Gás

Comgás lucra R$ 243,689 milhões

Jornal do Commercio
25/07/2008 08:56
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A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), maior distribuidora de gás natural do Brasil, obteve lucro líquido de R$ 243,689 milhões no primeiro semestre deste ano, valor 14,97% acima de igual período de 2007. Na comparação dos segundos trimestres de 2007 e deste ano, a alta foi de 2,74%, para lucro líquido de R$ 123,800 milhões.

 

Segundo o diretor de finanças e de relações com investidores da companhia, Roberto Lage, o resultado reflete o aumento das vendas de gás, do consumo médio por usuário e o repasse tarifário aplicado em maio. "Mas o resultado poderia ser melhor se não fossem algumas despesas pontuais, que não irão se repetir ", disse.

 

Entre essas despesas, está o ajuste de R$ 5 milhões na Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) pela inadimplência de cliente do segmento industrial e de três postos de combustíveis. A empresa contabilizou despesa de R$ 3 milhões referente ao pagamento de multa pela rescisão de contrato com um prestador de serviço.

 

A receita bruta da Comgás alcançou R$ 2,257 bilhões no primeiro semestre e R$ 1,209 bilhão no segundo trimestre, com altas respectivas de 16,58% e de 20,42% sobre iguais intervalos de 2007. Após os descontos de impostos e contribuições sobre vendas, a receita líquida da companhia foi de R$ 1,804 bilhão nos primeiros seis meses do ano e de R$ 961,275 milhões no segundo trimestre, com avanços respectivos de 18,76% e 21,92%.

 

Lage destacou o crescimento do segmento residencial - foco da companhia -, cujas vendas cresceram 14,50% entre os primeiros semestres e 13,33% entre os segundos trimestres. Esse segmento representou 2,51% da venda total de gás da empresa de abril a junho último. Já o segmento industrial representou 74,26% do total, o segmento automotivo, 10,21%, a co-geração, 5,84%, a termogeração, 5,33%, e os clientes comerciais, 1,85%.

 

No primeiro semestre, a companhia vendeu 2,714 bilhões de metros cúbicos de gás, com alta de 11,18% sobre os primeiros seis meses de 2007. Entre os segundos trimestres de 2007 e deste ano, as vendas subiram 7,73%, para 1,352 bilhão de metros cúbicos. Segundo Lage, grande parte da variação do volume distribuído deve-se principalmente ao incremento de consumo por parte das termelétricas.

 

Os preços do gás foram reajustados em 31 de maio. Para a classe residencial, a alta foi de 19,96% para consumo de 16 metros cúbicos por mês e de 17,76% para consumo de 40 metros cúbicos mensais. Para indústrias, o reajuste foi de 22,73% para consumo de 10 mil metros cúbicos por mês, de 28,88% para 100 mil metros cúbicos por mês e de 33,24% para 500 mil metros cúbicos mensais. O GNV teve alta de 40,82%.

 

As tarifas são reajustadas anualmente pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) com base na atualização das margens de distribuição e do custo do gás - de origem nacional e boliviana -, bem como de transporte. "O repasse dos custos do gás este ano foi influenciado pelo significativo aumento dos preços do barril de petróleo; base para preço dos contratos de suprimento de gás", disse.

 

Lage afirmou esperar por novo repasse da alta do petróleo no próximo reajuste tarifário. "Até o primeiro trimestre de 2009, teremos plano de negócios compatível com a remuneração e com o abastecimento do mercado", disse. A alta do petróleo, aliada ao maior volume de vendas, impactou o custo total da Comgás, que subiu 21,44% entre os semestres, para R$ 1,166 bilhão, e 29,05% entre os trimestres, para R$ 629,653 milhões.

 

Já as despesas com vendas gerais e administrativas da companhia cresceram, de R$ 180,891 milhões para R$ 215,158 milhões entre os primeiros semestres, e de R$ 92,426 milhões para R$ 119,002 milhões entre os segundos trimestres, em função dos ajustes pontuais contabilizados pela Comgás. Esses ajustes impactaram a margem de rentabilidade, que caiu 4,17 pontos porcentuais entre os segundos trimestres, para 25,57%.

 

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) cresceu 13,52% entre os semestres, para R$ 487 milhões, e 4,68% entre os trimestres, para R$ 246 milhões. Lage afirmou que o desempenho deste ano dá confiança. "Vamos seguir com crescimento sustentável nos próximos anos, com foco no gerenciamento da oferta e demanda de gás e no setor residencial", disse.

 

O crescimento da empresa no mercado residencial deve levá-la a investir de R$ 400 milhões a R$ 450 milhões este ano. "Fizemos 180 quilômetros de rede até agora e queremos expandí-la para 500 a 550 quilômetros até o final do ano", afirmou.

 

Neste primeiro semestre, a Comgás investiu R$ 187 milhões no primeiro semestre deste ano, 22,22% a mais que em igual período de 2007. Deste total, 62% foram destinados à expansão da rede.

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