Energia

Bertin atrasa seis usinas termelétricas

Valor Econômico
08/07/2010 09:43
Visualizações: 623

Sócio da Eletrobras na bilionária usina hidrelétrica de Belo Monte e dono de quase duas dezenas de usinas termelétricas licitadas em 2008, o grupo Bertin teria de colocar em funcionamento em janeiro seis das usinas térmicas que ganhou a concessão há dois anos. Os investimentos seriam de cerca de R$ 4 bilhões e juntas elas teriam capacidade de gerar 1.000 megawatts (MW). Mas elas não estarão funcionando no prazo em função de um sério problema de logística para a entrega de óleo combustível, que pode inviabilizar economicamente os projetos.

 

Se de um lado elas viraram um problema para o empreendedor, de outro afetaram todo o mercado livre de energia. Foram justamente essas térmicas as responsáveis pela alteração do plano de expansão do governo que afetou o preço da energia no mercado à vista. "Eu particularmente acredito que não havia necessidade de retirá-las do plano de expansão porque elas vão atrasar mas não significa que não vão entrar em operação", disse ao Valor o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Mas a decisão da retirada foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), onde Tolmasquim também tem assento.

 

De acordo com o relatório de fiscalização da Aneel, o grupo Bertin, dono das seis térmicas com iniciais MC², pediu por razões estratégicas e otimização ambiental e econômica a alteração da localização dos projetos para que fiquem concentrados todos no município de Candeias, em área industrial próxima ao porto baiano de Aratu. Pela proposta apresentada à Aneel seriam reduzidas significativamente a área construída, haveria compartilhamento da central de utilidades, tancagem, linhas de transmissão, dutos de combustível e água de resfriamento e equipamentos de controle ambiental e velocidade de implementação. Mas o pedido está sendo analisado pela EPE, Aneel e Operador Nacional do Sistema (ONS).

A questão da logística da entrega de combustível é um problema sério porque são necessários muitos caminhões de combustível para fazer funcionar uma usina. Mas em 2008, havia falta de gás e de projetos hidrelétricos e isso fez com que basicamente fossem vendidas quase 3.000 MW de energia que serão geradas a partir de termelétricas movidas a óleo combustível.

Muitos projetos na época foram vendidos por grupos que até então não tinham tradição de investimento no setor elétrico. Uma das razões é que as usinas térmicas movidas a óleo são sempre as últimas a serem acionadas em caso de falta de energia hidrelétrica. Isso porque justamente o combustível é mais caro e também porque são as que mais poluem. Para os investidores, pode ser um excelente negócio já que a receita com a venda da energia em leilão fica garantida por 15 anos.

Não é à toa que mesmo empresas como a CPFL Energia, com diversos prêmios de sustentabilidade e que se colocava como empresa investidor em energias renováveis, acabaram por comprar alguns desses projetos termelétricos. Mais recentemente foi a vez da Hidrotérmica, do grupo Bolognesi do Rio Grande do Sul e que tem o FI FGTS como sócio, comprou duas das térmicas vendidas no leilão de 2008. Mas essas usinas só precisam entrar em operação em 2013.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Etanol
Alteração de normas sobre comercialização de etanol anid...
03/08/26
SOG 2026
SOG26 supera a edição anterior e reforça o papel estrat...
03/08/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados da produção de petróleo e...
03/08/26
BIODIVERSIDADE
ExxonMobil Brasil destina mais de R$ 1 milhão para prese...
03/08/26
Pessoas
Shell Brasil inicia novo ciclo de liderança com João San...
03/08/26
SOG 2026
Banco do Nordeste tem R$ 504 milhões para setor energéti...
03/08/26
Meio Ambiente
MODEC testa no Brasil tecnologias inéditas que podem red...
03/08/26
IA
Acelen supera R$ 380 milhões em ganhos com IA e transfor...
03/08/26
ANP
Painel reúne dados históricos do PRH-ANP referentes à Fa...
03/08/26
Gás Natural
IBP, ABRACE e ABPIP lançam nova versão do RELIVRE para a...
03/08/26
Offshore
NUCLEP realiza novas entregas de estacas torpedo para a ...
03/08/26
Gás Natural
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
03/08/26
PPSA
TotalEnergies e ExxonMobil arrematam cargas de Atapu e d...
31/07/26
SOG 2026
Sebrae Sergipe fortalece pequenos negócios e amplia cone...
31/07/26
SOG 2026
Eneva reforça compromisso com Sergipe e destaca expansão...
31/07/26
PPSA
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
30/07/26
SOG 2026
Benel apresenta práticas de segurança e gestão de resídu...
30/07/26
SOG 2026
AZ-TECH apresenta soluções de engenharia industrial no S...
30/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 começa com foco em investimentos,...
30/07/26
SOG 2026
Diretora da Petrobras abre o Sergipe Oil & Gas com anál...
30/07/26
Firjan
Agrega + Indústria reúne entidades, empresas e governo p...
29/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.