Tecnologia
Valor Econômico
A Aveva, empresa de soluções de tecnologia para a indústria naval e de instalações com sede em Londres, inaugurou na semana passada um escritório no Rio de Janeiro se estabelecendo desta forma no Brasil. A empresa que tem hoje como seu principal cliente a Petrobras vai contratar 20 funcionários e não teme a crise mundial e nem a queda dos preços do petróleo, pois acredita que as empresas do setor de infra-estrutura, que trabalham no longo-prazo, vão manter investimentos.
O vice-presidente para as Américas, Santiago Pena, diz que os negócios na América Latina não vão sofrer uma mudança grande em função da crise. O problema maior pode ser de liquidez e crédito para empresas de engenharia, mas a indústria de infra-estrutura, seja de geração de energia, novas plantas de petróleo e refino, vão manter seus planos, segundo avalia Pena.
Há dez anos a Aveva faz negócios no Brasil e tem uma carteira de 50 clientes, que vão desde o setor de óleo e gás, até mineração e papel e celulose. Em julho desse ano, a empresa fez o comunicado oficial ao governo de que passaria a ter uma filial no país. O objetivo é agregar mais clientes dos setores navais e de mineração e atender mais de perto a Petrobras. O Brasil é uma importante plataforma de negócios segundo Santiago Pena e hoje representa 20% do faturamento da empresa nas Américas. No ano passado, a empresa faturou mundialmente 127 milhões de libras esterlinas.
Instalando o escritório no Rio, Pena diz que o objetivo é atender melhor não só a Petrobras como a indústria naval. "O mundo vai seguir precisando distribuir os bens", disse Pena. "A crise que se originou nas hipotecas não vai afetar o mercado onde a Aveva está se desenvolvendo".
Apesar de a empresa se instalar no Brasil meses depois que a Petrobras anunciou a descoberta do pré-sal, esta foi apenas uma feliz coincidência. Segundo o executivo da companhia, o projeto da Aveva de abrir uma filial no Brasil já estava sendo estudado há dois anos e faz parte da estratégia mundial do grupo de expandir as operações nos países Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Mas a empresa, sem dúvida, quer aproveitar os negócios que vão ser gerados pelo pré-sal e está confiante de que a crise não vai afetar seus negócios.
O governo brasileiro, por exemplo, não vai deixar de explorar o pré-sal mesmo que o preço do petróleo caia ainda mais. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse na semana passada, em seminário de energia promovido pelo Valor, que o petróleo pode chegar a US$ 40 o barril que ainda valerá à pena explorar o pré-sal.
A queda dos preços do petróleo no mercado internacional tem sido acentuada nos últimos meses. O barril que chegou a valer perto dos US$ 150 no início de julho, chegou na casa dos US$ 60 na semana passada. O contrato de WTI negociado para dezembro de Nova York fechou a sexta-feira valendo US$ 64,15. Em Londres, o barril de Brent para dezembro fechou valendo US$ 62,05 com desvalorização de US$ 3,87.
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