Negócios

Bancos têm R$ 90 bi em petróleo e gás

Valor Econômico
12/06/2012 12:10
Visualizações: 993
Os três grandes bancos federais - Caixa, BNDES e Banco do Brasil - ampliaram a exposição à indústria de petróleo e gás. As três instituições têm carteiras para o setor que somam R$ 90 bilhões. A cifra considera projetos em perspectiva, em análise e contratados. A presença dos estatais no financiamento ao segmento se apoia nos investimentos da Petrobras para os próximos anos e no desenvolvimento da cadeia de fornecedores. O apetite do setor por crédito levou os bancos a criarem áreas dedicadas a atender a indústria de petróleo e gás.

O BNDES tem carteira de R$ 34 bilhões para a área de petróleo e gás, a maior entre os federais. Priscila Branquinho, chefe do departamento de gás e petróleo e bens de capital sob encomenda (Degap) do BNDES, diz que dos R$ 34 bilhões, R$ 25 bilhões estão contratados. Desse total, 82% correspondem a contratos para a construção de petroleiros da Transpetro e para embarcações de empresas privadas usadas no apoio às atividades das plataformas de petróleo e gás.

"É uma carteira bastante firme e a perspectiva é contratar este ano os projetos que ainda faltam [R$ 9 bilhões, de um total de R$ 34 bilhões]", diz Priscila. O Degap prevê desembolsar cerca de R$ 5 bilhões, 51% a mais do que os R$ 3,3 bilhões de 2011. Os números consideram financiamentos a estaleiros, petroleiros, embarcações de apoio, transporte e distribuição de gás e refino. O BNDES criou ainda departamento para cuidar da cadeia de fornecedores da indústria petrolífera. O programa criado pelo banco para os fornecedores soma 19 operações com valor de R$ 1,48 bilhão em financiamentos.

No Banco do Brasil, a carteira para o óleo e gás somava, no fim do primeiro trimestre, R$ 25,2 bilhões, diz Paulo Rogério Caffarelli, vice-presidente de atacado e negócios internacionais do BB. O número é 3% maior do que os R$ 24,5 bilhões que a instituição tinha na carteira do setor no fim de 2011. Esse número, por sua vez, foi 22,5% maior do que em 2010.

Caffarelli afirma que o BB criou uma equipe especializada para atuar em petróleo e gás dentro da área de atacado do banco. Segundo ele, a carteira de petróleo do BB está focada em financiamento de projetos, capital de giro e investimentos, além da prestação de garantias, subscrição de títulos de valores mobiliários, petroquímica e distribuição de combustíveis, entre outras operações. Ele diz que o BB trabalha com a perspectiva de contratar este ano R$ 14 bilhões em projetos com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento de longo prazo. O BB também aposta em ser um dos líderes do Progredir, programa criado pela Petrobras com os maiores bancos do país para facilitar a obtenção de empréstimos aos fornecedores do setor de óleo e gás. O BB desembolsou R$ 686 milhões no programa.

Na Caixa, a carteira para o setor petróleo soma R$ 30 bilhões, diz Antonio Gil, gerente regional da instituição. Esse portfólio contempla além de projetos de óleo e gás, financiamentos para geração de energia elétrica incluindo pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e térmicas.

Eugênia Regina de Melo, superintendente regional do setor de petróleo, gás e investimentos da Caixa, diz que o objetivo do banco é tornar-se referência no crédito para o setor. A Caixa prevê que a contratação de financiamentos para a indústria petrolífera atinja este ano R$ 20 bilhões, quase o dobro do registrado em 2011, de R$ 10,5 bilhões. "A Caixa tem condição de contratar e desembolsar esses valores [os R$ 20 bilhões] este ano", diz Antonio Gil. Há dois anos a instituição criou uma superintendência para se dedicar à área e apresentar soluções moldadas para cada integrante da cadeia.

A superintendência foi estruturada em fevereiro de 2010, mas tornou-se operacional cinco meses depois. Hoje tem 25 funcionários alocados no Rio e que atuam em todo o país. Eugênia disse que o banco também percebeu a importância de explicar o mercado brasileiro para as empresas estrangeiras que estão chegando ao país. "Os bancos estão crescendo junto com o setor. A gente sabe que tem que acompanhar esse crescimento".

Eugênia acrescenta que a Caixa quer manter a liderança no Programa Progredir. O banco federal planeja atingir um total de R$ 2 bilhões de desembolsos no Progredir em 2012, quando o programa deve atingir cerca de R$ 5 bilhões. Para se expandir no setor, a Caixa conta também com os repasses do Fundo da Marinha Mercante. Eugênia afirma que há R$ 8 bilhões de propostas firmes do FMM, em fase final de análise, que o banco tem a expectativa de liberar ainda este ano. São ao todo 26 projetos que incluem a construção de estaleiros e de embarcações. No ano passado, a Caixa repassou R$ 371 milhões por meio do FMM.

No Progredir, lançado há um ano, entre os bancos participantes - Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC e CEF -, a Caixa foi o que mais desembolsou até agora, somando R$ 747 milhões, com um total de 224 operações. Incluindo todos os bancos, o Progredir viabilizou R$ 2,3 bilhões em empréstimos, em 500 operações. Recentemente, a Petrobras anunciou a inclusão de três bancos no programa: Citibank, Banrisul e BicBanco.

De acordo com a Petrobras, a estatal tinha até o início de maio cerca de 14 mil contratos com fornecedores, que totalizam R$ 480 bilhões. O número inclui todos os contratos da Petrobras com fornecedores, inclusive com as maiores empresas prestadoras de serviços da estatal.

Eugênia afirmou que a Caixa pesquisa todas as companhias inscritas no portal do programa e estuda a melhor forma de atendê-las. Desde o início do programa, segundo Eugênia, os juros caíram cerca de 40%.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Abraceel inaugura autorregulação para reforçar segurança...
27/10/26
Mato Grosso
Além do agro, Sinop amplia espaço para serviços e novos ...
26/10/26
Pré-Sal
PPSA realiza 10º Leilão Spot na próxima quarta-feira
26/10/26
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.