E&P

Com poços secos, BP reavalia atuação no país

Jornal do Brasil
27/01/2005 00:00
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Empresa petrolífera estuda devolução de blocos à ANP

Diante dos insucessos nas operações no Brasil, onde detém dois blocos na Foz do Amazonas, a britânica Beyond Petroleum (BP, antiga British Petroleum) decidiu reavaliar seus ativos em exploração e produção no país. Até maio, a companhia deverá ter o resultado de uma análise técnica da geologia dos dois blocos, o que deverá determinar o futuro dessas operações.
Oficialmente, a empresa nega que a iniciativa represente o primeiro passo de uma saída do Brasil. Fontes do mercado afirmam, no entanto, que a ausência de novos investimentos no país nos últimos anos e o insucesso na atividade exploratória indicariam que os dias da companhia no Brasil estariam contados, pelo menos no segmento de exploração e produção.
O diretor de Relações Externas da subsidiária brasileira da BP, Paulo Pinho, atribui o que qualifica de boatos ao insucesso dos trabalhos exploratórios na Foz do Amazonas. Segundo ele, nos últimos dois anos, a companhia investiu US$ 60 milhões, em consórcio com a Shell e a Petrobras, nos blocos marítimos BFZ-2 e BMFZ-A1, na região amazônica. Embora os recursos tenham sido desembolsados com outras empresas, Pinho argumenta que tais investimentos demonstrariam o interesse no Brasil.
Segundo fontes do mercado, a decepção com os resultados e os rumos do setor energético do país teriam motivado a disposição de remanejar os investimentos na exploração e produção do Brasil para outros países. Além do segmento exploratório, a companhia mantém no Brasil ativos nas áreas petroquímica, por meio da Pan American, lubrificantes e querosene de aviação, por meio de importações. Os investimentos de maior envergadura, no entanto, foram direcionados para a exploração.
Em 2004, a empresa adquiriu ativos na Rússia, país que responde pela maior parcela dos investimentos fora do Reino Unido. Lá, produz cerca de 1 milhão de barris por dia. Na época, a direção da empresa no Brasil afirmou que os investimentos não afetariam as operações por aqui. A partir de agora, diz Pinho, a direção da companhia aguardará os resultados da avaliação técnica dos dois blocos para decidir o futuro dessas áreas. A análise, conduzida pelo corpo técnico da BP, deverá estar concluída até maio.
Um consultor no setor afirmou que a empresa até pode permanecer no Brasil, mas provavelmente deverá devolver à ANP os dois blocos operados até o momento no país.

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