Investimentos

BNDES prevê mais desembolsos em 2009

Valor Econômico
12/12/2008 02:20
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Contrário às perspectivas mais sombrias de redução do consumo no país, o Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES) vê mais investimentos no varejo em 2009.

 


A escassez de crédito nos demais bancos deve impulsionar a procura por financiamento no banco de fomento, avalia o chefe do departamento de Bens de Consumo, Comércio e Serviços do BNDES, Carlos Eduardo Castello Branco.

 

Ele projeta aumento na procura por crédito no banco, especialmente por meio da nova linha de R$ 6 bilhões de capital de giro lançada recentemente. Ele acredita que o volume de contratações de crédito será superior ao de 2008, mas ainda inferior ao de 2007, quando houve forte alta na renda dos consumidores. De janeiro a novembro deste ano, os desembolsos para varejistas somaram R$ 4,391 bilhões. No ano passado, o BNDES desembolsou R$ 5,720 bilhões. E em 2006, R$ 1,608 bilhão.

 

A redução do crédito em 2008 tem pouco a ver com crise e mais relação com a execução dos investimentos e até com o forte crescimento do segmento de alimentos em 2007, que tomou mais da metade do desembolso ao varejo no período. Em 2007, o banco realizou grandes desembolsos, como o de R$ 664 milhões à rede francesa de supermercados Carrefour, e diversas operações de crédito inferiores a R$ 10 milhões para pequenos varejistas da alimentação em todo o país.

 

“Até setembro (deste ano), estávamos em um processo de crescimento, de procura. O que está ocorrendo agora é que as empresas estão olhando com cuidado porque são as primeiras a sentir qualquer baixa no consumo, mas ainda não sentiram. O próprio consumo ainda não está afetado. O que eles estão sentindo fortemente é a retração do crédito para eles”, disse Castello Branco.

 

Os recursos do banco são geralmente destinados a abertura de lojas e reforma das existentes. O chefe do departamento do BNDES avalia que, devido à forte concorrência no setor, desde os segmentos de supermercados e de postos de gasolina ao de confecções, o investimento não vai arrefecer, mesmo com a possibilidade de enfraquecimento do consumo. “O varejo tem que investir constantemente porque, como lida com o consumidor final, precisa ter uma loja atraente. A loja não pode ficar velha ou feia, senão o consumidor não entra. E tem a concorrência acirrada. Ele tem que investir; é uma coisa permanente.”

 

Muitos empresários, diz Castello Branco, apostam que a crise vai passar e enxergam o momento como oportunidade. “É um momento de crescer para ficar com uma fatia de mercado diferenciada à frente. Eles acham que quem conseguir agora será mais competitivo”, diz ele. Existe a possibilidade de varejistas de menor porte, menos capitalizadas, fecharem as portas. E esse espaço seria ocupado pelas mais bem preparadas.

 

Ele acredita que, desde outubro, a crise tem estado mais concentrada no segmento de automóveis e da linha branca (como fogões, geladeiras e lavadoras de roupa). Nos setores de alimentos e de varejo de vestuário e de remédios, o consumidor continuará comprando. “Os produtos de uso mais cotidiano, pessoal, esses setores têm sentido menos, aparentemente até agora”, avalia Castello Branco.

 

Outro ponto a favor do consumo e do crédito diz respeito ao crescimento econômico das regiões Norte e Nordeste, onde a renda tem aumentado mais em relação ao resto do país e o empresariado do varejo tem preferido expandir seus negócios. Outro fator que corrobora para o crescimento do financiamento ao investimento é o atual aumento da formalização do setor. Como o BNDES exige da empresa a formalização nas áreas trabalhista, fiscal e previdenciária, a perspectiva é da entrada de novos tomadores de crédito no banco.

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