Opinião

BNDES: Brasil precisa avançar muito em inovação

Afirmação foi feita na durante a 14ª Conferência Anpei.

Redação TN/ Ascom Anpei
29/04/2014 17:57
BNDES: Brasil precisa avançar muito em inovação Imagem: Divulgação Visualizações: 961

 

Brasil precisa avançar muito em inovação, afirma presidente do BNDES
Luciano Coutinho diz que o Brasil tem debilidades, mas pode aproveitar seus pontos fortes para gerar desenvolvimento tecnológico e inovação.
Apesar do amadurecimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, o Brasil precisa avançar muito ainda se quiser se tornar um ator de peso em inovação no mercado internacional. O País ainda tem debilidades, mas pode aproveitar seus pontos fortes para explorar as várias oportunidades que o desenvolvimento tecnológico vem gerando em termos de novos negócios, de forma a exercer um papel de protagonismo no mundo global.
Essas foram as posições apresentadas por Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a 14ª Conferência Anpei, evento realizado nesta segunda e terça-feira, em São Paulo.
Coutinho fez um breve histórico sobre a evolução da economia brasileira dos anos 1980, marcados pela crise da dívida externa, alta inflação e instabilidade, para o período atual. Após a conquista da estabilidade da moeda com o Plano Real, em 1994, o Brasil ainda passou por um período crítico até, pelo menos, o começo dos anos 2000. Em seu relato, o presidente do BNDES destacou que, nesse período, o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação foi amadurecendo, com os empresários se engajando cada vez mais nas atividades de inovação, até chegar ao atual estágio de atração de centros de pesquisa de grandes empresas para o País.
"Uma das nossas debilidades é que não pudemos desenvolver no Brasil uma base de indústrias de tecnologia de informação e comunicação, especialmente software e serviços, que são o principal motor de inovação no complexo empresarial", apontou. Além disso, segundo ele é possível identificar, no mercado global, um grupo de seis ou sete setores em que o ciclo de inovação é rápido. "Esses setores são relativamente pequenos no Brasil, onde há um peso maior dos segmentos mais intensivo em escala [de produção] e onde peso relativo da inovação é menor", disse. "Há um problema de configuração das indústrias que se somou ao cenário da crise. Isso explica o Brasil ter 0,5% do gasto privado em inovação em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB)", prosseguiu.
Para o economista, o Brasil vive um momento privilegiado, já que a economia tem seus fundamentos preservados, o que permite o desenho de estratégias de longo prazo. "Isso está em nossas mãos e precisamos fazê-lo em um momento no qual a crise acirrou a concorrência e também porque, não obstante a crise, muitas das principais economias emergentes e desenvolvidas tiveram uma compreensão estratégica do papel da inovação. Os países que assim o fizeram, ao invés de recuar, avançam no engajamento", analisou.
Para ele, diversas oportunidades estão se abrindo. Ele citou a forte aceleração tecnológica em vários campos, como a explosão da telefonia móvel, dos sistemas wireless, dos aparelhos de processamento baratos e diversificados, o potencial da microeletrônica, a nova sociabilidade promovida pela internet e a internet das coisas (em que pequenos artefatos, sensores e chips emissores de radiofrequência permitirão a automação de objetos diversos), sistemas de smart grids, gerenciamento de grandes bancos de dados, além das transformações no campo das ciências da vida, da saúde, com novas aplicações.
"Os sistemas de infraestrutura e de informação vão mudar o paradigma, e nesses momentos surgem janelas de oportunidade. Precisamos pensar em como o Brasil pode capturar alguns desses processos", destacou. Para isso, Coutinho defendeu que o Brasil utilize seus vetores competitivos, como a capacidade de explorar petróleo em águas profundas e inovações para o agronegócio. "Vejo mais oportunidades do que riscos. O risco que corremos é o da inação, da 04:19 28/04/2014apontou.
"Temos capacidade de avançar, de coordenar políticas", prosseguiu. Ele citou como exemplo positivo o Plano Inova Empresa. Dos R$ 32 bilhões para investimento até final de 2014, R$ 16 bilhões já foram contratados. "Ainda que os instrumentos tenham de ser aperfeiçoados, o setor privado está respondendo de maneira ativa, o que, tenho certeza, vai gerar uma mudança de quadro nas próximas edições da Pintec", destacou. "Tenho convicção e confiança de que não há nada no Brasil e em seu sistema empresarial e de ciência e tecnologia que nos impeça de galgar um lugar competitivo no mundo", encerrou.


Apesar do amadurecimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, o Brasil precisa avançar muito ainda se quiser se tornar um ator de peso em inovação no mercado internacional. O País ainda tem debilidades, mas pode aproveitar seus pontos fortes para explorar as várias oportunidades que o desenvolvimento tecnológico vem gerando em termos de novos negócios, de forma a exercer um papel de protagonismo no mundo global.

Essas foram as posições apresentadas por Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a 14ª Conferência Anpei, evento realizado nesta segunda e terça-feira, em São Paulo.

Coutinho fez um breve histórico sobre a evolução da economia brasileira dos anos 1980, marcados pela crise da dívida externa, alta inflação e instabilidade, para o período atual. Após a conquista da estabilidade da moeda com o Plano Real, em 1994, o Brasil ainda passou por um período crítico até, pelo menos, o começo dos anos 2000. Em seu relato, o presidente do BNDES destacou que, nesse período, o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação foi amadurecendo, com os empresários se engajando cada vez mais nas atividades de inovação, até chegar ao atual estágio de atração de centros de pesquisa de grandes empresas para o País.

"Uma das nossas debilidades é que não pudemos desenvolver no Brasil uma base de indústrias de tecnologia de informação e comunicação, especialmente software e serviços, que são o principal motor de inovação no complexo empresarial", apontou. Além disso, segundo ele é possível identificar, no mercado global, um grupo de seis ou sete setores em que o ciclo de inovação é rápido. "Esses setores são relativamente pequenos no Brasil, onde há um peso maior dos segmentos mais intensivo em escala [de produção] e onde peso relativo da inovação é menor", disse. "Há um problema de configuração das indústrias que se somou ao cenário da crise. Isso explica o Brasil ter 0,5% do gasto privado em inovação em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB)", prosseguiu.

Para o economista, o Brasil vive um momento privilegiado, já que a economia tem seus fundamentos preservados, o que permite o desenho de estratégias de longo prazo. "Isso está em nossas mãos e precisamos fazê-lo em um momento no qual a crise acirrou a concorrência e também porque, não obstante a crise, muitas das principais economias emergentes e desenvolvidas tiveram uma compreensão estratégica do papel da inovação. Os países que assim o fizeram, ao invés de recuar, avançam no engajamento", analisou.

Para ele, diversas oportunidades estão se abrindo. Ele citou a forte aceleração tecnológica em vários campos, como a explosão da telefonia móvel, dos sistemas wireless, dos aparelhos de processamento baratos e diversificados, o potencial da microeletrônica, a nova sociabilidade promovida pela internet e a internet das coisas (em que pequenos artefatos, sensores e chips emissores de radiofrequência permitirão a automação de objetos diversos), sistemas de smart grids, gerenciamento de grandes bancos de dados, além das transformações no campo das ciências da vida, da saúde, com novas aplicações.

"Os sistemas de infraestrutura e de informação vão mudar o paradigma, e nesses momentos surgem janelas de oportunidade. Precisamos pensar em como o Brasil pode capturar alguns desses processos", destacou. Para isso, Coutinho defendeu que o Brasil utilize seus vetores competitivos, como a capacidade de explorar petróleo em águas profundas e inovações para o agronegócio. "Vejo mais oportunidades do que riscos. O risco que corremos é o da inação, da 04:19 28/04/2014apontou.

"Temos capacidade de avançar, de coordenar políticas", prosseguiu. Ele citou como exemplo positivo o Plano Inova Empresa. Dos R$ 32 bilhões para investimento até final de 2014, R$ 16 bilhões já foram contratados. "Ainda que os instrumentos tenham de ser aperfeiçoados, o setor privado está respondendo de maneira ativa, o que, tenho certeza, vai gerar uma mudança de quadro nas próximas edições da Pintec", destacou. "Tenho convicção e confiança de que não há nada no Brasil e em seu sistema empresarial e de ciência e tecnologia que nos impeça de galgar um lugar competitivo no mundo", encerrou.

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