Negócios

Braskem está de olho na Sunoco

Jornal do Commercio
01/02/2010 09:35
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A Braskem deve anunciar esta semana a aquisição de parte do grupo norte-americano Sunoco. O negócio nos Estados Unidos, desejo anunciado pela companhia brasileira no início do ano passado, é o primeiro passo da empresa no exterior e foi viabilizado a partir da queda dos preços dos ativos naquele país, fruto do impacto da crise mundial nas indústrias norte-americanas do setor.


A própria Sunoco foi uma das empresas afetadas pela combinação de queda da demanda e escassez de linhas de crédito. Desde o final de 2008 a companhia anunciou medidas como o fechamento de linhas de produção, a limitação da distribuição de dividendos e até mesmo a redução de salários de trabalhadores para se adequar ao ambiente global.


A possibilidade de vender ativos também foi comunicada pela empresa, que chegou inclusive a negociar uma refinaria e uma unidade de distribuição de óleo e propano ao longo de 2009. Com isso as ações do grupo, que ultrapassaram US$ 40 antes do agravamento da crise, em 2008, chegaram a cair para a casa de US$ 22 no ano passado e hoje oscilam próximo de US$ 26.


A Braskem, por sua vez, estava em busca de ativos para ingressar no mercado petroquímico norte-americano, o maior do mundo. A companhia, segundo fontes ligadas ao setor, teria, no passado, iniciado negociações para comprar ativos da Dow Chemical e da Nova Chemicals, empresa que foi adquirida em meados do ano passado pelo International Petroleum Investment Company (IPIC), fundo soberano dos Emirados Árabes.


Após perder a disputa por esse ativo, a Braskem intensificou as conversações com grupos norte-americanos e desde o final do ano passado já tem negociações encaminhadas nos Estados Unidos, tendo inclusive assinado acordos de confidencialidade para dar andamento a tais operações. Por isso, a companhia não comenta qualquer possibilidade de negócio nos Estados Unidos, limitando-se a confirmar o interesse em ingressar no mercado norte-americano.



AMERICANOS. Ao negociar a compra de ativos petroquímicos da Sunoco, em uma operação que deve movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, de acordo com rumores do mercado, a Braskem conseguirá finalmente viabilizar a operação idealizada no início de 2009. A prioridade da companhia, segunda fonte próxima à direção da Braskem, é ter contato com o mercado norte-americano, mesmo que esse movimento seja feito a partir da compra de ativos pouco expressivos no ambiente de mercado da maior potência mundial - as principais petroquímicas instaladas nos EUA são a ExxonMobil, Dow e LyondellBasell.


A Sunoco Chemicals, braço petroquímico do grupo, possui nove unidades de produção de insumos como fenol, acetona, benzeno e polipropileno (PP), segundo consta na página eletrônica da companhia. Dessas áreas de negócios, os segmentos de maior interesse para a Braskem são os dois últimos - a companhia brasileira já atua no segmento de petroquímicos básicos e é a maior fabricante de resinas termoplásticas (caso do PP) das Américas.


Com a aquisição de parte do grupo Sunoco, a Braskem também consolida sua presença como consumidora no mercado de gás natural. Utilizado em larga escala nos Estados Unidos como matéria-prima para a produção de petroquímicos básicos, o insumo era usado pela Braskem apenas como fonte energética. Esse cenário mudou na semana passada, com a aquisição da Quattor, que opera a Rio Polímeros (Riopol). A central petroquímica instalada no Rio de Janeiro é o único dos quatro polos brasileiros que não utiliza a nafta como matéria-prima.


O ingresso da Braskem no mercado de gás natural é aguardado há anos. Desde sua criação, em 2002, a companhia tem o nome envolvido em projetos petroquímicos na América Latina. A primeira iniciativa da companhia estava prevista para ocorrer na divisa entre Brasil e Bolívia, mas a falta de segurança de abastecimento de gás resultou no congelamento do projeto.
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