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China compra 15% da Noble, que tem usina e porto no País

A China vai deter 15% do Noble Group Ltd., uma das maiores tradings de commodities do mundo, numa operação que envolve a venda de US$ 850 milhões em ações novas e já existentes à China Investment Corp., o fundo soberano chinês, a preço 8,

DCI
23/09/2009 07:00
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A China vai deter 15% do Noble Group Ltd., uma das maiores tradings de commodities do mundo, numa operação que envolve a venda de US$ 850 milhões em ações novas e já existentes à China Investment Corp., o fundo soberano chinês, a preço 8,1% inferior à última cotação na bolsa.

 

Segundo comunicado da empresa a venda inclui 135 milhões de ações mantidas pelo principal executivo da Noble, Richard Elman, e 438 milhões de novas ações. A operação acontece num momento em que a Noble se beneficia da demanda chinesa por carvão, minério de ferro e soja, e as importações chinesas de cobre e alumínio caem, pela alta dos estoques e dos preços no exterior.

 

A China é a maior consumidora mundial de commodities como soja, alumínio, zinco, cobre e minério de ferro.

 

Com sede em Hong Kong, a fornecedora de commodities investiu US$ 300 milhões no ano passado em uma usina de açúcar e álcool no Brasil e prepara para este ano a inauguração de um terminal no porto de Santos para a exportação de grãos e açúcar. A empresa deve inaugurar uma usina de processamento açúcar e álcool no estado de São Paulo em abril de 2010.

 

A Noble, fundada em 1987 pelo atual CEO, Richard Elman, controla minas, fazendas, portos e instalações de processamento e negocia commodities que vão desde alumínio até o zinco e opera em mais de 40 países.

 

A China Investment está intensificando seus investimentos em commodities depois de registrar prejuízos com aplicações em empresas financeiras, como o Blackstone Group LP e o Morgan Stanley. O lucro registrado pela Noble no 2º trimestre dobrou quando a China aumentou suas importações de matérias-primas para alimentar as necessidades do pacote de incentivo à economia, de US$ 585 bilhões.

 

"A China Investment começou a acelerar o ritmo de seus investimentos externos nos últimos três a seis meses; a empresa está revelando uma direção clara, que vai desde ativos em papel até commodities", disse Zhang Zhiming, diretor de pesquisa de alocação de ativos do HSBC Holdings Plc de Hong Kong. "Se ela mantiver posições de longo prazo em ativos de commodities, precisará de uma câmara de transações."

 

A China Investment tem comprado ações nos setores imobiliário e de recursos naturais nos últimos meses. O fundo soberano possuía 87,4% de seus ativos, de US$ 297,5 bilhões em dinheiro ou equivalentes no ano passado, segundo revelou em agosto.

 

Uma porta-voz do fundo soberano chinês confirmou o negócio, acrescentando que ele ainda precisa ser aprovado pelo conselho administrativo da Noble.

 

A Noble é quarto maior operador de commodities segundo o índice da Straits Times. As ações da companhia foram negociadas a US$ 2,30 antes de terem sido suspensas em 15 de setembro, quando disse que estava em negociações com um investidor não especificado. As ações devem ser liberadas a partir de hoje.

 

Importações

 

As remessas de cobre refinado para a China caíram 25%, para 219,7 mil toneladas em agosto, comparativamente ao mês anterior, e as de alumínio primário diminuíram 11%, para 117,2 mil toneladas, segundo revelaram dados da alfândega chinesa.

 

O preço do cobre, empregado na produção de tubulações e de fios elétricos, mais do que duplicou em Londres este ano, uma vez que o pacote de incentivo do governo chinês, de 4 trilhões de iuanes (US$ 585 bilhões) e as reservas governamentais impulsionaram as importações para um nível recorde em junho. O alumínio, utilizado na produção de autopeças, subiu 22% quando as importações chinesas dispararam para um recorde, em abril.

 

A magnitude da queda das importações "era prevista, uma vez que a alta dos preços reduziu a demanda para investimento", disse Ni Yaoxiang, analista da Guojin Futures Co., ontem em Xangai. "A melhor época para estocar cobre ficou para trás e, ao que parece, não voltará mais este ano."

 

As compras chinesas de níquel recuaram pela primeira vez em cinco meses, ficando mais de 50% inferiores às de julho, enquanto as importações de estanho diminuíram 23%. As compras de zinco desabaram pelo quinto mês, em 46%, e as de chumbo caíram pelo quarto mês, em 55%.

 

O fundo soberano chinês planeja comprar 15% da Noble, uma das maiores tradings do mundo, que tem usina e porto no Brasil.

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