Pré-sal

Batalha da partilha ainda não está definida

Jornal do Commercio
11/12/2009 09:24
Visualizações: 562
O governo não venceu a principal batalha do pré-sal, mesmo com a aprovação, na quarta-feira à noite, do texto-base que cria o regime de partilha para explorar a nova camada petrolífera. Nenhum líder governista aposta que haja uma margem de votos suficientes para garantir que serão derrubados, na próxima terça-feira, os destaques apresentados por integrantes da base aliada com o apoio da oposição. A base tampouco tem um termômetro para avaliar se sairá vencedora na futura votação. Ao contrário da votação do texto-base, que foi simbólica, os destaques terão de ser apreciados em votação nominal, quando os deputados declaram seu voto.


"Vamos ter uma votação apertada na semana que vem. Há um movimento muito grande de forças no Congresso que querem inviabilizar o acordo feito sob o pretexto de ganharem mais recursos", afirmou o líder do PSB na Câmara, deputado Rodrigo Rollemberg (DF). O deputado não faz prognóstico se o relatório da partilha, aprovado pelo líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), será mantido sem alterações. "O projeto aprovado pelo plenário virou piso", avalia Rollemberg.


Para aprovar o projeto de partilha, o governo Lula, representante da União, abriu mão três vezes em uma semana de fatias de dividendos de petróleo para debelar conflitos dentro da base aliada. Primeiro, o Executivo aceitou perder parte dos royalties a que tem direito nas áreas já licitadas em favor dos governadores, para atender um pedido dos governadores nordestinos.
 
 
As áreas que já têm contratos representam 28% do total da nova camada de energia. Depois, cedeu também uma parcela da chamada participação especial - outro dividendo do petróleo. Por último, decidiu aumentar a parcela reservada aos municípios produtores de petróleo em royalties. Atendeu assim a bancada fluminense nos contratos já firmados pelo pré-sal no Rio estão as maiores cidades produtoras. "Não temos mais o que e como ceder", pondera o líder do PSB, uma vez que o projeto, interrompido, continua em votação.


DIVISÃO POLÊMICA. A principal proposta alternativa dos rebelados da base aliada é a emenda do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), ex-presidente da Câmara. Ela altera radicalmente todo o rateio atual e futuro dos dividendos de petróleo no País. O destaque prevê a divisão de metade dos recursos dos royalties para todos, produtores ou não, com base em critérios do Fundo de Participação de Estados (FPE) e Fundo de Participação de Municípios (FPM). Os dois índices levam em conta índices de desenvolvimento humano. A outra metade dos royalties ficaria com a União.


"A principal batalha vai começar na terça-feira", afirma o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), maior articulador dentro da base aliada da derrubada do texto aprovado. "Vamos ganhar no voto", repete Castro, todas as vezes em que é questionado se a proposta tem viabilidade de sair vencedora.


O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que é contrário à emenda ao projeto da partilha. "Nós não podemos colocar os estados da federação para fazer uma guerra federativa para discutir o destino de 15% da renda do petróleo", argumentou.


Nos bastidores, a bancada do Rio de Janeiro é a que mais teme a eventual aprovação do destaque de Ibsen. Por uma razão simples: o estado e os municípios da região, onde estão os maiores produtores de petróleo, são os mais bem aquinhoados com verbas no atual regime, o de concessão, e terão perdas proporcionais pequenas no futuro modelo de partilha. Em 2008, eles receberam ao todo R$ 12 bilhões em recursos, 13% dos R$ 93 bilhões repartidos entre todos os estados e municípios brasileiros. O destaque refaz toda essa matemática.



CONCLUSÃO. Para concluir a análise de todas as propostas sobre o pré-sal, a Câmara ainda precisa votar o projeto que cria o fundo social e o que normatiza a capitalização da Petrobras. O presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), acredita que ainda há prazo para votar um deles este ano. Temer explicou que ainda não foi decidido qual deles será votado. Henrique Fontana anunciou a intenção do governo de votar o projeto de capitalização da Petrobras.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23