tem demorado até dois meses em alguns casos para aprovar a documentação que permite que os fornecedores possam fazer o desconto das receitas com os fundos de recebíveis ou com as instituições financeiras.


A Petrobras tem sido mais rigorosa na revisão de contratos, não aceitando aditivos de custos, prática comum antes nessas operações em que os prestadores de serviços acabavam oferecendo um orçamento abaixo do valor de mercado para ganhar a licitação.


Como muitos fornecedores dependem da liberação de novos pagamentos para concluir as encomendadas que já deveriam estar financiadas, isso tem trazido dificuldade financeira para algumas companhias, que chegaram a entrar com pedido de recuperação judicial, como a Mana Engenharia e a GDK, que atua na montagem industrial e instalação de plantas de produção na área de petróleo e gás. Houve até mesmo uma decretação de falência, da Tenace Engenharia e Consultoria, que atuava na montagem e manutenção de refinarias e plataformas de petróleo.


Diante desse cenário, alguns gestores têm enfrentado dificuldade em encontrar fornecedores com boa qualidade de crédito. É o caso do fundo gerido pela Petra Capital, o Red FIDC Fornecedores, que estava com 65% do patrimônio em caixa, que somava R$ 56,822 milhões. Por ser mais conservador nas concessões, o fundo não apresentou aumento da inadimplência. A Petra tem se concentrado em operações de curto prazo voltadas para capital de giro, em média de sete meses, e trabalhado com tíquete médio menor, em torno de R$ 2 milhões. "Temos uma carteira bastante pulverizada, com concentração máxima de 5% do patrimônio por fornecedor", diz Fernando Fontes, diretor da Petra.


O fundo só não foi liquidado antecipadamente, como aconteceu com o FIDC Fornecedores BR 2 da BI Invest, porque o cotista subordinado nesse caso, que está arcando o custo da aplicação em títulos de renda fixa que rendem menos que os recebíveis, não é a Petrobras, mas sim o consultor do portfólio que é a Redfactor Factoring e Fomento Mercantil.


Fontes diz que o mercado ainda deve levar um tempo para se adaptar ao novo modelo de gestão de contratos da estatal. "Vai haver maior demanda de operações com perfil mais adequado." A estatal já lançou nove FIDCs dedicados a fornecedores, que desembolsaram, até novembro, R$ 511 milhões.

 

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