Indústria naval

BNDES estuda R$ 900 mi para estaleiros

Valor Econômico
26/08/2005 00:00
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Três projetos estão sendo analisados e já passaram pela primeira fase do processo no banco

O BNDES acatou as cartas consultas de três projetos de construção de novos estaleiros no país, com pedidos de crédito no valor total de R$ 900 milhões, enquadrando-os como passíveis de serem financiados pela instituição.
Dois desses projetos, um da Camargo Corrêa, a ser construído em Suape (PE) e outro da Aker Promar, no porto do Rio Grande (RS), estão sendo planejados para atender as encomendas da Transpetro, de 42 novos navios petroleiros para a Petrobras, conforme licitação em curso.
O terceiro foi apresentado pelo grupo americano Edson Chouest, que opera no Golfo do México, e programa fazer um estaleiro no Brasil, em Itajaí (SC), para fabricar navios de apoio também para a petroleira estatal.
Haroldo Fialho Prates, do departamento de Indústria Pesada do BNDES, informou que as empresas terão agora que enviar ao banco detalhamento dos projetos para serem analisados e, posteriormente, submetidos para aprovação da diretoria. Ele acredita que pelo menos os novos estaleiros da Camargo Corrêa e da Aker Promar deverão contar com desembolsos de recursos oficiais ainda este ano. O estaleiro do grupo americano poderá demorar um pouco mais, pois sua carta consulta foi avaliada depois.
Prates acredita que estes projetos poderão estar sinalizando um novo "boom" da indústria de construção naval brasileira, que nos anos 80 chegou a ser a segunda no ranking mundial depois do Japão. Ele defende que as empresas estão sendo estimuladas a entrar no setor por conta da licitação da Transpetro, que agora em setembro divulga os nomes dos grupos que participarão da segunda etapa da concorrência enviando propostas comerciais.
"A indústria do petróleo está ressuscitando a indústria naval no país. Hoje, já temos 23 mil empregados nas áreas de navios de apoio da Petrobras, ante 800 nos anos 90 e 40 mil, nos anos 80", contou.
Para o BNDES é importante financiar esta indústria, mas Prates considera que a negociação da garantia é a parte mais complicada da negociação com os tomadores do setor. O banco pode emprestar 90% do valor total do projeto com recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM), que hoje conta com um caixa de R$ 1,8 bilhão. "Atuamos como agente financeiro do FMM, somos seus repassadores. Mas, quem arca com o risco de toda a operação é o banco", revelou Prates.
No caso dos grupos recém-enquadrados, o executivo acredita que o BNDES não terá problemas com garantias, pois todos têm boa nota de risco. A Camargo Corrêa está fechando um acordo de assistência técnica com grupos japoneses para construir seu estaleiro, avaliou. A Aker é uma empresa norueguesa ativa nesta área e já arrendou no Brasil o estaleiro da McLaren em Niterói, em associação com a Promar. Agora está disposta a investir num novo estaleiro no Sul. O grupo americano é também um dos maiores nesta área, nos EUA, disse o diretor do BNDES.
Mas, como contou o executivo do banco, de modo geral, o setor naval brasileiro é bastante endividado, o que mantém o BNDES sempre preocupado com a questão das garantias. "Quem encomenda o navio nem sempre assume o risco no período de sua construção, como é o caso da Petrobras/Transpetro", destacou.
Em 2003, o banco deixou de financiar quatro petroleiros da Petrobras por falta de garantia real. No ano passado, sua diretoria propôs ao governo federal incorporar em artigo da nova lei que regulamenta o FMM a criação de um fundo garantidor, que desse "conforto" aos financiadores do setor naval, viabilizando tecnicamente o banco a assumir o risco do crédito no período de construção dos navios. Mas, a Presidência da República vetou a criação do fundo.

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