Meio ambiente

Bioeconomia tem que sair do papel, afirma Ricardo Salles

Redação TN Petróleo, Agência Brasil
04/05/2021 10:44
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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, falou ontem (3) sobre o papel da bioeconomia na região amazônica e sobre a capacidade de mudança social que o Brasil pode ganhar com ajustes na atividade econômica que equilibram características sociais com atividades comerciais, levando em conta preservação e renovação de recursos.

Segundo o ministro, para reverter o cenário de atividade exploratória no Norte do país, a regularização fundiária e o zoneamento econômico ecológico devem ser priorizados. Salles argumenta que a região necessita de um "plano diretor" - uma forma estruturada de organização e planejamento que vai além dos aspectos territoriais e financeiros.

"Precisamos tirar do papel essa ideia da bioeconomia para ajudar a gerar emprego e renda para os 23 milhões de brasileiros que foram deixados para trás na Amazônia - a região mais rica do Brasil em termos de recursos naturais, porém com uma população que vive com os piores índices de desenvolvimento humano", afirmou o ministro em entrevista à Voz do Brasil.

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Tecnologia e meio ambiente

Convidado especial da Semana Nacional das Comunicações, o ministro do Meio Ambiente falou sobre como a nova geração de internet móvel - o 5G, que deverá ser leiloado ainda no primeiro semestre de 2021 - poderá influenciar nas políticas de proteção ambiental.

Para o ministro, uma combinação de recursos tecnológicos e de atuação física nos locais de preservação contribuem para o meio ambiente. "Temos uma boa estrutura. Nós utilizamos diversas fontes de dados, dentre eles satélites nacionais e do exterior também. O importante é termos não só tecnologia, mas capacidade de atuação. São coisas que se complementam", explicou.

Salles lembrou do lançamento do satélite Amazonia 1, que além de benefícios tecnológicos para o Programa Espacial Brasileiro, monitora constantemente focos de incêndio e de desmatamento na ampla região de florestas brasileiras.

Wifi nos parques

Segundo o ministro, outro aspecto importante do leilão do 5G é a ampliação do sinal 4G em áreas remotas - o que permitirá que o sinal alcance parques e reservas ecológicas com mais facilidade, o que deve incentivar e facilitar o turismo nessas regiões.

A iniciativa também é prevista no programa Conecta Parques, que deve beneficiar 10 milhões de visitantes, segundo o ministério. "As pessoas querem visitar os parques e tirar fotos, mandar para a família, para os amigos, subir nas redes sociais. É importante que isso tenha uma boa cobertura."

Divulgação

Acordos internacionais

O ministro afirmou que acredita que haverá benefícios com a nova tecnologia também para os estudos que envolvem o mapeamento da fauna e flora e o patrimônio genético brasileiro. "O Brasil fez a ratificação do protocolo de Nagoya, que permite que o Brasil consiga utilizar a biodiversidade e também terceiros possam utilizá-la. Para tudo isso acontecer dentro das regras, a tecnologia é fundamental."

Sobre a Cúpula de Líderes para o Clima, Salles afirmou que o Brasil não pode ser classificado como "vilão ambiental", e que as solicitações e acordos internacionais também devem oferecer contrapartidas para lidar com os problemas de preservação internos.

"O Brasil está longe de ser um vilão ambiental. Temos 84% da Amazônia preservada. 66% da vegetação nativa está preservada. Temos um código florestal que nenhum outro país tem. Assinamos o Protocolo de Kyoto, que prevê ações para o clima, e recebemos apenas um terço do que foi prometido", explicou.

O ministro informou que o Brasil possui ativos não creditados em acordos e parcerias internacionais, e esclareceu que o país tem pouca contribuição na mudança climática.

"Temos uma série de ativos que o Brasil não recebeu. Somos chamados para ajudar no problema das mudanças climáticas - que não é da nossa participação. Somos apenas 3% das emissões, os outros países têm muito mais. Se ajudamos a resolver o problema da mudança climática, que não é causado por nós, também queremos que nos ajudem a resolver o problema do desmatamento", argumentou.

Adote um parque

Lançado em fevereiro deste ano, o programa Adote um Parque é uma das iniciativas prioritárias do ministro. Pensado para permitir que pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, possam ajudar na preservação de santuários ambientais brasileiros, o programa já conseguiu aporte para 8 parques nacionais, e pode chegar a R$ 3,2 bilhões de reais em apoio direto ao meio ambiente.

"[O programa] foi um sucesso. Tinha uma outorga prevista em R$ 700 mil reais e que arrecadou 20 milhões. A quantidade de empregos, oportunidades, desenvolvimento e preservação ambiental que o programa nacional de concessões de parques vai gerar é muito importante", informou.

Institucional

Época de queimadas

Segundo Salles, os reforços para a fiscalização e combate durante a época das queimadas já estão sendo providenciados. Serão 3,3 mil novos brigadistas, 10 aviões de combate ao fogo, helicópteros e viaturas destacadas especificamente para deter as queimadas antes de atingirem grandes proporções.

Salles destacou, no entanto, que medidas de prevenção nas esferas estaduais e municipais são as mais importantes, já que o governo federal não tem influência nas políticas regionais. "É preciso agir preventivamente. Quem autoriza isso são os estados, às vezes até os municípios, não o governo federal. Quando não se faz o uso preventivo do fogo e de outras medidas, quando chega a queimada, ela atinge grandes proporções."

Lixão Zero

O ministro lembrou ainda sobre o recorde atingido pelo país em 2020, que registrou 97% de reciclagem do alumínio utilizado. Para Salles, acordos de logística reversa e o marco do programa Lixão Zero foram grandes contribuições para o marco.

"Ter a logística reversa significa trazer de volta o produto, reciclar, reinserir na economia. Junto com o programa Lixão Zero, com tecnologia e utilização do lixo para geração de energia elétrica, vamos combater essa praga, que é o uso de lixões Brasil afora", concluiu.

Maior leilão da história trará o 5G ao Brasil

Muito mais do que uma internet mais rápida, a tecnologia 5G, que deverá chegar ao Brasil até o fim do ano, irá revolucionar toda a sociedade e os meios produtivos. "Não se trata de mais um G e sim de um guarda-chuva que envolve e potencializa outras tecnologias", afirma o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Leonardo Euler de Moraes, em entrevista ao programa Brasil em Pauta.

Institucional

Leilão do 5G: entenda o que vem por aí e conheça as novidades

Prevista para estar disponível nas 27 capitais brasileiras até julho de 2022, a internet 5G é vista, tanto pelo governo federal quanto por empresas de tecnologia e de telecomunicações, como uma revolução tecnológica abrangente. A implementação desta tecnologia no Brasil promete trazer diversas inovações que vão se refletir em maior produtividade, avanços na economia e na qualidade de serviços.

Semana Nacional das Comunicações

De ontem (3) a domingo (9/05), os veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) publicam o Especial Conecta, com conteúdos sobre a Semana Nacional das Comunicações. O especial vai reunir reportagens sobre história das telecomunicações, 5G, Internet das Coisas, o impacto das novas tecnologias na educação e no agronegócio, entre outros temas.

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