Petroquímica

Braskem avança nos EUA e México

Valor Econômico
28/06/2011 09:40
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A Braskem vai investir mais de US$ 4 bilhões para acelerar seu plano de internacionalização, apurou o Valor. A petroquímica brasileira, que tem a Petrobras como sócia, se prepara para produzir fora do Brasil cerca de 5 milhões de toneladas de resinas termoplásticas a partir de 2015, dobrando sua capacidade atual de produção. Os aportes permitirão à companhia saltar da oitava posição no ranking global para figurar entre as cinco maiores do mundo, se concretizados os projetos em curso.
 
 
Os Estados Unidos, onde a Braskem possui três fábricas desde o ano passado, que pertenciam à Sunoco, e o México, país escolhido pela companhia para tocar o projeto Etileno XXI, estão entre os principais pilares de expansão do grupo fora do país.
 
 
Em entrevista ao Valor, Luiz de Mendonça, responsável pelos projetos internacionais e de resinas verde da Braskem, confirma os planos de expansão do grupo, mas não quis confirmar o montante de investimentos que deverão ser feitos. O executivo afirmou que a companhia tem trabalhado pesado para ampliar sua presença fora do Brasil. A meta é dobrar a produção do grupo para 10 milhões de toneladas. Ou seja, produzir fora do país, sobretudo em território norte-americano, o mesmo volume do mercado interno. "Se tornou muito mais interessante ficar nos EUA."
 

Segundo Mendonça, o projeto do México, que está em fase final de engenharia básica, com previsão para entrar em operação em 2015, ganhou papel fundamental para a expansão da companhia na América do Norte. Originalmente, os investimentos no México, de US$ 2,5 bilhões em parceria com a petroquímica local Idesa, previam a construção de três fábricas, com capacidade de produção total de 1 milhão de toneladas de etileno e polietileno. A Braskem tem 65% de participação nessa joint venture.
 

Com a maior relevância dos EUA no plano de expansão do grupo, o projeto no México deverá ser reavaliado para elevar a capacidade de produção, disse Mendonça. Desde 2002 na Braskem, o executivo, que também passou pela Rhodia, foi nomeado este ano por Carlos Fadigas, presidente do grupo, para dar continuidade aos projetos de expansão fora do Brasil. Os planos anunciados pelo grupo na Venezuela, Peru e Bolívia continuam no radar da empresa, mas o ritmo desses negócios segue um pouco mais lento em função da nova prioridade geográfica do grupo. "Estão em 'pause'"
 

As três unidades industriais da Braskem nos EUA têm capacidade para produzir cerca de 1 milhão de toneladas de polipropileno (PP). Aquisições e construção de novas fábricas em território americano fazem parte dos planos da Braskem. Esses futuros aportes não estão incluídos nos US$ 4 bilhões que deverão ser injetados nos próximos anos. Os negócios também não deverão ser focados somente em polipropileno, foco das três plantas da companhia nos EUA.
 

Mendonça afirmou que o grupo tem acompanhado com interesse a exploração das reservas de gás de xisto ("shale gas") nos EUA - consideradas abundantes nos próximos 50 anos e que já recebem investimentos de grandes refinarias, como a ExxonMobil, Shell e Chevron. A Braskem analisa participar de um "condomínio de empresas" para explorar esse negócio e não descarta investir em uma nova planta em parceria com outras companhias.
 

Independentemente dos planos traçados para o "shale gas", a Braskem já iniciou conversas com a Petrobras para o fornecimento de propeno nos Estados Unidos. A estatal tem uma refinaria com capacidade produção para 100 mil barris/dia no Texas, próxima a uma das plantas da petroquímica brasileira no mesmo Estado americano. Além dos EUA, a estatal petrolífera tem refinarias no Japão e Argentina. Segundo o executivo, conversas ainda incipientes devem indicar que a estatal brasileira deverá ser uma das fornecedoras da Braskem, ao lado da Marathon, LyondelBasell, Chevron e a própria Sunoco. Procurada, a Petrobras não comenta o assunto.
 

Com receita líquida de R$ 27,8 bilhões em 2010, a Braskem possui 28 plantas no Brasil, com capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de resinas.
 

Além das resinas a partir de matéria-prima fóssil (nafta), os planos de expansão do grupo no exterior contemplam os plásticos verdes. No Brasil, a companhia já possui uma fábrica em Triunfo (RS) e está para definir outra unidade na região Centro-Sul do país. Ainda considerado um nicho de mercado, o projeto de produção de resinas verdes poderá se internacionalizar.
 

Mendonça afirmou que a companhia não descarta ter unidades fora do país. No entanto, os projetos atuais estão focados no mercado interno devido à maior abundância de matéria-prima, o etanol, que é produzido em larga escala no Brasil.
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