Gás natural

Comgás investe no mercado residencial

Jornal do Commercio
15/03/2007 00:00
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Margens obtidas no segmento justificam investimento

A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), maior distribuidora de gás natural do País, vai manter neste ano o foco na expansão de sua rede de clientes residenciais, depois de assegurar a boa parte dos consumidores industriais do estado de São Paulo, onde atende a 60 municípios. Até o fim deste ano, a companhia pretende estender seus serviços a mais três municípios paulistas, além de incrementar suas ações em Campinas, no interior do Estado.

"Quando olhamos a perspectiva da companhia, é nítido que há mais espaço para crescimento robusto do mercado residencial. Em 2006, tivemos série de grandes consumidores conectados. Colocaremos foco maior no mercado residencial", afirmou o diretor de diretor de Planejamento Integrado de Gás e Energia, André Lopes de Araújo.

Ainda que o volume consumido pelo mercado residencial seja aparentemente baixo, as margens por ele obtidas são elevadas e justificam o investimento, explicou o executivo. Segundo ele, a Comgás busca, com a aposta no crescimento desse segmento, a mesma taxa de retorno que foi obtida ao longo desta década com o mercado industrial.

O consumo do segmento industrial atendido pela Comgás atingiu 3,747 bilhões de metros cúbicos no ano passado, incremento de 12,5% frente aos 3,330 bilhões de metros cúbicos verificados em 2005. Já o setor residencial obteve crescimento de 8% em 2006, em comparação ao ano anterior. Foram consumidos 114,1 milhões de metros cúbicos no ano passado, enquanto que em 2005, esse número não passou de 105,7 milhões de metros cúbicos.

O mercado de Gás Natural Veicular apresentou o maior percentual de elevação, com 18,1% de crescimento. O segmento foi responsável, em 2006, por um consumo de 535 milhões de metros cúbicos, contra 452,9 milhões de metros cúbicos registrados no ano anterior.

A Comgás fez a ligação de 64 novos postos, que passaram a ser atendidos também com GNV. Em 31 de dezembro de 2006, 369 postos dotados de GNV eram abastecidos pela distribuidora. Ao todo, as vendas da empresa totalizaram 4,760 bilhões de metros cúbicos no ano passado, 9,7% de incremento diante dos 4,341 bilhões de metros cúbicos constatados em 2005.

A Comgás registrou lucro líquido de R$ 427,4 milhões em 2006, 33,9% acima dos R$ 319,073 milhões verificados no ano anterior. Em 2006, foi responsável pela venda de 31% dos 15,2 bilhões de metros cúbicos distribuídos em todo o mercado. Da rede de 11 mil quilômetros de dutos do País, a Comgás distribui em 4,7 mil quilômetros, o correspondente a 43,5% do mercado.

O diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Roberto Lage, classificou o desempenho da Comgás em 2006 como excepcional, mesmo diante, segundo ele, da pressão de oferta que a companhia teve, em função das incertezas durante a época do impasse entre Brasil e Bolívia. Lage disse que o contrato que garante o fornecimento de 3 milhões de metros cúbicos de gás diários, que vencerá em dezembro, já está sendo negociado com a Petrobras.

Além desse volume, a companhia importa 8,7 milhões de metros cúbicos/dia do gás boliviano trazido pela Petrobras, e outros 600 mil metros cúbicos/dia, importados pela British Gas (BG) também da Bolívia. Segundo ele, a expectativa é de que seja renovado nas mesmas bases do atual contrato em vigor.

Roberto Lage não especificou o montante que será investido pela Comgás esse ano, mas destacou a tendência é de que mantenham volumes semelhantes aos R$ 426 milhões utilizados ao longo de 2006.

Tais recursos foram destinados, entre outras coisas, à ligação de clientes industriais na região de Jacareí, à expansão de 460 quilômetros da rede de dutos, ao crescimento da base de clientes do setor residencial, principalmente na região metropolitana, além do avanço do GNV para o interior.

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