O Comitê de Energia do Parlamento do Quênia visitou, na última quarta-feira (01/12), as instalações da Central Nuclear de Angra dos Reis. O país, que está expandindo sua geração de energia elétrica, estuda investir em energia nuclear e pretende usar a experiência brasileira como referência.
A comitiva foi recepcionada pelo engenheiro Luiz Roberto Cordilha Porto, da Diretoria de Operação e Comercialização, que apresentou ao grupo as instalações da Usina Nuclear Angra 2 e o local onde está sendo construída a terceira usina. O engenheiro destacou a importância da geração nuclear na matriz energética brasileira e esclareceu dúvidas sobre o processo de licenciamento e os custos de implantação de uma usina.
O deputado queniano James Rege, coordenador do grupo, declarou que o governo do seu país pretende diversificar suas fontes de geração de energia e que a experiência brasileira poderá ser um incentivo para o país investir em geração nuclear:
- Estamos passando por um forte período de crescimento econômico, mas a dependência de hidrelétricas tem comprometido nossa eficiência energética. Para vencer este desafio estamos nos voltando à energia verde. O Brasil é um exemplo porque apesar do seu imenso potencial hidrelétrico, não deixou de investir em fontes alternativas. A geração nuclear é uma boa opção porque é uma energia limpa e que, ao contrario das hidrelétricas, independe de fatores climáticos.
O parlamentar destacou que as universidades do Quênia já formam engenheiros nucleares e que a construção de usinas no país poderá criar um vasto mercado de trabalho:
- Temos uma educação de alto nível, mas, infelizmente, muitos de nossos técnicos não encontram campo de trabalho. Estudamos mandar algum de nossos jovens ao Brasil para que possam ver de perto o que aprendem na universidade. Inclusive, já temos até um projeto em que levamos professores brasileiros para ensinarem português no Quênia, tudo para facilitar a interação entre esses dois países - declarou o parlamentar, que deseja aumentar a embaixada do país no Brasil.
Atualmente 65% da energia utilizada no Quênia provêm de geração hidrelétrica, mas os constantes períodos de seca tem levado o país a procurar diversificar sua matriz energética. Além de considerarem a geração nuclear, os quenianos estão investindo ainda em geotérmicas e plantas eólicas.