São Paulo

Cana certificada já é realidade

O Estado de S. Paulo
03/12/2008 02:24
Visualizações: 1259

Pequenos e médios produtores de Bariri, região de Jaú (SP), serão os primeiros do país a fornecer cana-de-açúcar certificada para a fabricação do álcool, já na safra 2009/2010. A produção deverá ser de 36 milhões de litros, parte deles possivelmente exportada para a Europa. Baseada num protocolo de gestão de normas agrícolas, sociais e ambientais adotado pela Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Bariri (Assobari), a certificação abrangerá 4 mil hectares de cana, cultivada por 50 produtores, muitos agricultores familiares.

 

A partir de maio, eles começam a fornecer para a usina Della Coletta, de Bariri, 400 mil toneladas de cana certificada para a produção de 36 milhões de litros de álcool, processado dentro das exigências nacionais e internacionais de sustentabilidade. O protocolo foi possível a partir de uma parceria entre a Assobari, o Sebrae, a certificadora Organização Internacional Agropecuária (OIA) e a Usina Della Coletta.

 

TRABALHO COORDENADO

 

Os produtores seguem as normas de um sistema socioambiental introduzido pela OIA; o Sebrae fornece técnicos e cursos de qualificação e a usina processa e vende o álcool, tudo sob auditoria. O resultado final deverá ser um álcool diferenciado, com mais valor agregado e, futuramente, com maior preço de mercado e lucros divididos entre todos.

 

“Antecipamos as exigências européias para comprar o álcool brasileiro. Estamos comprovando que o Brasil pode ter um álcool sustentado, ao contrário do que foi apregoado no exterior”, diz o presidente da Assobari, Fernando César Gregório. Ele explica que, além da parceria, o projeto só foi possível porque há cinco anos os produtores associados vêm perseguindo e cumprindo a legislação ambiental e de segurança no trabalho. “Com isso, foi mais fácil adotar a gestão de qualidade nas propriedades.”
Segundo Gregório, a gestão prevê a introdução de boas práticas agrosocioambientais, que vão desde preparo do solo e preservação ambiental, passando pelo plantio e pela colheita até o acompanhamento final do produto a ser processado e vendido pela usina.

 

“Mais do que certificar, o nosso sistema ensina aos produtores como devem ser as mudanças na propriedade e a maneira de conduzir as atividades para cumprir as normas socioambientais brasileiras e internacionais”, diz o diretor da OIA, Edegar de Oliveira Rosa. As práticas também tiveram de ser adotadas na própria Assobari, com novas técnicas de administração e de pessoal.

 

READEQUAÇÃO

 

A usina também se adaptou. O diretor-superintendente da usina, Roberto Della Coletta, diz que foi preciso readequar o controle ambiental e a gestão administrativa conforme o protocolo. “Na parte ambiental, foram R$ 10 milhões para destinação correta da vinhaça e mais R$ 2 milhões para reaproveitamento de água”, diz.

 

O protocolo também prevê, na usina, uma auditoria para acompanhar o recebimento e processamento da cana e a fabricação e comercialização do álcool produzido. “Mas o mais importante foi o relacionamento estreito entre indústria e fornecedores, essencial para o sucesso do projeto”, diz Coletta.

 

Na última terça-feira, Coletta se reuniu com compradores internacionais interessados no álcool sustentado. “Estamos em contato com certificadoras internacionais, sobretudo da Europa.” Neste ano, a usina exportou 4 milhões de litros de álcool. Para a próxima safra, deve exportar 7 milhões de litros, sendo 4 milhões de álcool sustentado. Segundo o usineiro, dos 2 milhões de toneladas de cana que a usina vai processar na próxima safra, 400 mil toneladas serão certificadas. Na safra deste ano, a Coletta processou 1,7 milhão de toneladas, sendo 900 mil fornecidas pela Assobari, 700 mil de plantio próprio e 100 mil de produtores independentes.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Rio de Janeiro
Prefeitura assina cessão do prédio do Automóvel Clube pa...
13/03/26
Resultado
Porto do Açu bate recorde histórico em movimentações
13/03/26
Meio Ambiente
Após COP30, IBP promove encontro para debater agenda cli...
13/03/26
QAV
Aprovada resolução que revisa as regras voltadas à quali...
13/03/26
Biocombustíveis
ANP participará de projeto de pesquisa sobre aumento de ...
13/03/26
Resultado
Petrobras recolheu R$ 277,6 bilhões de Tributos e Partic...
13/03/26
Internacional
Diesel S10 sobe 16,43% em 12 dias, mostra levantamento d...
13/03/26
Pré-Sal
Shell conclui assinatura de contratos de alienação que a...
12/03/26
Energia Elétrica
Geração distribuída atinge marco de 50 GW e se consolida...
12/03/26
FEPE
FEPE 2026: ação em movimento
11/03/26
Bacia de Santos
Lapa Sudoeste inicia produção, ampliando a capacidade no...
11/03/26
Pré-Sal
Primeiro óleo de Lapa Sudoeste consolida produção do pré...
11/03/26
Gás Natural
Gas Release pode atrair novos supridores e criar competi...
11/03/26
Resultado
PRIO registra receita de US$ 2,5 bilhões em 2025 com exp...
11/03/26
Bacia de Santos
Brasil: Início da Operação de Lapa Sudoeste
11/03/26
Pré-Sal
Seatrium impulsiona P-78 à injeção do primeiro gás após ...
11/03/26
PPSA
Assinatura de contratos de Mero e Atapu consolida result...
11/03/26
Empresas
Justiça suspende aumento de IRPJ e CSLL e decisão pode i...
10/03/26
Biodiesel
Setor de Combustíveis Defende Liberação da Importação de...
10/03/26
Macaé Energy
No Macaé Energy 2026, Firjan promove edição especial do ...
09/03/26
Dia Internacional da Mulher
Dia da Mulher: elas contribuem para avanços no setor ene...
09/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.