Energia elétrica

Brasil: risco de 0,1% de déficit de energia este ano

Redação/Agência Brasil
04/08/2017 08:41
Brasil: risco de 0,1% de déficit de energia este ano Imagem: Divulgação Visualizações: 1060

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) informou ontem (3) que o risco de déficit de energia este ano é de 0,1%. O percentual considera a situação dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste.

O colegiado é responsável pelo acompanhamento das condições de abastecimento e pelo atendimento ao mercado de energia elétrica do país. Em reunião nesta quinta-feira, o Operador Nacional do Sistema (ONS) apresentou dados do Plano de Operação Elétrica para 2017. O plano avalia o desempenho dos sistemas elétricos nacionais interligados, tomando como projeção o período de janeiro de 2018 a abril de 2019.

Segundo o comitê, ao final do mês de julho, verificaram-se percentuais de Energia Armazenada (EAR) de 38,4%, 71,1%, 15,3% e 59,4% respectivamente nos reservatórios equivalentes dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, “referenciados às respectivas EAR máximas. Os valores esperados de armazenamentos equivalentes ao final do mês de agosto são: 32,6% no Sudeste/Centro-Oeste, 60,5% no Sul, 11,5% no Nordeste e 50,0% no Norte”, acresentou o colegiado.

O ONS informou também que, em termos de Energia Natural Afluente (ENA) bruta, “foram verificados no mês de julho de 2017 os valores de 79% no Sudeste/Centro-Oeste, 38% no Sul, 31% no Nordeste e 60% no Norte, referenciados às respectivas médias de longo termo (MLT).”

A ENA reflete o volume de energia que pode ser produzido de acordo com o regime de chuvas em determinado local. Quanto maior a ENA, maior a quantidade de energia possível de ser produzida.

O ONS acrescenta que as informações apontam para uma situação de neutralidade na temperatura superficial do Oceano Pacífico Equatorial e que tal cenário “não deve interferir significativamente no regime pluviométrico nos próximos meses. Os dados mostram ainda que “previsões recentes indicam com maior probabilidade a continuação de uma situação de neutralidade ao longo deste ano.

Ainda durante a reunião, a Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia informou que a expansão do sistema no ano de 2017, até o mês de julho, “totalizou 3.708,5 MW de capacidade instalada de geração, 1.139,7 km de linhas de transmissão de Rede Básica e conexões de usinas e 8.039 MVA de transformação na rede básica”. A secretaria destacou ainda a entrada em operação comercial da sexta unidade geradora da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, com 611 MW de capacidade instalada.

Rio São Francisco

Apesar da avaliação, o ONS destacou que, em razão da escassez de chuvas, foi emitida autorização pela Agência Nacional de Águas (ANA) para a redução das vazões defluentes dos reservatórios de Sobradinho e Xingó para o valor médio diário de 550m³/s. No entanto, para que os testes com essa vazão sejam iniciados, é necessário que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também emita sua autorização, o que está sendo aguardado.

De acordo com simulações do operador, o quadro de situação desfavorável continua. Simulações atualizadas de expectativa de armazenamento nas usinas hidrelétricas de Três Marias, Sobradinho e Itaparica, ao longo do período seco, “utilizando os piores cenários de afluências verificados no histórico, [...] têm se aproximado da realidade vivenciada atualmente”.

Os resultados mostram que os níveis de armazenamento de Três Marias e de Sobradinho atingirão 4,1% e -1,0% dos volumes úteis dos reservatórios, respectivamente, ao final do período seco, em novembro. O ONS observa que, "caso a vazão defluente de Xingó seja reduzida para 550m³/s a partir do mês de setembro, o reservatório de Sobradinho conseguirá manter-se acima de seu nível mínimo operativo, com 0,3% do volume útil ao final do período".

A situação de Sobradinho, maior reservatório do país em área alagada, é preocupante. O Lago de Sobradinho, na Bahia, principal regulador de águas da Bacia do São Francisco, iniciou o mês de agosto com apenas 10% de sua capacidade total de armazenamento, o pior resultado para este mês desde que foi formado, em 1980. Por causa da situação crítica, o volume de água guardada equivale a menos da metade do que Sobradinho tinha em agosto do ano passado.

Para o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, diante do atual quadro de escassez hídrica na Bacia do São Francisco, é necessário o permanente “acompanhamento da evolução das condições hidrometeorológicas da bacia e do armazenamento dos reservatórios de Três Marias e Sobradinho, visando identificar a necessidade de implementação de medidas adicionais".

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