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Brasil e Chile firmam parceria na área tecnológica de biocombustíveis

ABN News
01/12/2010 10:29
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O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/MCT), em Campinas (SP) firmou este mês um acordo de cooperação científica com o consórcio chileno Bioenercel SA para o desenvolvimento conjunto da tecnologia de etanol celulósico. Do lado do CTBE, o foco da pesquisa é a conversão do bagaço e palha da cana-de-açúcar em biocombustível; do lado chileno, os esforços se concentram na madeira. Esta colaboração é um marco nas pesquisas em biocombustíveis, pois é o primeiro acordo de colaboração entre países da América do Sul firmado nesta área.
 

O CTBE vai transferir ao grupo parceiro os conhecimentos adquiridos na implantação da sua Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP), que estará concluída em meados de 2011. O objetivo é contribuir para a otimização de processos e criação da indústria de etanol no Chile. Em 2011, os chilenos construirão sua primeira planta piloto para escalonamento de processos relacionados à produção de etanol de segunda geração. O trabalho conjunto com o CTBE serve para validar o parque de equipamentos das plantas de ambos os países.

A infraestrutura de pesquisa do CTBE destinada à produção de enzimas que degradam o material lignocelulósico também será disponibilizada ao Bioenercel. O Laboratório brasileiro produzirá preparados enzimáticos celulolíticos caracterizados de acordo com as Unidades Internacionais estabelecidas para uso em pesquisas sobre etanol de segunda geração (celulósico) no Chile. Produzir enzimas eficientes para converter a celulose da madeira ou da cana em açúcares que possam ser fermentados e transformados em etanol é uma etapa vital à viabilidade econômica desta tecnologia.
 

O acordo assinado engloba, ainda, a elaboração de melhorias na Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar, em desenvolvimento no CTBE. Essa plataforma de simulação computacional de processos possibilita avaliar os impactos ambientais, econômicos e sociais de novas tecnologias na área de cana e etanol. Quando concluída, a Biorrefinaria Virtual deverá contribuir para que empresas, governos e instituições de pesquisa do Brasil e demais países envolvidos no Programa definam prioridades de estudo, avaliem o sucesso de projetos e planejem o investimento em novas tecnologias no setor.


Consórcio Bioenercel


O Consórcio Bioenercel SA, formado pela CMPC Celulose, Masisa, Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, Fundação Chile e Universidade de Concepción, é uma das principais instituições de pesquisa em bioenergia do Chile, país com tradição na indústria de papel e celulose. Sua criação se deu em 2009, a partir do chamado do governo chileno para o Concurso Nacional de Consorcios Tecnológicos Empresariales de Investigación en biocombustibles a partir de material lignocelulósico.


Para o diretor do CTBE, Marco Aurélio Pinheiro Lima, a colaboração firmada permite a transferência do conhecimento nacional na área de etanol ao Chile, de modo a permitir a substituição de uma pequena parcela dos combustíveis fósseis por bioetanol produzido a partir de resíduos florestais, dando início a um círculo virtuoso.


Hoje, os veículos chilenos são capazes de suportar sem avarias uma adição de até 10% de etanol à gasolina. A produção do biocombustível ajudaria o Chile a reduzir a dependência externa de fontes energia que, no caso do petróleo, chega a quase 100% do consumo interno.


Ao mesmo tempo, o intercâmbio de cientistas ajudará o Brasil a tornar o etanol produzido a partir do bagaço e palha da cana-de-açúcar viável em escala industrial.


Futuro


A cooperação entre o CTBE e o consórcio chileno surgiu após reunião do Grupo de Trabalho Bianual Chile-Brasil de Cooperação Científico Tecnológica realizada em agosto último no Ministério de Relações Exteriores do Chile. Lá foram definidas as prioridades de trabalho conjunto entre os países, dentre elas a inovação em biocombustíveis.


Segundo o diretor do Bionercel, Fernando Rioseco, a expectativa é que dentro de quatro anos sejam criadas as bases para o desenvolvimento da indústria chilena de etanol celulósico produzido a partir da madeira. Isto ocorrerá em conjunto com uma avaliação econômica e técnica do setor e com a definição das empresas aptas a atuarem na área. Um dos principais desafios atuais, de acordo com Rioseco, é baixar o alto custo das enzimas utilizadas no processo. Obstáculo semelhante é enfrentado Brasil e demais nações mundiais que disputam a corrida mundial pelo etanol celulósico.

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