Economia

Baixa no petróleo ajuda países ricos

Valor Econômico
23/08/2011 11:57
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Os países ricos podem ter ao menos uma boa notícia no pessimista cenário econômico atual: a queda no preço do petróleo. O avanço rebelde na Líbia fez ontem o valor do barril cair, com a perspectiva de volta da produção do 12º maior exportador mundial.

Dados mais recentes confirmaram desaceleração econômica global mais rápida do que a prevista. Para certos analistas, as melhores esperanças contra nova recessão virão de mais baixa no preço do petróleo e de declínio persistente das taxas de juros de longo prazo.

O analista Julian Jessop, de Londres, nota que o fator mais importante para a rápida desaceleração global foi provavelmente a alta nos preços das commodities. Mas, desde o pico de abril, o barril de petróleo caiu quase 15% em euros.

A expectativa agora é de a cotação do petróleo cair mais, e o barril ficar em torno de US$ 85 no ano que vem, contra US$ 107 ontem. Para se ter uma ideia do que isso significa para a economia mundial, o consumo total de petróleo é de 32 bilhões de barris por ano.

Assim, uma redução de US$ 10 no preço do barril significa a transferência de US$ 320 bilhões de poder de compra dos países produtores para os países consumidores, cerca de 0,5% da PIB mundial.

Apesar de esperada relutância de consumidores ocidentais em gastar em outros bens e serviços, projeções "razoáveis" dizem que a queda no preço do barril pode estimular a economia global em 1%.

A possibilidade dos preços mais baixos do petróleo ajudar as combalidas economias da Europa e dos EUA foi reforçada ontem com o quase colapso do regime líbio.

Antes da guerra civil, a Líbia produzia 1,6 milhão de barris/dia (b/d) de petróleo de alta qualidade, mas o volume caiu para 50 mil b/d no rastro da guerra civil.

Agora, as estimativas são de que a empresa controlada pelos rebeldes em Bengazi, a Gulf Oil, poderia elevar a produção em 180 mil barris dentro de duas semanas, após garantir a segurança das instalações A produção poderia chegar a 500 mil barris em dois meses. Mas outros analistas acham que a Líbia precisará de um a três anos para retoma toda a sua capacidade.

Ao mesmo tempo, pesquisas continuam mostrando deterioração da confiança dos consumidores e empresários na Europa e nos EUA. Outro dado divulgado ontem mostrou que o comércio mundial sofreu uma forte queda de 2,2% em junho, em relação ao mês anterior, após ter crescido 2,3% em maio.

O Centro Holandês de Análise Econômica (CPB, na sigla em inglês) mostra que o comércio mundial está em desaceleração desde janeiro. No segundo trimestre, as trocas globais caíram 0,6%. Houve queda em todas as grandes regiões. A zona do euro mostrou contração substancial tanto de exportações como de importações. As exportações dos países da América Latina ficaram estáveis; já as importações caíram 1,3%. Somente Japão, África e Oriente Médio tiveram desempenho positivo no comércio exterior em junho.

Tudo isso reforça a expectativa de que, mesmo se a queda no barril e a manutenção de juros baixos levarem a uma pequena recuperação no segundo semestre, haverá um longo período de estagnação nas economias desenvolvidas.

Para o Royal Bank Of Canada (RBC), o elemento-chave agora é a dimensão do impacto da desaceleração no crescimento dos emergentes, e o ritmo pelo qual as autoridades desses países vão reagir com estímulos fiscal e monetário.

O consenso, segundo o banco, é de que os emergentes vão gerar entre 70-80% da expansão mundial em 2011-12. Daí o crescente interesse na demanda desses países.
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