Etanol

Com investimentos de R$ 1 bi, antiga Usina São Fernando passará a produzir etanol de cana e de milho

Redação TN Petróleo/Assessoria Udop
21/05/2021 16:22
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Na última segunda-feira (17) em decisão do juiz da 5ª Vara Cível de Dourados/MS, a Millenium Holding foi declarada vencedora do leilão para aquisição da massa falida da antiga Usina São Fernando, localizada em Dourados, no Mato Grosso do Sul. A usina, em processo de recuperação judicial e posterior falência desde 2013, ganhará, com isso, investimentos de cerca de 1 bilhão de Reais, em dois anos, para tornar-se uma unidade flex, com a produção de açúcar e etanol, tanto de cana como de milho. A Usina será rebatizada de Millenium São Fernando Total Flex.

DivulgaçãoSegundo o CEO da Millenium Holding, Eduardo Lima, os próximos passos agora estão voltados para o levantamento de todas as necessidades da usina e do canavial para que possamos colocar nosso plano estratégico em prática. "Nosso plano é composto de Reforma da Indústria (1 ano, sem parar as atividades) e Recomposição do Canavial (5 a 7 anos), ato contínuo, daremos início imediato ao projeto da planta de etanol de milho para processar 500 mil ton/ano de milho (1ª fase, 2ª Fase 1 milhão ton/ano) para produzir 600 mil l/dia de etanol + DDGs + Gás Carbônico Grau Alimentício + Bioóleo + Energia, na primeira fase".

Lima destaca, ainda que a planta de milho partirá com a caldeira de 250 ton/h que não está sendo utilizada, somente após o 4º ou 5º ano é que será necessária a instalação de uma terceira caldeira, "pois nessa época a usina de cana já estará moendo mais da metade de sua capacidade, perto de 2,5 milhões de toneladas de cana".

Ainda segundo o CEO da Millenium, a posse efetiva da Usina São Fernando ocorrerá assim que o grupo efetuar o pagamento. "Conforme nossa proposta e a decisão do juiz, teremos até 180 dias para efetuar esse pagamento, mas nossa meta é fazer isso na metade desse tempo". A Millenium arrematou a massa falida por R$ 351,65 milhões.

Desde o início da semana, dois especialistas da Millenium estão na usina, reunidos com o gestor da RJ e com a alta diretoria da companhia. Os especialistas estão "fazendo todo tipo de levantamento sobre as condições da cana existente e quais serão os recursos necessários para moermos a cana existente (que é pouca) e a cana de terceiros que já estamos conversando e tratando de reativar as parcerias, pelos cálculos preliminares, contando com a cana da usina (150 mil ton), esperamos chegar nas 600 mil ton de moagem na atual temporada", destacou Lima.

A Usina São Fernando está apta para produzir açúcar e etanol, dependendo apenas de poucos investimentos em manutenção iniciar a safra 2021/22. "A capacidade real da planta é de 4,5 milhões de toneladas ao ano, mas seu plano diretor previa expansões até 9 milhões de ton/ano, pois têm área para isso".

Para o CEO da Millenium, "a parceria agrícola é uma das coisas mais preciosas que uma usina pode ter, trabalharemos com afinco para reconquistar os antigos e bons parceiros que a unidade tinha, mas não vamos abrir mão de plantar parte da nossa própria cana".

Plano de expansão

Para o futuro, a Millenium possui um plano audacioso para a unidade. "Existe um plano de expansão do canavial para moermos 4,5 milhões de toneladas de cana em até 7 anos, nossa meta é implantar um plano agressivo de recomposição de canavial, isso faz parte de nossa proposta. Mas a principal expansão se dará mesmo na parte do milho, pois sua produtividade é 5 vezes maior que a da cana (1ton cana = 80 a 90 l etanol -- 1 ton milho de 430 a 450 l de etanol) e se tudo correr bem podemos até pensar e já empreender o projeto de milho em sua segunda fase direto, que prevê uma moagem de 1 milhão de toneladas de milho para produzirmos 1.200 mil litros de etanol dia".

Sobre a Millenium - Segundo Lima, a Millenium nasceu em 2014 com Nova Dracena Açúcar e Álcool Ltda., uma empresa criada para arrendar, com opção de compra de 2 anos, a usina Dracena no interior de São Paulo, na época o plano era para ser o segundo projeto flex do Brasil (milho só na entressafra), uma vez que já exista a USIMAT em Mato Grosso, más infelizmente houve problemas na liberação do ativo para venda e tivemos que rescindir o arrendamento.

Foi aí que, em 2015, decidimos parar de tentar convencer o mercado de etanol de cana a aderir a novos processos e novas tecnologias de uso eficiente dos resíduos agrícolas e industriais e decidimos criar uma empresa para desenvolver projetos próprios uma vez que já contávamos com uma grande equipe de especialistas em destilação de álcool de cana e de cereais, nascia assim a primeira Millenium Bioenergia, a primeira S.A. startup do setor de etanol.

Com o mercado norte Americano de etanol de milho em alta enxergamos que no Brasil haveria um boom de etanol de milho dada a alta produtividade das terras férteis e de clima bom, diferentemente dos EUA que só podem plantar no verão.

Com esse foco, estabelecemos uma meta de expansão e como já contávamos com parceira de empresas de ponta do setor criamos um ambiente de consórcio técnico onde reunimos as melhores empresas de cada seguimento não só de produtos como também de serviços o que nos permitiu imprimir e consolidar nossos conceitos de Governança, Compliance, mitigação de risco e responsabilidade socioambiental, o que todos chamam hoje de ESG.

Hoje a Millenium conta com um S.A., uma Holding e mais diversas empresas cujos projetos se encontram em fases distintas, dois com Licenças de Instalação (cuja partida das obras foi atrapalhada pelo COVID) e três com LP - Licença Prévia, sendo que o de Jacirara, em Mato Grosso está para receber sua LI neste semestre.

Além disso estamos presente na Austrália, a convite do governo Australiano, com a Millenium Bionergy Pty Ltd, que deverá iniciar seu projeto até o final deste ano, tendo Robert Coas (ex-Brookfield) como o CEO à frente do projeto que será empreendido em Queensland, na região de Burdekin, grande produtora de cana-de-açúcar que receberá uma unidade Total Flex da Millenium.

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