Negócios

Cemig próxima de comprar a Ampla

Jornal do Commercio
02/03/2010 09:26
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A compra da distribuidora Ampla, que atua no Rio de Janeiro, pela Cemig, é um negócio praticamente fechado e está dependendo apenas de burocracia interna da controladora internacional da empresa. "O negócio está andando. Mas a Endesa é uma empresa lenta", comentou uma fonte ligada ao setor, citando a controladora da companhia, a espanhola Endesa, que foi comprada no ano passado em parceria pela italiana Enel e a alemã EON. Os italianos ficaram com os ativos da Endesa na América Latina e já se desfizeram da Terna, empresa que possui linhas de transmissão junto à Cemig.


Os rumores desta negociação já duram quase um ano. Para o professor Nivalde Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, há um "rearranjo" do setor em todo o mundo movido pela crise econômica financeira mundial que afetou os balanços de todas as companhias no ano passado. "Os grupos espanhóis e italianos que atuam no Brasil estavam muito endividados porque alavancaram altos investimentos recentemente, e viram sua liquidez ser reduzida consideravelmente com a crise. Ficaram com uma situação difícil em seu balanço financeiro e chegaram a ser rebaixados pelas agências de classificação de risco", avaliou.


Para ele, a venda de ativos menos interessantes é a melhor saída para estas companhias reduzirem suas dívidas e se capitalizarem novamente para outros investimentos mais interessantes. No caso dos antigos ativos da Endesa, segundo analistas, o menos atrativo seria a Ampla. A companhia espanhola possui uma forte posição nos países vizinhos ao Brasil, mas aqui está representada na Ampla e na Coelce.


"A empresa é um forte player nos países da América Latina, mas não tem planos de investimentos no Brasil. Aqui estão seus ativos menos atrativos. Na distribuidora cearense, pelo menos há pagamento de dividendos, há uma situação mais confortável. Já a Ampla seria a mais fácil de ser descartada", comentou Ricardo Correa, da Ativa Corretora. Para o analista, a compra da empresa faz sentido para a Cemig, já que a mineira possui o controle da Light, distribuidora que também atua no mercado do Rio de Janeiro.


Com a compra da Ampla, acreditam analistas, a Cemig ampliaria sua área de atuação para um mercado próximo ao seu. "Isso dá ganho de escala", lembra o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. Em sua análise, a extensão da Cemig para o mercado do Rio de Janeiro consolida a posição de uma das acionistas da companhia, a construtora Andrade Gutierrez. "Na prática, a construtora tem interesse de correr atrás do prejuízo. Ou seja, quer ampliar sua atuação na área de distribuição para disputar de igual para igual o mercado consumidor com sua principal concorrente, a Camargo Correa".


Esta, por sua vez, possui o controle da CPFL, e está envolvida na principal negociação do setor , que costura a criação de uma gigante elétrica, com forte participação estatal. "Será na mesma linha do que já ocorreu na área petroquímica, de celulose e entre os frigoríficos", lembra Pires.


Há ainda, segundo fontes do setor, uma tentativa da construtora Odebrecht para garantir um lugar na área de distribuição. Integrante hoje apenas do consórcio que está construindo a usina de Santo Antonio, no Complexo do Rio Madeira e de olho na disputa por Belo Monte, a Odebrecht sempre se manteve focada na área de geração, mas segundo pelo menos duas fontes, estaria disposta a mudar este cenário entrando na área de distribuição para verticalização dos seus resultados.
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