Mercado

Balança comercial do CE exige competitividade

Com um déficit histórico de mais de US$ 300 milhões na balança comercial, devido a queda contínua das exportações, acompanhada do aumento das importações, o Ceará precisará bem mais do que da alta do dólar para se to

Diário do Nordeste
02/08/2013 09:58
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Com um déficit histórico de mais de US$ 300 milhões na balança comercial, devido a queda contínua das exportações, acompanhada do aumento das importações, o Ceará precisará bem mais do que da alta do dólar para se tornar competitivo no mercado internacional. A superação de gargalos internos e estruturais é o caminho apontado por integrantes da Comissão de Comércio Exterior (CCE), setor produtivo e representantes do governo do estado, que participaram de encontro de trabalho, ontem, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Para Roberto Macêdo, presidente da Fiec, "embora a alta do dólar seja favorável às exportações cearenses, os custos internos não facilitam para o setor produtivo. Continuamos reféns de velhos gargalos como energia elétrica cara, problemas de infraestrutura logística, carga tributária elevada, entre outros obstáculos que fazem com que nossos produtos continuem pouco competitivos", afirma.


Concentração

O secretário executivo da CCE, Roberto Marinho, defendeu a conjunção de esforços e apontou a concentração da pauta de produtos e dos países destino como outro importante entrave a ser transposto pelo estado. "Nove NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) representam 66% da nossa pauta de exportação e apenas seis países concentram o destino de nossos produtos. É muita concentração", alerta.


Matriz de gargalos

Como ponto de partida para superar entraves e reverter os números da balança comercial do estado, o titular da CCE apresentou uma matriz de gargalos, que sintetiza os principais problemas e apresenta sugestões de como eles poderão ser superados, dividindo responsabilidades entre todos os órgãos e instituições envolvidas.

O documento desmembra dificuldades e possíveis soluções em três categorias: estratégia, logística e órgãos intervenientes. No rol dos gargalos estratégicos estão a ausência de promoção comercial estruturada para divulgar os produtos cearenses no mercado internacional, a falta de cultura exportadora em órgãos públicos e empresas, a ausência de pontos focais de apoio à exportação no interior do estado e a inexistência de projetos específicos voltados às exportações nos polos industriais.


Sugestões

As sugestões apresentadas para esse quesito incluem a implantação de uma política voltada ao comércio exterior, a criação e divulgação de programa de estímulo à exportação, a realização de campanha publicitária de estimulo ao empresariado cearense e a definição do Portal do Exporta Ceará como ponto de apoio ao exportador no interior do Estado, para capacitação de agentes e o impulso à apresentação de projetos e demandas pelas câmaras setoriais e temáticas da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece).

As questões logísticas aparecem em seguida priorizando o levantamento da oferta e demanda e da carga na origem e no destino simultaneamente à ação coordenada do governo do Estado junto às empresas de linha marítima e aérea para viabilizar parcerias. "Não adianta ter estratégias perfeitas se não temos como entregar a carga. Muitas vezes existe demanda e oferta, mas a dificuldade logística impede a transação. O nosso problema, em relação ao transporte de mercadorias, não é só com a África. Agora mesmo estou com problemas para enviar uma carga para o Uruguai", exemplifica Roberto Marinho.

Na terceira etapa de sugestões, relativas a questões envolvendo órgãos intervenientes, o documento sugere parceria entre Ministério da Fazenda, MDIC e Sefaz para formular proposta de regime simplificado para que pequenas empresas possam transportar pelo modal marítimo, além da contratação de profissionais para o desembaraço aduaneiro 24 horas em portos e aeroportos, bem como a realização de treinamento específico.

Recém empossado no cargo, o assessor para assuntos internacionais do governo do Estado do Ceará, Hélio Leitão, reforçou o interesse do executivo de unir esforços para superação dos gargalos, bem como para resgatar a dívida social que tem com a população.

Para Marta Campelo e Alci Porto, do Sebrae-CE, o próximo passo para buscar a superação dos gargalos à exportação é apresentar um plano de ação que mostre como por em prática as sugestões apresentadas aos participantes do encontro para que seja feito o encaminhamento ao governo do Estado. A próxima reunião deve ocorrer antes do Encomex, marcado para 19 de setembro. A ideia é chegar ao evento com o plano de ação pronto para ser executado.
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