Negócios

Chineses estão sem encomendas

Durante uma década a China expandiu agressivamente sua presença na construção naval na esperança de usar seus salários baixos para capturar mais um bastião do setor industrial. Nem tudo está correndo de acordo com o plano. O foco dos estaleiros

Valor Econômico
21/10/2011 08:17
Chineses estão sem encomendas	Visualizações: 540
Durante uma década a China expandiu agressivamente sua presença na construção naval na esperança de usar seus salários baixos para capturar mais um bastião do setor industrial. Nem tudo está correndo de acordo com o plano. O foco dos estaleiros da Coreia do Sul em navios mais caros e complicados permitiu a eles dobrar sua participação nas encomendas mundiais este ano, enquanto a estratégia da China de atacar na ponta mais baixa do mercado não vem sendo recompensada.
 
 

Hyundai Heavy Industries, Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering e Samsung Heavy Industries, os três maiores estaleiros do mundo, conseguiram até agora 40% das encomendas feitas em 2011, enquanto os preços mais altos do petróleo estimulam a demanda por navios-tanques de transporte de gás natural liquefeito e para perfuração. Os contratos conseguidos pelos estaleiros chineses em 2011 estão avaliados em cerca de 25% dos contratos obtidos pela Coreia do Sul, com base em dados da Clarkson Research Services, por causa da saturação dos navios de transporte de commodities de margens baixas que compreendem a maior parte da produção da China. "Tem sido bom para os estaleiros coreanos e o ano que vem será melhor", diz Park Moo Hyun, analista da E*Trade Securities.
 
 
 
Uma queda de 19% nas encomendas mundiais de navios este ano vem atingindo principalmente os estaleiros chineses, sendo que seis dos dez maiores não receberam nenhuma encomenda desde junho. Os coreanos evitaram a desaceleração porque abriram mão do mercado de navios de contêineres menores e navios que transportam cargas não embaladas para os chineses. "A situação agora é de uma corrida pela sobrevivência para os estaleiros chineses", afirma Cho In Karp, diretor de análises da corretora Heungkuk Securities de Seul. "Se eles não tiverem outra fonte de renda que a construção tradicional de navios, vai ser muito difícil continuar no negócio."
 
 

A Hyundai Heavy já superou a meta de vendas de US$ 12,3 bilhões para o ano, graças a encomendas de US$ 5,5 bilhões para navios especiais usados pelas companhias de petróleo em testes de perfuração em águas profundas. A Samsung Heavy conseguiu até agora US$ 14,8 bilhões em encomendas no ano, enquanto a Daewoo Shipbuilding está com uma carteira de US$ 10 bilhões.
 
 
 
O que está alimentando esse desempenho vigoroso: os dois estaleiros localizados em Seul conseguiram contratos para a fabricação de caras plataformas de perfuração semissubmersíveis, unidades flutuantes de armazenagem de petróleo e produção, navios para o transporte de gás natural liquefeito e navios de perfuração. "Em um mercado cheio de incertezas, as pessoas querem investir em algo que vai render dinheiro, e o setor de energia é justamente isso", diz Richard Park, analista da Korea Investment & Securities.
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