Entrevista

Augusto Salomon, da Abegás fala sobre o futuro do gás natural no Brasil

Redação/Assessoria SCGÁS
24/04/2019 10:00
Augusto Salomon, da Abegás fala sobre o futuro do gás natural no Brasil Imagem: Cortesia ALGÁS Visualizações: 1593

Augusto Salomon, presidente executivo da Abegás, acredita que o Brasil está ganhando impulso para adotar o gás como uma matriz energética mais relevante. Nesta entrevista, Salomon atesta suas posições em números do mercado e pesquisas que indicam um futuro promissor para os investidores.

1) O crescimento econômico é um dos eixos do novo momento que o Brasil inicia. Como o senhor vê o aporte econômico e social do gás natural – ganhos já evidenciados e quais os futuros — para o País?

O País tem um cenário com claras perspectivas de crescimento econômico, conforme aponta o próprio Banco Central e diversos analistas. E nesse processo de efetiva retomada, o gás natural tem um papel estratégico por reunir vários atributos: excelente produtividade e qualidade calorífica, logística simples com fornecimento estável e contínuo, muita segurança, baixo nível de emissões de gases causadores de efeito estufa (GEE) e custos competitivos. A expansão do gás natural é importante para o País porque viabiliza novos projetos, gera empregos de qualidade, leva renda para as cidades e localidades. Além disso, em todo o mundo a economia faz uma transição rumo a um modelo mais limpo e o Brasil tem no gás natural um pilar de desenvolvimento sustentável nas próximas décadas. Conforme aponta um estudo da consultoria Strategy/PwC para a Abegás, o aumento da produção nacional no Pré-sal somado ao contexto internacional de maior oferta aponta para um futuro em que o gás tende a ganhar mais relevância no mix energético brasileiro.

2) Quais pontos a Abegás vai priorizar com relação ao fomento e ampliação do mercado de gás natural no Brasil?

A Abegás, em conjunto com suas associadas, preparou um documento de 52 páginas que faz um diagnóstico do setor e apresenta propostas para fomentar e ampliar o mercado. Essa contribuição foi levada ao governo e contém caminhos para ampliar a oferta de gás, desenvolver a demanda, aumentar a competitividade e solucionar entraves para o acesso à infraestrutura existente ou mesmo investir em novas instalações. Estamos confiantes na sensibilidade do Governo e do Congresso para implementar medidas que incentivem todo o potencial de atração de investimento do setor, que estimamos em pelo menos US$ 32 bilhões, sem contar Exploração & Produção. Temos atuado para demonstrar a importância de o Brasil de seguir essa via. Acreditamos que um ponto essencial seja a adoção de medidas que garantam o acesso dos agentes à infraestrutura de escoamento, processamento, terminais de regaseificação e de transporte. A entrada de novos ofertantes, ampliando a competição na oferta da molécula ao mercado brasileiro, será capaz de permitir que o gás chegue aos consumidores em condições ainda mais competitivas.

Institucional

3) Quais são os investimentos que o Governo Federal deve priorizar para segurança energética do País?

Augusto Salomon – O gás natural é fundamental para dar segurança energética ao País em um contexto de aumento da participação das chamadas novas fontes renováveis intermitentes (eólica e solar fotovoltaica). Hoje, o País tem um parque de termogeração que poderia estar sendo mais bem aproveitado. Defendemos a inserção das térmicas a gás natural na base do sistema elétrico, utilizando as usinas não só no horário de ponta ou em situações de risco hidrológico. Com essa medida, o País ganha em segurança energética, reduz o custo dessa geração e aperfeiçoa o planejamento de todo o sistema elétrico. A termogeração a gás em base firme seria importante para preservar e recuperar os reservatórios hídricos e dar a devida de retaguarda à expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica que são energias intermitentes e, portanto, de menor previsibilidade.

4) O papel das distribuidoras de gás natural. Como o senhor analisa o cenário deste mercado em um horizonte de 4 anos?

Nos últimos anos, mesmo com a crise econômica, as distribuidoras têm feito o seu papel, investindo ainda mais na melhoria de seus serviços e no crescimento da rede de distribuição. Sinal disso é que de 2017 para 2018, a rede de distribuição aumentou 5,1% e o número de consumidores, 6% – enquanto o PIB, de acordo com prognósticos, deve fechar em aproximadamente 1,3% no ano de 2018. Nos cálculos da consultoria Strategy/PwC para a Abegás, somente o setor de distribuição pode movimentar R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2030 na expansão da rede. É importante que o governo federal e os governos estaduais criem condições que incentivem o uso do gás natural, por seus benefícios ambientais, econômicos e sociais, garantindo mais segurança jurídica e atratividade para os investimentos.

5) Como tem sido a evolução do projeto do Brasduto, uma das bandeiras da Abegás?

A proposta do Senador Ronaldo Caiado é importante para incentivar a expansão das infraestruturas essenciais (gasodutos de escoamento da produção, instalações de tratamento e processamento do gás natural) e da malha de gasodutos de transporte de gás natural no País. Nesse sentido, a criação de um fundo para investimento no setor contribuiria para o aumento da oferta, monetização do gás natural do pré-sal e, consequentemente, promoveria um mercado mais competitivo e com tarifas justas. Espera-se que o projeto retorne à pauta do plenário da Câmara dos Deputados este ano.

6) Como o senhor enxerga o mercado de gás natural em Santa Catarina e a atuação da SCGÁS?

O mercado catarinense de gás natural vem se expandindo ano a ano, resultado da competência técnica e comercial de todo o quadro da SCGÁS. Acreditamos no potencial da SCGÁS para seguir crescendo e levar os benefícios do gás natural a todas as regiões do Estado.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
SOG 2026
HYTORC CENTRAL BR reforça sua presença no mercado de óle...
05/08/26
SOG 2026
ABPIP fortalece agenda de desenvolvimento territorial em...
04/08/26
Fenasucro
Brasil concentra oportunidades de investimento em biocom...
04/08/26
Transição Energética
Segurança energética e transição entram no centro do deb...
04/08/26
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
03/08/26
SOG 2026
SOG26 supera a edição anterior e reforça o papel estrat...
03/08/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados da produção de petróleo e...
03/08/26
BIODIVERSIDADE
ExxonMobil Brasil destina mais de R$ 1 milhão para prese...
03/08/26
Pessoas
Shell Brasil inicia novo ciclo de liderança com João San...
03/08/26
SOG 2026
Banco do Nordeste tem R$ 504 milhões para setor energéti...
03/08/26
Meio Ambiente
MODEC testa no Brasil tecnologias inéditas que podem red...
03/08/26
IA
Acelen supera R$ 380 milhões em ganhos com IA e transfor...
03/08/26
ANP
Painel reúne dados históricos do PRH-ANP referentes à Fa...
03/08/26
Gás Natural
IBP, ABRACE e ABPIP lançam nova versão do RELIVRE para a...
03/08/26
Offshore
NUCLEP realiza novas entregas de estacas torpedo para a ...
03/08/26
Gás Natural
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
03/08/26
PPSA
TotalEnergies e ExxonMobil arrematam cargas de Atapu e d...
31/07/26
SOG 2026
Sebrae Sergipe fortalece pequenos negócios e amplia cone...
31/07/26
SOG 2026
Eneva reforça compromisso com Sergipe e destaca expansão...
31/07/26
PPSA
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
30/07/26
SOG 2026
Benel apresenta práticas de segurança e gestão de resídu...
30/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.