Negócios

Chineses podem comprar ativos da BG no pré-sal de Santos

Agência Reuters
09/12/2011 12:02
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A petroleira britânica BG está prestes a anunciar a venda de ativos que envolvem participações nas áreas mais nobres do pré-sal da bacia de Santos, onde foram realizadas as maiores descobertas do mundo na última década.

Na maior prova do seu apetite por petróleo brasileiro, os chineses são favoritos no negócio, disse à Reuters uma fonte familiarizada com as conversas. Com a operação, serão os únicos além da Petrobras a garantir presença em todos os blocos em estágio de desenvolvimento no pré-sal, considerando que já se tornaram sócios da Galp e da Repsol na região.

Principal sócia da Petrobras na região conhecida como "picanha", a área nobre do pré-sal, a BG pode transferir para uma estatal chinesa ações em sua subsidiária brasileira que garantirão ao comprador parte das reservas de campos cobiçados como Lula (ex-Tupi), Iara, Guará e Carioca.

Como majoritária nas áreas, a Petrobras possui direito de preferência em caso de venda de participações isoladas nos blocos, transação conhecida como farm out. Mas se a operação ocorrer por meio de venda de ações, como tudo indica, a Petrobras não terá o mesmo direito, segundo afirmou o próprio presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, respondendo a questionamento da Reuters.

"Nessas circunstâncias não temos direito de preferência", disse o presidente da estatal brasileira, por meio de sua assessoria de imprensa.

Gabrielli lembra que Galp e Repsol venderam recentemente parte de seus ativos no pré-sal em formato que não deu à Petrobras direito de preferência. Ao contrário, destaca ele, as companhias venderam ações de suas subsidiárias no Brasil para a estatal chinesa Sinopec, sem farm out.

O presidente da estatal dá a entender que a Petrobras não está negociando com a BG, dizendo que não sabe "o que a BG está fazendo".

O valor do negócio também dificulta que a Petrobras participe, disse a fonte que falou à Reuters sobre as negociações, pedindo anonimato. "Estão pedindo caro por esta presença no pré-sal e a Petrobras já está com seu caixa comprometido com seu plano de negócios para fazer frente a uma compra como esta", afirmou.

Várias empresas teriam procurado a BG, mas a candidata mais forte, segundo essa fonte, é a chinesa Sinopec, que já levou, por meio de compra de ações da Repsol e da Galp, participações indiretas em quase todos as áreas licitadas do pré-sal.

A BG estima possuir reservas da ordem de 8 bilhões de barris em seus blocos no pré-sal e, dependendo do tamanho da parcela que vender, sem perder a maioria da participação, poderá angariar até 27 bilhões de dólares.

A conta considera a venda de 49% das ações da empresa e o preço do barril negociado a US$ 7, um valor que a fonte considera possível.

Se o negócio for fechado a um preço mais baixo, de 5 dólares cada barril conforme aposta analista de banco de investimento consultado pela Reuters, a venda da mesma participação acionária chegaria a 20 bilhões de dólares - ainda assim a maior cifra já alcançada neste tipo de operação no setor do petróleo.

Se seguir os números da venda de ativos da Galp na mesma região, que vendeu 30% da sua participação nos ativos brasileiros, entre áreas nobres do pré-sal, a negociação chegaria a cerca da metade deste valor, uns US$ 11 bilhões.

Se o negócio se concretizar, será mais um passo da China para garantir suprimento de energia num momento em que estão paralisados os leilões de novas áreas de exploração no país.

Com o negócio, a chinesa garante presença em todos os blocos da região nobre do pré-sal com descobertas relevantes da bacia de Santos e já licitados - onde algumas estimativas apontam para a existência de reservas da ordem de 50 bilhões de barris de petróleo.

Ao comprar 30% de participação nos ativos da Galp no Brasil, no mês passado, os chineses já tinham garantido presença nos campos de Lula, Cernambi, Iara, Bem-te-vi, Caramba e Júpiter.

Em 2010, com a sociedade junto à Repsol, adquiriram participação indireta em Guará e Carioca. Só faltava o campo de Parati, onde a BG possui participação de 25%.

A britanica possui fatias bem maiores que os demais sócios da Sinopec no pré-sal, de modo que sua oferta de ações deverá superar todas as outras já ocorridas.

A Petrobras é majoritária em todos os blocos já licitados no pré-sal, além da aquisição de outras áreas por meio da cessão onerosa, pela qual pagou à União US$ 8,51 em cada um dos 5 bilhões de barris adquiridos.

Procurada, a Sinopec não comentou a informação de que negocia a compra dos ativos da BG. A companhia britânica também não comenta o assunto.

A venda de parte dos ativos vai capitalizar a BG para fazer frente aos pesados investimentos no pré-sal junto com a Petrobras, num momento em que as vias de crédito na Europa ficam cada vez mais escassez, segundo a fonte.
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