Negócios

BP negocia uma venda de US$ 10 bilhões em ativos

Valor Econômico
12/07/2010 09:23
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A BP está negociando um acordo de até US$ 10 bilhões com a produtora independente de petróleo e gás Apache Corp., dos Estados Unidos. O negócio pode incluir participações na vasta operação da BP no Alasca, segundo pessoas a par do assunto.
 
Uma transação, que ajudaria muito a BP a lidar com a pressão financeira dos custos pela limpeza do vazamento no Golfo do México, pode ser fechada nas próximas semanas, embora não haja garantia de que ela será concluída, dizem as fontes.
A BP e a Apache se recusaram a comentar.
 
Acredita-se que o acordo inclua participações nos campos de petróleo da BP no Alasca, onde a petrolífera é uma grande operadora.
 
Essa é uma das várias opções que a empresa britânica está estudando para captar recursos, enquanto tenta conter o derramamento de petróleo que sujou porções enormes da costa do Golfo do México.
 
A BP já suspendeu o pagamento de dividendos e cortou investimentos.
 
A companhia também informou que planeja vender o equivalente a US$ 10 bilhões em ativos considerados não essenciais nos próximos 12 meses, embora não tenha especificado quais. Essas medidas vieram depois que, cedendo a pressões da Casa Branca, a petrolífera concordou em criar um fundo especial de US$ 20 bilhões para cobrir indenizações relacionadas ao vazamento.
 
A venda de ativos representa um elemento dentro de um esforço amplo da BP para levantar recursos. A petrolífera também assegurou novas linhas de crédito e pode fazer uma oferta de bônus, de acordo com pessoas a par do assunto. Essas fontes dizem que a BP pode anunciar o acordo com a Apache, ou outras vendas de ativos, em 27 de julho, dia em que divulga o resultado do segundo trimestre. Os investidores também estão esperando boas notícias em relação ao poço de alívio que ela está perfurando para interceptar o poço Macondo que está derramando petróleo e tampar o vazamento.
 
A BP tem consistentemente afirmado que vai finalizar o poço de alívio em agosto, mas alguns sinais sugerem que isso pode acontecer antes.
 
O maior otimismo em relação ao futuro da BP contribuiu para elevar sua ação em 20% nas últimas duas semanas. Depois de atingir a cotação mais baixa em 14 anos, 302,9 pence no dia 29 de junho, a ação da BP fechou sexta-feira em Londres valendo 364,8 pence.
 
No fim de semana, a BP começou uma operação para remover um equipamento de contenção do poço que está jorrando e substituí-lo por uma tampa mais apertada que deve capturar todo o petróleo e gás que está saindo de Macondo. A operação, iniciada no sábado, vai levar de quatro a sete dias, informa a BP. Mas a remoção da tampa atual signfica que o petróleo e o gás vão fluir livremente do poço por algum tempo, agravando o nível de poluição.
 
Pessoas próximas do assunto dizem que a BP está caminhando em duas direções com a venda de ativos: negocia com várias empresas a venda de uma grande variedade de ativos e também está em discussões "significativas" com uma única companhia - a Apache - para um pacote avaliado em US$ 10 bilhões. Se a BP conseguir concluir a transação, poderá haver uma redução da pressão sobre a empresa para vender ativos. A negociação com a Apache foi noticiada no domingo pelo jornal "The Times", de Londres.
 
A BP abriu seu primeiro escritório no Alasca em 1959 e tem uma participação de 26% no campo da Baía de Prudhoe - que, mesmo depois de 33 anos de produção, continua a ser o maior campo de petróleo da América do Norte. A petrolífera opera outros 14 campos em North Slope e tem uma participação minoritária em outros 6. A empresa também opera 4 oleodutos na região e tem uma grande participação no oleoduto Trans-Alasca, de 1.287 quilômetros, que leva petróleo da Baía de Prudhoe ao porto de Valdez.
 
Mas os ativos da empresa no Alasca são maduros e a produção lá está decaindo gradualmente. No ano passado, a BP produziu 181.000 barris diários de petróleo e gás no Alasca, ante 197.000 por dia em 2008.
Além da queda na produção, a BP também tem sofrido problemas operacionais no Alasca. Em 2006, o vazamento em um oleoduto levou ao despejo de 200.000 barris na região de North Slope. Num acordo para encerrar um processo criminal, no ano seguinte, a BP assumiu a culpa por violação de uma lei de limpeza da água e pagou US$ 20 milhões em multas e restituições. Desde então, empresa sofreu outros vazamentos e rupturas de oleodutos no Alasca.
 
A BP tem uma história de grandes negócios com a Apache. Em 2003, a petrolífera vendeu à petrolífera independente o campo de Forties, no Mar do Norte, e também um pacote de ativos em águas rasas no Golfo do México, por US$ 1,3 bilhão.
 
A Apache tem a reputação de abocanhar grandes ativos maduros e usar tecnologia de ponta para extrair mais petróleo deles - uma estratégia que tem usado com sucesso no Mar do Norte e no Golfo do México.
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